Os minutos estavam passando de vagar. Eu estava realmente ansioso, o que não é de meu costume, e eu brincava com o gelo no fundo do copo, vendo-o derreter e suar o copo sobre a mesa do barzinho. Eu estava dentro de um shopping próximo ao centro de Porto Alegre, e já tinha percorrido todas as vitrines olhando as coisas, tentando matar tempo, pois cheguei meia hora antes do combinado com Mayra e Cláudio. Alguns dias antes, Cláudio realizara contato comigo em busca de um bom amigo, quem sabe, um parceiro para o casal.
Na verdade, compreendo perfeitamente o quanto tem sido complicado selecionar homens interessantes para encontros com casal. Pois uma vantagem com a qual sempre contei, é a de ter a característica de atuar nas duas condições, a de marido, e a de amante. Deste modo, sempre tive o privilégio de sentir os dois prazeres, o de ser o homem que aprecia a esposa nos braços de um homem que saiba arrancar dela todo o prazer que pode sentir, e a de ser o homem que arranca de uma esposa, diante de seu marido, todo o prazer que ambos desejam sentir.
Ok, o relógio denunciou que faltavam menos de 5 minutos, e comecei a procurar, olhando em torno, algum casal que se aproximasse, e tivesse as características que eles me haviam descrito. Segundo Cláudio, Mayra seria uma mulher de estilo mingnon, de 1,58m, morena clara, cabelos curtos, e bastante tímida, pois me mostrou poucas fotos por e-mail. Contou-me, ainda pela internet, que se conheceram adolescentes, e que a viu namorar muitos garotos amigos dele que contavam coisas alucinantes do que faziam com ela. Como é comum no universo masculino, detalhavam de maneira sórdida as transas que tiveram com ela. Eram três amigos, e os três tiveram experiências semelhantes com Mayra. Ele jamais imaginou que anos mais tarde a encontraria em outra cidade, ela já com 25 anos, ele com 26.
Não imaginou também que trabalhariam juntos, e que se apaixonariam, e que desejariam casar, como fizeram dois anos antes de nosso encontro, que acontecia neste momento.
Ela estava hoje com 27 anos, ele com 28, e por todo este tempo, aquela situação de adolescentes, onde ele por vezes se pegou criticando a “facilidade” com que Mayra transava com seus amigos, e hoje, certos fantasmas o assolavam. Comentou que mesmo diante de uma sensação péssima, que o levava a ataque terríveis de ciúmes, se excitava secretamente, e ele evitou tudo o quanto pode revelar os detalhes que conhecia. Mas por muitos momentos condenou situações menos graves quase como uma forma de compensação.
Em nossas conversas on-line, descobrimos juntos muitas razões de sua raiva contida, em saber da menina safada que ela sempre foi, e do quanto era safada como mulher, pois u mecanismo de insegurança muito comum se instala dentro do homem... O passado de uma mulher é o mais cruel adversário, pois com ele não se pode competir tendo a certeza de vencer. Jamais se tem certeza. É sempre uma incômoda incógnita, e o recalcamento desta irritação contida pode gerar uma reação até mesmo doentia, o que motiva uma série de separações aparentemente por causas irrisórias.
Pois bem, as circunstâncias acabaram colocando Cláudio frente a contos eróticos, através dos quais acabou conhecendo novos graus de excitação e compreensão de sua própria sexualidade. Resolveu explorar melhor seus sentimentos, e descobriu, após muito tempo conversando comigo e com amigos de experiência liberal, que poderia converter aquelas lembranças assoladoras em objeto de prazer. Ou então, separar-se vez. Claro, havia a opção de não tomar rumos liberais, Cláudio era inteligente demais para ser “convertido” ou “convencido”. Decidiu por si mesmo conversar melhor com Mayra, e colocar na mesa todos os seus temores e novas certezas.
Para seu espanto, ela, como as melhores representantes do gênero, era uma mulher sensível às suas mudanças, e dispôs-se com prazer a mergulhar numa jornada experimental em busca de novos prazeres. A inclusão lícita de terceiros em suas experiências sexuais. Cá entre nós, isso acontece diariamente sem essa abertura, em forma de traição e “jogo sujo”.
E cá estava Libertine, ou melhor, Rick, sentado na mesa de um bar dentro de um Shopping, aguardando a chegada de um interessante casal de amigos que poderia vir a fazer parte de meu seleto hall de amigos liberais. O gelo se desfizera. Só restava esperar, e com cinco minutos de atraso, Cláudio surpreendeu-me com um leve toque no ombro, por trás de minha cadeira. Eram realmente o casal da foto que me enviaram, em nada pareciam diferentes. Beleza simples, Mayra nada tinha de incomum, o que a tornava ainda mais interessante. Mulheres de beleza extravagante correm o risco de escorregar a vaidade, e deixar a desejar em outros quesitos, salvo raras exceções. Ela era muito bonita, mas na medida correta, discreta.
Ele parecia mais jovem que Mayra, muito forte e alto, cerca de 1,80m. Parecia ter mais de 90Kg, pois era realmente malhado. Intimidei-me diante a cena, pois sou um homem comum, de pouco porte. Apesar de eu ser extremamente apresentável em matéria de beleza, ele era realmente muito bonito. Mas logicamente, apostei nas armas que tenho, afinal, não estávamos ali para competir, e sim, para trocar idéias interessantes, e quem sabe, trabalhar “cooperar”.
Resolvemos tomar mais um suco, nenhum dos três era de bebida alcoólica, e uns petiscos fizeram parte de nossa conversa já muito animada. Parecíamos muito integrados, nossa conversa fluía com naturalidade, vi que Mayra sentia-se totalmente à vontade, ria alto seguidamente, era extrovertida. Somente meia hora depois de começarmos a conversar, tocamos no assunto que nos levou até ali. Desejo.
Falamos sobre a situação, e realmente percebi que estavam determinados a deixar as coisas acontecerem no ritmo mais natural que fosse possível, ou seja, queriam tentar. Estavam dispostos a experimentar as novas sensações que fariam das próximas horas algo realmente inesquecível.
Passei a observar Mayra com mais atenção, percebi que tinha belos dentes, e uma boca muito atraente. De quando em quando, Cláudio trocava olhares com ela, com aquele significado que só a cumplicidade parecia decodificar. Resolvi dar-lhes uns minutos a sós, e pedi licença para is ao banheiro, e voltei uns 5 minutos depois, ela já estava com um olhar diferente, mais tranqüilo, menos tenso, porém, mais inquieto. Sua bolsa já sobre seu colo denunciava que tinham planos de sair dali. Restava saber... Comigo?
A resposta veio rápida, pela pergunta ansiosa de Cláudio:
- Conhece algum lugar discreto e mais tranqüilo aqui por perto?
Fiquei surpreso com a rapidez com que as coisas se desdobravam, percebi que seria uma relação ágil, e ganhei segurança para tomar a frente.
- Claro, estou de moto, podem me seguir com o carro?
- Sim, mas tem um lugar em mente?
Optei por um motel das imediações, dei-lhe o rumo, e saímos. Pelo trânsito fomos trocando sinais gentis até a entrada do Motel, peguei um quarto somente para mim, e eles uma para os dois. O motel era conservador, teríamos problemas para entrar em trio. Cinco minutos passaram de nossa entrada, e dirigi-me furtivamente ao quarto deles. A porta já estava entreaberta, e sem interromper, pude contemplar uma cena do mais absoluto romance. Cláudio beijava carinhosamente a pequena esposa, erguendo seu leve vestido laranja até a altura do belo quadril. Ela percebeu minha presença, e pareceu tímida por alguns momentos. Notei que a constrangi, resolvi ser mais paciente. E mais ardil. Estavam à beira da cama, ainda plenamente vestidos, e notei que Cláudio sentia-se bem mais à vontade com a situação do que Mayra. Eu resolveria isso em instantes.
Dei um sorriso, e procurei ser cortês com ambos:
- Hei, não se intimidem por mim! (entre risos) Estou aqui somente para apreciar este belo casal! Aliás, Cláudio, está de parabéns... Que linda menina... Dá vontades de coisas absurdas com ela...!
- É mesmo? - Perguntou ele, com um ar debochado.
Ele realmente estava de bem com que iria acontecer, tinham convicções de suas fantasias, e as queriam realizar. Apenas ainda não sabiam como agir. Resolvi definitivamente tomar o controle. Sentei-me, sem pressa, no pequeno sofá próximo à cama, de frente para os dois. Sentenciei, ajustando rádio com o controle remoto:
- Cláudio, diga pra sua esposa linda o que tem vontade de ver, baixinho, em seu ouvido, para que eu não escute... Diga a ela o que te daria prazer ao ver ela fazendo.
Ele, meio sem jeito, olhou para Mayra, com um sorriso cúmplice, e apertou os olhos, num ato de iniciativa. Ambos em pé, a dois metros de distância do meu pequeno sofá, e ele cochichou em seu ouvido, palavras que não ouvi, mas que a fizeram dar risadas, e enrubescer a face. Ela olhou-o novamente, como se perguntasse: ‘tem certeza de que quer mesmo isso?”
Seu olhar foi de consentimento, e ela subiu sobre a cama, e foi se desfazendo do vestido. Ela ainda estava um pouco desajeitada, parecia envergonhada, então, levantei-me, aproximando-me de Cláudio, e ao seu ouvido, pedi que sentasse no meu lugar, e apreciasse. Ela ainda estava tirando o vestido, com o rosto parcialmente coberto e sem visibilidade. Mas sentiu quando meu peso sobre a cama lhe causou certo desequilíbrio, mudando sua inclinação. Segurou-se em mim, e só então percebeu que não era Cláudio. Notei que abalou-se. A ficha começava a cair...
Mayra parecia em completo transe, e ficou paralisada... O vestido lhe cobria a face, e segurando-o assim, impedi que continuasse a tira-lo. Mantive seus olhos vendados, ali, em pé. Por trás de seu corpo, acolhi calorosamente suas costas contra meu peito. Com a mão esquerda, mantive-o preso em seu rosto, e com a direita, muito suavemente, comecei a percorrer seu quadril já seminu, revelando a sedosa pele. Os seios estavam ainda parcialmente cobertos, mas sem sutiã. Deixei-os então livres, apreciando a gostosa sensação de seus mamilos rijos da fria ventilação e estranheza às novas sensações, despontarem na palma de minha mão, que vagarosamente foi espalmando-se sobre eles, massageando leve e circularmente. Pequenos tremores vieram acompanhados de um forte suspiro de Mayra. Desprezei a presença de Cláudio por alguns minutos.
Ajudei Mayra a terminar de despir-se. Seu corpo era bastante alvo, e usava um lingerie simples, sem muitos detalhes, toda de algodão. E seu corpo era esbelto, pequeno, delicado. Ela realmente parecia não pesar 50 quilos. Um enorme contraste com Cláudio, de tão avantajado porte. Abracei-a carinhosamente, por trás, não de forma sensual, apenas acolhedora. E senti que seu corpo simplesmente amoleceu, num transe de entrega. Juntos, nos ajoelhamos, encaixados, como se tivéssemos sido feitos um para o outro. Adotei a firmeza a partir de então, e deitei seu corpo lateralmente. Apreciei a muito bem desenhada curva de seu quadril para a cintura, onde repousei meus dedos delicadamente...
Sua calcinha era extremamente macia, meus dedos vez ou outra penetravam em sua borda, provocativos. Cláudio estava à nossa frente, observando com a mão sob o queixo, ensaiando um olhar felino próprio de um homem que experimenta uma sensação nova. Olhos apertados, mão sobre o colo, ainda escondendo a ereção que certamente o assolava como jamais sentira.
- Cláudio, tua menina vai virar mulher... Ela é uma delícia, rapaz. Tu és um homem de muita sorte, e vamos fazer dela uma mulher de sorte também. - aproximando meus lábios de sua orelha, ela com os olhos cerrados - o que acha, querida?
Sua resposta veio em forma de um sorriso velado e tímido, escondendo o rosto conta o lençol. Beijei sua orelha sonoramente, arrancando-lhe um gemido. Segurei seu queixo delicadamente, virando seu rosto para mim, para que me visse bem, olhasse nos meus olhos, e ela encarou-me, séria.
- Vais me ajudar a fazer o Cláudio gemer, sentado onde está. Quer me ajudar? Quer dar a ela mais prazer que jamais sentiu? - Ela novamente deu um sorriso, tentando esconder novamente o rosto, mas segurei-a, e beijei sua boca. Ela não resistiu, apenas não correspondeu ao primeiro ato, então afastei meu roso, segurando-a ainda delicadamente pelo queixo, e meu polegar direito acariciou seu lábio inferior, suavemente. Mordisquei seu lábio superior, e ela gemeu, senti sua língua visitando a minha, e beijou-me descontrolada. Beijar parecia ser seu talento mais ardoroso, senti meu corpo pulsar de tão excitado. Ela usava pouco a língua, mas abundantemente os lábios, quase como que sorve uma fruta suculenta. Imediatamente comecei a pensar como seria aquela fera fazendo um gostoso sexo oral, devia chupar maravilhosamente bem! Em breve eu saberia.
Daquela posição, deitados lateralmente, puxei Mayra sobre meu corpo, de costas para mim, deitada sobre meu peito, colocando suas pernas por entre as minhas, o que facilitaria para tirar sua calcinha nos momentos seguintes. Por hora, me ative a acariciar muito seus seios, desnudos, pequenos e insolentemente firmes. No espelho do teto pude ver a cena maravilhosa de seu pequeno corpo juvenil, delicioso e alvo, sobre o meu.
Deixei que minhas mãos a percorressem por inteiro, da nuca até o interior das coxas, em movimentos suaves e desordenados. Meus lábios, comprimindo sua nuca, vez ou outra lhe chamavam a atenção para os olhares de Cláudio, que apenas observando, apreciava a cena que até então apenas imaginara. Mas tenho certeza... Jamais imaginou que fosse tão bom quanto na realidade pode ser. E ela apenas se entregava ao desejo forte que sentia dominar seus pensamentos.
Meus dedos passeavam por suas virilhas, ensaiando movimentos circulares, mas sem tocar diretamente a vulva, apenas a contornavam. Senti que a temperatura de sua pele se elevava, e os batimentos cardíacos aceleravam aos poucos. A sensação de entrega estava aumentando, a cumplicidade entre os três surgindo de forma avassaladora; Mayra começava a confiar em mim, e nos desejo de Cláudio. Percebeu que dali em diante, nada mais poderia sair errado.
Brinquei uns instantes com seus minúsculos mamilos de cor vermelha forte, pareciam muito com seus lábios. Pequenos, rijos, despontavam frontalmente nos pequenos seios muito arredondados e belos, como de uma debutante. Confesso que isso me deixou quase fora de controle. Mas pela respiração, retomei meu sentido ponderado, apenas mordendo-lhe a orelha, apertando seus peitos e trazendo-a pressionada contra meu peito. Entre suspiros fortes, ouvia suprimindo seus gemidos, como que quer resistir ao prazer que sente. Mais uma mordida em sua nuca, lenta e suave, e mantendo-a firme entre meus dentes, puxei seus dois joelhos com a mão direita, contra seu próprio peito, ficando seu pouquíssimo peso todo sobre meu abdômen, e coma mão esquerda, tirei-lhe facilmente a calcinha, somente até os tornozelos.
Com a própria calcinha, atei-lhe os tornozelos um ao outro, e olhei com um maquiavélico sorriso para Cláudio, que fazia um ar admirado, quase surpreso, inclinando-se para frente para melhor ver a cena. A pequena vagina da esposa, totalmente depilada na parte inferior, e rósea como um pequeno botão de rosa clara, e na minha posição, só poderia ser apreciada pelo espelho que ficava em frente à cama. Com os dedos, afastei seus “grandes lábios”, que, diga-se de passagem, eram minúsculos, e convidativos a um demorado beijo.
A essa altura, eu já me encontrava sem camisa, mas ainda com vestido de calças jeans. Consegui livrar-me facilmente das calças mesmo com ela sobre meu abdômen, segurando-lhe as pernas erguidas, e os seus joelhos de encontro ao seu peito. Notei que Cláudio se posicionara melhor para poder observar com mais riqueza de detalhes que acontecia. Era um Vouyer nato, e deliciava-se com a cena que lhes proporcionávamos. Aliás, a beleza daquela mulher provavelmente enlouquecia todos os homens com quem conviviam, e isso o perturbava e enchia de tesão ao mesmo tempo. Aquela menina tinha dentro de si um tesão inimaginável, que somente um homem inteligentemente liberal saberia conter consigo. E Cláudio, neste dia, se consagrava um.
Meu pênis já não se continha mais, latejava incessantemente, tocando perigosamente as virilhas da menina, e eu podia sentir na respiração ofegante dela que mal podia esperar o momento em ele entraria nela. A posição era deliciosa para uma masturbação perfeita, e deixei meus dedos separarem novamente os lábios de sua vagina, com o polegar e anelar da mão esquerda, eu os afastava, enquanto indicador e médio a manipulavam clitóris e entrada da vulva. A grutinha ia se encharcando, e os gemidos de Mayra se tornando menos tímidos. Seu corpo ia serpenteando sobre meu peito, anunciando a chegada de um maravilhoso e intenso clímax. Sua vulva escorria, eu podia sentir em minhas virilhas... Como queria poder chupa-la naquele instante! Mas não podia. Num movimento súbito de contração, seu pequeno corpo começou a contorcer-se violentamente, encolhendo as pernas e rebolando desesperadamente, apertando minha mão contra a vulva, gemendo desesperada e desritmadamente... E um urro antecedeu seu total desfalecimento. O orgasmo a tomara de forma absoluta, impactante, violento. Amolecida, vi seu corpo pesar sobre o meu, mas não dei-lhe o privilégio de descançar, havia muito pela frente, isso seria só o início.
Segurei-a por entre as coxas, abrindo bem suas pernas, e puxando novamente seus joelhos contra o peito, de forma a exibir desavergonhadamente a vulva encharcada para o marido que estava a nossa frente, enlouquecido com o que via. Não pude evitar as palavras...:
- Olha, Cláudio... Vem cá! Olha de perto essa gruta encharcada... Olha aqui, sente como ela está! Acabou de gozar, pela primeira vez, em tantos anos, pelas mãos de um outro homem. Vem cá e lambe esse gozo que não foi tu quem deu.
Cláudio, por um momento, pareceu perturbado, e ficou trêmulo. Cobriu, por um segundo, os olhos com uma das mãos, virando-se para o lado, visivelmente transtornado com minhas palavras. Suspirou, me encarou nos olhos, e sorriu, desistente de resistir. Abri bem as pernas de Mayra para que ele chupasse, e ele veio. Mal tocou os lábios na gruta melada da pequena esposa, afastei seu rosto dela, sentenciando:
- Nããão... Chega. Sente lá no teu sofá, já pegou o que é teu. Agora é comigo.
Rindo-se, nervoso, obedeceu, com um olhar incrédulo e injetado de prazer. A boca, parcialmente aberta, revelava sede. Neste meio tempo, Mayra se recobrava do intenso orgasmo, ainda sob meu abdômen e tórax, que já começavam a doer. Alias, meu pênis já doía havia muito tempo, de tão intensa a ereção.
Pedi a Cláudio que me alcançasse uma camisinha da mesa de cabeceira, e pegasse uma água gelada para nós. Ele nem hesitou, levantou-se de sobressalto, pegou a camisinha e jogou-me, na seqüência indo ao “frigobar”. Entre carícias, comecei a beijar Mayra, deliciosamente estendida sobre meu corpo. Parecia muito a vontade ali, e ensaiava movimentos de quadris sobre minha pélvis enquanto eu me vestia com a camisinha. Cláudio voltava com a água no momento em que terminei de desenrolar o látex. Olhava atento para a vagina dela, não queria perder o momento da penetração. Ela aconteceria ali, na frente dele, bem lentamente. E mulherzinha dele ali, deitada de costas sobre o peito de outro homem, ajustando o membro dele na entrada de sua vulva...
- Cara – disse-lhe – Olha isso... Que delícia. Vem, bem pertinho. Olha tua mulherzinha...
Mayra tocava a cama com as pontas dos pés, erguendo o quadril até dar ângulo perfeito à penetração. Seria o soltar de seu peso que enterraria na sua carne o meu membro latejante. Acomodei-a sobre meu pau, e soltei seu quadril. Era por conta dela.
- Princesa... Estou louco pra te sentir, pra estar dentro de ti, entrar no teu corpo, no teu íntimo... enfia meu corpo no teu, me sente... Nos sente... Sente os olhos do teu amor no teu corpo sendo invadido por mim... Dá prazer a esses dois homens enquanto mergulha esse membro em ti...
Gemendo, de olhos fechados e feições contraídas, quase com se sentisse dor, ela foi descendo na minha vara que desaparecia aos poucos dentro de sua carne rósea avermelhada. Um chiado quase ininteligível escapou por entre os lábios daquele marido ensandecido de prazer.
- Issssssshhhooo.... ahhh.... – e mergulho o rosto no lençol... abafando o quase urro...
Estava feito. O corpo de Mayra estava agora “violado” por outro homem, por outro pênis... E ele podia admitir finalmente que isso o agradava. E ela também. Sempre sentiu prazer em que ele soubesse do quanto isso a fazia feliz, ainda que isso o fizesse sofrer por vezes. Sentia que a voracidade com que transavam era sempre maior sob os efeitos daquele sentimento de “traição” que habitava a mente dele. Agora, era mais que real. Ela estava ali, indefesa, com o pênis de outro homem mergulhado no seu útero, a 15 centímetros do rosto do marido que amava, e ele sentia “dor”, de tanto prazer. Desnorteada, ela começou a rebolar... E aumentou o ritmo. E mais, e mais, cada vez mais, quase ao ponto de vibrar. Ajoelhado no chão, com p peito sobre a cama, e o rosto entre nossas pernas, Cláudio assistiu a mulher em convulsão, rebolando no meu membro. Com a testa franzida e boca entreaberta, queixo enterrado no colchão, chegou a assustar-se com o grito proferido pela esposa, quando explodiu no segundo orgasmo... Desfaleceu junto com ela.
Ofegante, acolhi o corpo amolecido de Mayra. Estava suada, arfante. Mas com os braços estranhamente gelados. Mãos frias, acolhi nas minhas que estavam ferventes. Conforme foi cobrando a respiração, Mayra começou a suspirar, levando as mãos ao rosto, gemendo baixo. Percebi que secava os olhos, lágrimas involuntárias se formavam, e começava a corar convulsivamente. Abracei-a, virando seu corpo lateralmente, e puxei seu rosto contra meu peito. Ela aninhou-se, e Cláudio abraçou-a também, por trás. No espelho, a cena era divinamente bonita. Observei discretamente, mas encantado. Aquela frágil mulher entre dois corpos masculinos, sendo protegida e acolhida por ambos, carinhosamente. Cláudio alisava seus cabelos curtos e beijava sua cabeça e nuca, e eu sua testa, acariciando seu rosto. Era um abraço a três, desprovido de preconceitos ou inseguranças. Estávamos integrados.
Nos segundos que se seguiram, ela foi lentamente se acalmando, as lágrimas foram se dissipando, dando lugar a suspiros cheios de soluços, como uma criança após minutos de choro. Algo me encantava naquilo tudo, era mágico. Sequei seu rosto com as mãos, tomei seu delicado queixo entre elas, e ela me olhou nos olhos, com os seus muito avermelhados. Dei-lhe um rápido e estalado beijo, ela devolveu um segundo, um pouco mais demorado. Abracei-a, roubando-a um pouco do peito largo de Cláudio. Nos beijamos um pouco, e ela virou-se para ele, beijando-o também, e ele alucinou-se. Virou-a de frente para ele, abraçando forte, num amasso de dar inveja. Seu corpo grande e forte fazia o dela quase sumir entre seus braços, era bonito de ver.
Fiquei acariciando as costas e quadril de Mayra durante seus amores com Cláudio, aproveitando para ir posicionando os dois. Ela já ia montando sobre ele, que ainda estava parcialmente vestido, de calças jeans e meias, sem camisa nem cinta. Ela o beijava ardentemente, como se fosse engolir sua língua, estava superestimulada. Aproveitei o momento para matar um desejo, pois ela escorria rios de gozo do orgasmo que tivera. Empinei suas ancas, e enfiei minha língua no fundo da gruta já relaxada e alargada de tanto desejo. Escorria, de fato. Um gosto levemente salgado, de terminação adocicada, de fluído recém gozado, divino de sentir. Era o tesão do beijo de Cláudio que a estava fazendo escorrer. Um momento deles, de sensações íntimas de casal, e eu sabia que não podia adentrar... Apenas colher os frutos líquidos que ela produzia... E fazia minha parte.
Na mesma posição, puxei as pernas de Cláudio para que se juntassem, colocando-as entre as minhas. Ela ainda montava sobre ele, praticamente de quatro à minha frente, beijando-o. Era perfeito. Encaixei-me por trás dela, sem prévio aviso, enfiando-me na sua gruta, lançando-a sobre o peito do marido. Dei-lhe alguns segundos para se acostumar com a invasão, e olhar-me nos olhos com a cabeça virada para trás... E comecei a estocar. O fascinante era ver o olhar dele, buscando no fundo dos olhos dela o prazer que sentia. Eu ali, estocando sua esposa por trás, sobre seu abdômen, ela aninhando-se em seu peito para receber outro macho em sua vagina... E ele podendo sentir o embalo de cada estocada diretamente sobre si. Vi no seu rosto que estava enlouquecido. Gemia junto com ela, que rapidamente se encaminhava para o terceiro orgasmo. Menos de dez minutos de solavanco fortes, ela gozava novamente, mordendo os lábios do marido, sendo fodida pelo amante... Um total paradoxo.
Não deixei que ele saísse da posição. Apenas o fiz recostas-se na cabeceira, e virei Mayra de frente para mim, colocando de costas para ele, entre suas pernas. Abri suas pernas e coloquei-me entre elas. Tive de rapidamente trocas de camisinha, pois apesar de não ter ejaculado, a minha estava encharcada de tac modo que não servia mais.
Fiz com ela um papai-e-mamãe, entre as pernas dele. Ela com as costas parcialmente apoiadas sobre seu peito. Ele, como era muito forte, não teve qualquer dificuldade. Acariciava os peitos dela, e os oferecia para mim. Eu os chupava deliciosamente, alternando com beijos em sua boca e pescoço. Sentia os dedos de Cláudio nos cantos da boca da esposa, como se tentasse “sentir” o beijo, pois olhava incrédulo. Senti um tesão incontrolável, e avisei que meu corpo pedia um orgasmo. Olhei para ele, e ambos entenderam de imediato a minha questão... E ele ofereceu-me os peitos dela, pedindo-me por gestos, que despejasse ali o meu prazer inteiro...
- Cara, vou me esvair na tua mulher... Ela me deixou enlouquecido, vou despejar todo meu prazer no corpo dela. E vai ser agora...
Senti a contração involuntária de meus músculos, e uma vertente de sêmen querendo brotar incessante... Livrei-me rápido da camisinha, deslocando meu membro até o ventre de Mayra, num suave movimento de vai e vem... Ali me esvaí...
Meu gozo explodia contra seu peito, numa força e quantidade desproporcionais a meu humilde porte e dote... Gozei muito forte. Meu sêmen se espalhava por todo sei peito e ta,bem seu rosto. Nem Cláudio escapou, desastradamente acabei jorrando um pouco em seu peito. Com o susto, ele virou-se rápido, virando a garrafa de água sobre a cama e cabeceira, dando seqüência a um conjunto de pequenos desastres que acompanhavam meu orgasmo. Um segundo depois de refeito, todos ríamos muito da situação constrangedora...
Logicamente, isso tudo nos levou à necessidade de um banho, para colocar a cabeça no lugar. Deixei-os ir, para que dividissem um momento a sós, e fiquei sobre cama por quase meia hora... Sozinho, pensativo, refletindo aquilo tudo, e degustando nossos cheiros espalhados pelo quarto. Era delicioso. Aproveitei para tomar um pouco de chá gelado, a noite teria ainda algumas surpresas. E serão calmamente degustadas aqui.
20 de março de 2007
20 de janeiro de 2007
Os Motivos de Daiana

– Mais café, querido?
– Não, esse café ficou fraco, e tá com um gosto esquisito. E mais, ficou pronto muito tarde, vou acabar me atrasando. Vê se amanhã tu faz mais cedo esse café. E dá um jeito nesse café aí, o gosto tá horrível.
Adriano levantou-se frio, calando-se por completo, e olhar entre o indiferente e o irritado. Andava assim nos últimos dias, desde que o filhotinho de cachorro que deu pra Daiane estragou seu sapato preferido. Daiane preferia fingir nem notar seus destratos, não valia à pena. Seria pior e os levaria a uma discussão onde coisas que não deveriam ser ditas fatalmente seriam ditas. Como as marcas que ela, havia dias, vinha notando em suas camisas e roupas, perfume barato que com certeza não era do tipo que ela usaria...
- Querido, esqueceu sua pasta!
Mais uma vez seu olhar mal humorado estampou-se até que pegasse a dita pasta. Mal Adriano ligou o carro, Daiane dirigiu-se ao quarto, num saltitar ansioso e ao mesmo tempo furtivo. Entre os rangeres de portas do guarda-roupas, destampou um pequeno compartimento oculto, de onde tirou uma sacola preta, e esvaziou-a sobre a cama. Uma enorme e sofisticada coleção de lingeries de muitas espécies. Dentre todas, parecia decidida, imediatamente desenrolou a preta, composta de um lindo espartilho, ligas, uma mínima calcinha quase inteira de renda, e meias de 7/8. Jogou-as sobre a cama, e encarou-se no espelho grande da porta do guarda-roupas. Mais uma breve olhada pela porta, certificando-se da partida do marido para mais uma jornada de trabalho que só terminaria ao início da noite.
Voltou ao espelho sorridente, como uma criança frente a um novo brinquedo. Seu sorriso largo, de uma boca majestosamente linda, dentes grandes e alinhados. Aproximou o rosto do espelho, e buscou as imperfeições que as mulheres sempre se recusam a aceitar.
As marcas do tempo. Ela se olhava fixamente, vendo que no auge de seus 27 anos, dava sinais de seu cansaço. Na mente, surgiam pequenas imagens de sua juventude, adolescência de dedicação grande ao trabalho, devido as poucas condições financeiras, e seus pais sempre tão conservadores. Seguiu o caminho de sua mãe, que com muito pouco estudo, fora oferecida pelo próprio pai ao noivo que ele mesmo escolhera, o de melhor condição financeira que se apresentou interessado. Sim, por incrível que pareça, ainda é a realidade de algumas jovens brasileiras como ela... Daiane.
Casou-se aos 17 anos, sem ao menos concluir nível técnico de ensino, com um homem de relativa posição, empregado de uma firma grande com muitas filiais, nas quais atuava como representante comercial. Ela notou sua ausência poucos dias depois de sua Lua-de-Mel, 4 dias após ter perdido a virgindade guardada como ouro pelo pai, viu o marido sair pela porta sem ao menos dizer quando voltava. E assim tem sido, há dez anos.
Bem, sua memória apenas dá uma cena de fundo a este momento solene, onde com um movimento rápido, foi cobrindo seu corpo alvo, de pele muito branca, quase transparente nas volumosas coxas que ia escondendo com o tom negro da meia de nylon que a cobria. O choque entre sua alvura e a lingerie era algo de divino. Seus cabelos estavam rebeldes, apesar de lisos, volumosos e inconstantes. Somente um coque os fez parar como ela gosta. Cabelos negros como o espartilho que ela agora ocultava sob um vestido simples, de poucas estampas, até o joelho. Tecido de estampas peruanas, de muito bom gosto, mas em nada remetia à sensualidade que ela escondia por baixo dele. Com pressa, olhando no relógio, ela correu até o ponto de ônibus, afinal, já havia perdido tempo demais, iria se atrasar.
A pequna viagem passou rápido, e um certo viaduto do centro de Porto Alegre, se aproximando, já mostrava que era hora de dar sinal para desembarcar. A pressa era tamanha que Daiane nem notou o carro que por centímetros não a atropelou enquanto atravessava a rua, em direção ao antigo prédio comercial de fachada muito bem pintada à sua frente. Algumas lojas na frente, uma porta bonita amadeirada que dava para um estreito corredor. O guardião da porta, um senhor de não menos que 65 anos, adormecido numa cadeira escondido atrás de um pequeno balcão, quase dera seu último salto, do susto que tomou com a entrada rápida de Daiane.
– Dona Jaque! Dona Jaque! – gritou o velho porteiro às suas costas, já próxima ao elevador.
Daiane quase não atendeu, pois por lapso, não atendeu por seu “pseudônimo”.
“Ah, meu Deus...! Jaque! Eu nunca me acostumo” – Pensou ela.
– Pois não, seu Jaison?!
– O Sr. Alves deixou comigo a chave, hoje é quinta! A “casa” está fechada pra um grupo só de clientes, só com a chave pra entrar!
“Fechada?! Hoje vai ser difícil...” – Pensou Daiane, que agora... era Jaque.
Já com a chave na mão, subiu ao terceiro andar, e depois de percorrer o longo corredor até o final, abriu a grade que interrompia o acesso a seus últimos 4 metros, antes de uma grande e bonita porta de madeira de lei, com uma única pequena abertura alta no centro, sem fechadura ou maçaneta. As três pancadas habituais, e e pequena portinhola já se abriu sob um olhar reprovador vindo de dentro.
– Atrasada menina. Entra rápido, a casa ta cheia.
Daiane, ou melhor, Jaque, entrou rápido, passando ligeiro pela sala, pequena mas aconchegante, com luz média e som relativamente baixo, vindo de um pequeno cd player ao comando de um grupo de homens de meia idade sentados pelos 4 sofás que pareciam ser os móveis mais importantes, e na mesa de centro muitas revistas masculinas, latas de cerveja, alguns baralhos já abandonados pelos jogadores, que no momento, dirigiam suas atenções as 4 ou 5 meninas que circulavam entre eles, dançando com pouquíssima roupa. Era apenas um apartamento, a decoração era bastante simples como a maioria das salas que se pode imaginar. Um pouco mais espaçosa, talvez, dando acesso a um corredor com meia dúzia de portas nas laterais, e uma ao final, para onde “Jaque” se dirigiu.
Lá, um pequeno, porém equipado camarim, tornou-se palco de uma incrível transformação, que trouxe “Jaque” totalmente à tona, em uma vibrante e forte maquiagem de tons vermelhos e azuis absolutos. Um forte batom negro cobriu os grossos lábios de Jaque, dando-lhe um tom irreconhecível, se comparado com a servil mulher de uma hora atrás. No lugar do simples vestido de estampa, um fino roupão negro de cetim, que apesar de seu caimento, nada tinha de transparência. Apenas seu caimento parecia revelar as generosas curvas daquela mulher tão meiga de uma hora atrás. “Daiane” desapareceu por completo no momento dos últimos retoques na maquiagem, frente ao enfeitado espelho. Mas o som da porta se abrindo interrompeu sua concentração.
– Vou te descontar esse atraso. Esse serviço de hoje é livre, não é por hora, portanto preciso de todas vocês. Cada minuto que tu perdeu é prejuízo pras outras meninas, te acerta com elas depois, Jaque. – o homem baixo, calvo, de camisa semi-aberta e muito colorida, parecia irritado e pouco disposto ao diálogo.
– Alves, me desculpa, perdi o ônibus, e... – indiferente, ele bateu a porta.
De volta ao espelho, Jaque conclui o de costume:
“Todos iguais. Sempre iguais. Sempre cretinos.”
Um gole de whisky nacional barato, direto na garrafa, e tudo pronto. A saída triunfal pela porta, encarando o corredor de portas cerradas, cujo o som que saia de seus interiores denunciava que o dia seria duro, causavam uma leve sensação de tontura e um breve calor no peito, todas sensações auxiliadas pelo quadrado gole de whisky quente descendo pela garganta. O drops de menta forte foi estrategicamente colocado na boca um pouco antes de chegar à sala, onde alguns dos homens presentes já a encaravam sorridentes, acenando para a coxa, num presumível convite para que ela sentasse em seus colos.
Aquele era um momento difícil. Jaque sempre tinha dificuldade de escolher em qual colo sentava primeiro. Sim, primeiro, pois fatalmente sentaria em vários. Era seguramente uma das meninas mais belas da casa, por conseqüência, uma das mais assediadas. As vezes se odiava por isso. Escolheu o mais velho. Era mais fácil de enrolar, menos apressado, bebia mais, falava mais, durava menos na atividade fim. Poderia matar completamente as primeiras duas horas ali, pois sabia que ele fatalmente iria querer parecer mais viril para os outros homens, por isso a manteria mais tempo no quarto, mesmo que não fizesse praticamente nada. Ela já conhecia bem esse velho vício masculino. Seria aquele o primeiro colo. Sorridente, jogou-se sobre ele, sob o olhar reprovador de Alves, que atrás do balcão, já fazia a contabilidade inicial da noite.
“Essa daí já tem todas as manhas pra trabalhar pouco e ganhar muito... Se não fosse tão gostosa eu já tinha mandado caminhar...” – pensava silencioso, com o olhar felino para o cenário caótico da sala fervente de ânimos e risadas. Sobre os sofás, muitos homens, aparentemente de uma mesma empresa ou escritório, numa comemoração cujo o motivo Alves ignorava. Afinal, pagavam bem. Com um lance alto fechavam o puteiro por dois turnos, entre 15 ou 20 homens, pelo menos uma vez por mês. Mas tinham disponibilidade plena das meninas, que não eram mais que 12, e hoje eram apenas 9 até o momento. Alves sabia que algumas delas não viriam, pois já tinham sido avisadas pelas “informantes” que o dia era dos piores, onde muito trabalhavam, e pouco recebiam a mais por isso. Nem viriam, ou viriam mais tarde, para se poupar o máximo. Quase todas casadas, universitárias, ou dedicadas fundamentalmente a outra atividade. Razões das mais diversas as levavam a estar ali. Mas um elemento era comum a todas: vontade própria.
Poucos minutos de apalpadas e beijos babados do velho, Jaque já fora puxada pela mão em direção a um quarto que desocupara. O velho puxava rápido, e ela entre uma passada e outra de mão, de outros homens sentados nos sofás, o acompanhou, mas foram barrados pela “faxineira”, que foi limpar o quarto antes da entrada do próximo cliente. Mas com um pequeno empurrão, foi afastada pelo velho, que ansioso, dispensou o serviço, estava afoito para usufruir sua bela Camélia. “Ai meu Deus, que nojo, quarto sujo é dose...” – pensou Jaque, já dentro, fechando a porta do recinto. A cama, no centro do quarto, ocupava quase todo o espaço. A luz, para sorte dela, era muito fraca. O cheiro, intenso. Cheiro de sêmen. Sêmen velho, resíduos de muitos dias ejaculações mal desinfetadas, ou limpo às pressas. Cheiro misturado com desinfetante de má qualidade, a base de amoníaco. Mas sabia que seu olfato se acostumaria antes que tudo acabasse.
A propósito, tudo já começara, e ela quase nem notava. Pelo hábito, já estava deitada, seminua, de olhar perdido enquanto o velho puxava, desajeitado, sua pequena calcinha. Tinha pressa.
Na mente, lembranças soltas, divagantes... A decoração de tons marinhos do quarto faziam Daiane lembrar da pequena piscina de plástico que ganhou aos 11 anos de uma tia da capital. Nessa época, no interior do RS, eram poucas as pessoas que tinham uma, pois eram caras, e sempre vinham da capital. Seu pai, sempre ocupado, custou a montar para ela se divertir no quintal de casa, e o dia que o fez, foi uma festa. Convidou todos os amigos da redondeza, não eram muitos, para virem com ela, estrear. No meio da brincadeira, lembra de ter tomado, do nada, um tapa forte na cabeça. E ao olhar de onde veio, outro na cara. O pai, enfurecido, ordenava:
– Vai esconder essas “mamicas”, guria! Bota uma camiseta agora e vai pra dentro!
Foi quando Daiana notou que despontavam seus pequenos seios. Seios que ela ficou olhando, curiosa, no reflexo de uma bandeja de inox que usava como espelho em seu pequeno quarto, onde estava agora de castigo. Sentia o rosto ardido do tapa, mas anestesiado pela curiosidade por seus pequenos mamilos, que tomavam uma forma tão diferente, pontiagudos, e que agora a obrigavam a usar camiseta para brincar na rua. Mas a ardência foi se convertendo, era agora justamente no mamilo esquerdo, e foi aumentando repentinamente, até faze-la despertar e notar... Era Jaque novamente.
O velho estava “se acabando”, já, tão rápido, aos solavancos desritmados entre suas pernas, e cravava-lhe os dentes no seio. Com jeito, ela tentou faze-lo diminuir a pressão, mas era inútil, ele mordia. E estremecia todo, despejando suas últimas energias na camisinha murcha, dentro dela. Daí aliviou.
A enrolação durou menos que ela esperava. Meia hora depois, e nenhuma palavra, ou agrado, ele já puxava as calças que ele nem se dera ao trabalho de tirar, estava arriadas até os joelhos, e se encaminhou pra porta. Saiu e bateu.
Delicadamente, ajustou-se, limpou-se como pode, retirando a camisinha que ele deixou jogada sobre seu ventre, sujando seu lindo e detalhado espartilho. Jogou-a sobre a outra ainda sobre a cama, provavelmente deixada pelo cliente anterior. Quem sabe até mesmo pelo “segundo” antes deles... – “Vai saber, essas faxineiras são muito porcas”...
No banheiro, coletivo para as meninas, três delas se amontoavam para preparar-se para a continuidade da jornada. Jaque pegou a fila para alcançar a pia, com um pedaço de papel higiênico na mão, limpando como podia o seu estimado espartilho. Mas iria manchar, ela tinha certeza. Antes de conseguir chegar à pia, já estava seco, parecia as mangas de um menino ranhento. Iria manchar, era uma pena. Mas os outros não notariam. Pena, seu espartilho era tão lindo... Pena que não conseguissem notar.
Nem bem chegava no centro da sala, um homem alto, cerca de 1,90m, provavelmente com mais de 120 kg, não de força, mas de um homem que provavelmente fora forte até os 45 anos, e que agora, com mais de 50, via suas formas caindo, puxou-a pela mão. Sim, ela voltaria ao quarto antes que esperava. Mesmo num convite para que tomassem algo na sala, ele estava convicto.
– Eu tava só te esperando, tenho que ir embora, mas não sem antes te comer um pouquinho, minha joinha!
– “Joinha?! Que péssimo, não acredito” – Claro, querido, vamos lá! – “Que bosta”
Pra não deixar que melhore, o quarto disponível ainda é o mesmo. Mas ao menos as camisinhas foram recolhidas. Enquanto empurrava a porta, um abraço intenso por trás de seu corpo a surpreendeu, e foi facilmente dominada pelo forte homem, de rosto enorme e nada atraente, dentes desparelhos e cheiro de cigarro. Ela a virou, e sem chance de recuo, beijo-a na boca. Quase num gesto de repulsa, ela barrou-o.
– A gente não beija na boca, querido! Vai que eu me apaixono! – diz ela, numa saída estratégica na tentativa de manter o astral alto.
– Eu já sou apaixonado por ti. Se tu quiser, te tiro desta vida, te faço ser uma mulher de verdade! – e foi avançando sobre seu corpo, vorazmente, beijando seu busto e empurrando seu corpo rumo à cama.
Antes ainda de tombar sobre a cama, Jaque buscava na mente de Daiana um ponto de fuga, uma lembrança que a tirasse daquela sensação de ser subjugada como mulher, e que ao mesmo tempo, quase lhe excitava. Um estranho paradoxo. – “Algodão doce! Isso, algodão doce!”
Ficou lembrando da sensação do algodão doce derretendo em sua boca na primeira vez que viera a Porto Alegre, a convite da mesma tia que lhe dera a piscina. Ela agora tinha 12 anos, e tinha “ficado moça”! Sua menstruação, por sorte, viera pela primeira vez durante uma visita desta querida tia, que insistiu tanto ao ponto de conseguir leva-la à capital para sua primeira consulta com um ginecologista. Dessas apenas pra verificar se tudo corre bem, ter as primeiras orientações. Mas o constrangimento que sentiu por ser examinada de forma tão íntima, ainda que por uma médica, lhe fez passar a hora seguinte muito carrancuda, envergonhada. E uma volta no singelo “Green Park”, dentro do Parque Marinha do Brasil, a fez esquecer completamente o “momento difícil”.
Seu primeiro algodão doce parecia a coisa mais gostosa que já provara, pois só tinha visto um na televisão. Daiane não imaginava que ele se derretia na boca, nem que fosse tão docinho, tão fugaz... Mas Jaque sabia que o que tinha em sua boca agora não estava ao comando de seus movimentos.
O homem era bruto, empurrava sua cabeça com força, chocando a glande contra sua garganta. E tinha um membro muito avantajado, sufocava até sua experiência e artimanha de relaxar a garganta para deixa entrar mais fundo. O controle que tinha para não ter ânsias de vômito durante as estocadas parecia estar à beira de se extinguir... Mas enfim, ele resolveu variar. Foi tentando submergir de volta nas lembranças que ela sentiu seu braço puxar sua cintura, virando-a de bruços, ajoelhando-ª O calor do ventre dele postando-se sobre suas ancas anunciava que seria rápido. Eles nunca resistem muito nessa posição, principalmente por que a beleza de suas ancas largas era grande, a fina penugem aloirada de suas costas, na altura da cintura, as covas que se formavam na parte posterior da cintura... Fazia os homens gozarem mais rápido.
Mas estava escuro. Ele não poderia apreciar tudo, não veria. Era uma pena, tão lindos os detalhes. Mas o que importavam os detalhes naquele lugar. Ele provavelmente já tinha estado com uma ou duas garotas antes dela, na mesma manhã ( se é que ainda era manhã, Jaque já havia perdido o controle das horas). Ela era a saideira, sentia. Sua ereção não era total, estava já perto do fim de sua resistência. Mas não o impediu de tentar o quase impossível. Uma penetração anal naquele estado.
A primeira tentativa veio seguida de um empurrão desajeitado e muito dolorido para Jaque, que esquivou-se instintivamente.
– Calma, princesa! Vou pôr devagarzinho em ti, tu vai gostar! – ela sabia que não ia não.
– Ta bom, querido. Coloca devagar, eu sou delicada...
Um início delicado, mas seu estado de meia ereção o deixava impaciente apressado. Alinhava a glande a entrada do ânus pouco estimulado de Jaque, pressionava um pouco, e estocava forte, na tentativa de que entrasse, por um ato de sorte. Escorregava para fora, dolorosamente.
– Tu ta apertadinha, por isso não entra! – terrível sentença, começou a enfiar os ásperos polegares mal lubrificados em seu delicado ânus, provocando não apenas dor, mas uma sensação horrível e desconfortável em Jaque. Já desatinada, ela foi em seu socorro.
– Deixa eu te ajudar – habilidosa, de quatro, com a mão passando entre as coxas e o ombro direito enterrado no colchão, levou a mão direita até o próprias ânus, massageando um pouco as pregas anais para aliviar a dor. Segurou o pênis ainda mais flácido que no começo da operação, com a mão lubrificada da saliva, e desalinhou da entrada do reto.
– Empurra, querido, devagar! Isso assim, ai, assim, devagar, ta sentindo? To me abrindo pra você! Ui, que gostoso! – Sorridente, de olhos cerrados e na escuridão, o grandalhão foi soltando um gemido, apoiado com as mão sobre o colchão, sem notar que se membro nem ao menos entrara nela. Estava comprimido na palma da mão da habilidosa gueixa, que mantinha-se na mesma posição.
– To, to sentido. Ahh, vou meter tudo!
– Tudo não, assim, senão eu não agüento, é muito grande! – com a mão fechada, mantinha-o fora de seu corpo, crente de estar dentro de seu reto, estocando ridiculamente na pressão da palma da mão de Jaque.
– Ahh, eu vou gozar, encher o teu cu de porra! Ah, rebola cadela! Aaahhh...!
E despencou, sem ao menos derramar três gotas de sêmen na camisinha. Já gozara muito por uma noite. Virou para o lado, e silencioso, sentou-se, vestiu-se, e foi rumo à porta. Jaque se perguntava... Onde estava o cara que se disporia a “transforma-la numa mulher de verdade?”
A fome avisou que a hora de almoçar se aproximava. Mas nos dias de “horário livre” não tinha hora de almoço. Muitos dos executivos que chegavam só tinham o horário do almoço para chegar e dar sua “galada” antes da jornada da tarde. Até as 15hs ela não tinha idéia de quantos ainda enfrentaria. Não mais que 5, estava determinada. Depois só enrolaria. Afinal, quem se importava se fosse “descartada” por Alves. Não precisava daquilo. Nunca precisou. Aliás, nem se lembrava por que razão foi parar ali. Algo lhe fazia sentir bem. Mas naquele instante, não conseguia lembrar o que lhe fazia sentir bem, ou lhe motivava a aturar aquilo tudo. Mas algo, em algum lugar, a fazia sentir-se bem. E ela se precipitou. Antes das 15:30hs, foram 7. Os dois últimos juntos, mas estavam tão bêbados.
16:30hs, e ela descia do lotação, na frente do canhão do Parque Marinha. Foi caminhando entre as árvores, até o Green Park, onde avistou o velho pipoqueiro, que tinha ao lado um sarrafo comprido cheio de pacotes plásticos com algodões doces espetados. Chegou próximo, e pediu o amarelo. Era o que mais gostava. Coçou o bolso, mas o troco que tinha gastou no micro-ônibus. Só as 5 notas de cinqüenta reais que o dia lhe rendeu ocupavam o bolso.
– Tudo bem, moça, pague amanhã, ou outro dia. Você é freguesa fiel, pode ficar devendo! – o sorridente velhinho voltou a remexer suas pipocas.
Mais alguns passos olhando as crianças brincando, um passeio de 30 minutos, e foi até o shopping em frente ao parque. Comprou uma caixa de bombons dos mais caros que achou, um café cortado argentino na cafeteria, um ou dois cds de músicas preferias, até perder-se numa loja de moda íntima, onde viu até o ultimo centavo ser gasto. Retornou à parada do ônibus. Com a sacola na mão, escondendo o nome da loja. Entrou no ônibus já cheio onde por umas quadras, notou que um jovem rapaz, de 16, 17 anos, a observava, atento. Constrangida, olhava de canto de olho, ele sempre a observa-la.
– Quer sentar, moça? – ele oferecia o lugar que acabara de vagar à sua frente, que ia em pé.
– Ah, obrigado!
Daiana sentou-se, admirada da educação do rapaz, tão polido, tão... Antiquado em relação aos meninos de sua idade! Olhou-p, e ele olhava sorrindo, educadamente e discreto. Notou que ele a apreciava, mas em nenhum momento, de forma desrespeitosa. Silenciosamente Daiana o observou, distraído...“Pena que vocês crescem, envelhecem, e viram porcos como todos vocês são...” – pensou, instintivamente.
Antes de 18:30hs, chegava em casa, trocando de roupas, e propositalmente, sem tomar banho. Olhou mais uma vez para o espartilho, agora bem mais manchado do que no início da manhã, e colocou-o numa sacola separada, enrolando no jornal, e jogando no lixo, como fazia com todos eles. “Nunca mais que uma vez” – pensou.
Quando sentou-se no sofá, para assistir a novela das 8, sentiu o corpo dolorido, principalmente a musculatura das virilhas. “Por que faço isso, meu Deus? Por que motivo gosto disso?” Ela não conseguia lembrar a razão de estar duas vezes por semana lá. Sentia o corpo fétido do suor dos últimos bêbados. Tinha nas coxas ainda resíduos de um deles, que nem conseguiu começar a brincadeira e já terminou. E a porta abriu-se, Adriano foi jogando a pasta sobre o sofá e tirando os sapatos na entrada da sala, deixando-os para trás. Afrouxando a camisa, foi para o quarto, depois de um curto “boa noite”. O Beijo veio bem depois, quando o jantar era servido. Sentiu a dor no mamilo que foi mordido, estava machucado. “O que me faz agüentar isso?”.
Logo após o jantar, meia hora de televisão, fora dormir. Na cama, Adriano, apesar de cansado, olhou pra ela.
– Hoje é quinta. Vem cá, deixa eu aproveitar, amanhã posso acordar mais tarde. Daiana foi tirando o pijama com o qual sempre dormia, silenciosa, e virando-se como ele gosta. De lado, de costas para ele. É sempre assim nas quintas-feiras.
– Isso, minha mulherzinha. Sente teu homem, sente. Ah... – os movimentos rápidos e laterais iam sempre deslocando todo o lençol. Daiane tentava segura-los um pouco, mas eles se soltavam, não adiantava. Era difícil arrumar depois que ele acaba. Era pesado, e dormia quase imediatamente... ‘Ah, sim... É por isso...” Em sua mente, lembrou-se o que a agradava nas quintas. Lembrava-se da infância, e não precisava arrumar os lençóis. E ele nem imaginava. Não sentia nela os cheiros de cigarros, sêmen, álcool, camisinhas... “Homens... Não são capazes de ver detalhes. Um espartilho tão lindo. Nenhum deles reparou...”
Outra Face de Minha Mulher
(ficção)
Me chamo Rogério, e casei cedo com Cris. Ela tinha apenas 17 anos, e eu 25 anos. Lembro como se fosse ontem de nosso namoro, o amor que sempre sentimos um pelo outro. Mas no fundo dos olhos dela sempre vi segredos, algo de misterioso que não pude entender na época, e como ela sempre foi um pouco calada, silenciosa, acabamos nunca conversando sobre isso. Uma mulher muito bonita, de aparência simples e delicada, tão branquinha, pequenina... Tem longos cabelos cacheados negros, que sempre adorei ver espalhados sobre o lençol branco de cetin que ganhamos de minha sogra no nosso enxoval. Hoje Cris tem 25 anos, e eu, já com meus 33, fui aprender que a vida não é como a gente pensa, ou como muita gente gostaria.
No início de 2005 fiquei desempregado por mais de seis meses, e acabamos enfrentando algumas dificuldades financeiras, o que atrapalhou muitos planos nossos. Tivemos que repensar o filho que planejávamos ter até o final de 2005, pois já estávamos endividados pelos dois anos seguintes. E fatalmente, Cris teve que começar a trabalhar. Revirando os classificados, achamos um escritório contábil, ela tinha noções de secretariado, e acabou indo fazer uma experiência. Eu, de meu lado, fui me virando, fazendo “bicos” como garçom, coisa que eu particularmente odiava. Mas a necessidade nos ensina a suportar. Passaram-se aproximadamente dois meses
Certo dia, cheguei em casa antes do previsto, sabia que ela sairia para trabalhar em menos de meia hora. Quando entrei em casa, ela estava no banheiro, e não ouviu a chave na porta. Logo pensei em fazer uma brincadeirinha, e dar-lhe um susto. Foi quando vi tocar o telefone, e atendi rápido para que ela não escutasse, e fiquei em silêncio, apenas para ouvir quem falava, se não fosse nada sério, desligaria sem atender, e daria seqüência na brincadeira. Porém, diante meu silêncio, ouvi uma grossa voz masculina:
- Oi, sou eu – Fez-se uma pequena pausa, e eu não reconhecia aquela voz - Alô... Alô... Não pode falar? Ela está por perto? Todo bem, só vou avisar então. Vem com a aquela vermelha. Vou me atrasar uns 20 minutos. Até. – E desligou.
Fiquei alguns instantes pasmo. Não conseguia nem mesmo pensar, pois não fazia o menor sentido. O desatino era tamanho, que nem ao menos tirei o telefone da orelha, ficando aquele zumbido de sinal de linha até cair o sinal de ocupado. E eu, que momentos antes planejava dar um susto em Cris, fui surpreendido por ela, que saia do banheiro enrolada numa toalha, bastante admirada ao me ver alí parado com o telefone na mão.
- Chegou cedo, querido! Quem era no telefone? – Sua voz tremeu, pude sentir que ela aguardava aquela ligação. Fervi por dentro, mas disfarcei.
- Engano, amor. Fui liberado mais cedo hoje. Vais trabalhar normalmente? – Perguntei desajeitado, por não saber o que dizer.
- Claro que sim, por que não trabalharia?
- Só pra saber. – e dei um sorriso, tentando parecer normal, e notando que ela estava levemente nervosa.
Nem bem ela foi ao quarto vestir-se, fui rapidamente em sua bolsa, mas não achei nada diferente, exceto um estojo de maquiagens, coisa que ela nunca foi e usar. Mas me mantive calmo, procurei não pensar nisso. Esperei ela se vestir, fui natural, e fiquei na cozinha preparando algo para comer, como se nada diferente me ocorresse. Ela me deu um beijo, e foi para a parada do ônibus, que ficava umas duas quadras de nossa casa.
Pela primeira vez nesses 8 anos, desconfiei de Cris. Deixei o lanche sobre a mesa, assim que ela saiu, e muito discretamente, fui atrás dela. A vi embarcar no ônibus, e corri até o ponto de taxi na pracinha na frente da parada. Pedi o motorista que acompanhasse o ônibus de longe. Estava disposto a gastar bastante para descobrir o que estava acontecendo.
Ela de fato desembarcou no escritório, que era dividido entre dois advogados e dois contadores. Ela entrou rápido, e eu aguardei uns 10 minutos, para depois entrar também. As salas eram separadas, e a dela era a mais do fundo. Disfarçadamente, fingi que queria falar com o advogado da sala mais da frente. Entrei na sala, que era toda de divisórias de vidro fosco, não era possível identificar fisionomias nem dentro, nem fora. Mas foi possível observar que ela não saiu mais da sala desde o momento em que entrou. Consegui enrolar o advogado por mais de meia hora, até que ele começou a notar que eu realmente não tinha nada sério para tratar. E acabou me dispensando, alegando que tinha casos importantes para estudar.
Saí de sua sala, mas fiquei ali pela recepção por mais um tempo, até ver a porta por onde Cris entrou abrir, e me ocultei discretamente. Vi que ela saiu e entrou no banheiro, que era coletivo, do lado de fora. Logo depois dela, saiu o contador pra quem ela trabalhava. Era um homem de uns 45 anos, levemente grisalho, trajava um terno quando entrei, mas agora, estava somente de camisa e calça jeans. Não era a mesma calça de quando cheguei. Ficou claro. Ele passou por mim na recepção, perguntou se eu já tinha sido atendido. Era a mesma voz do telefone horas antes.
- Sim, já fui atendido, estou aguardando o Doutor aí - apontando para a porta de onde eu saí.
- Está bem, se precisar de um bom contador, não esqueça de me procurar. – E me passou um cartão de visita. Meu sangue fervia.
Eu chegava a sentir náuseas. Mas rapidamente fui até o escritório dele, aproveitando que ele tinha saído para a rua, e que Cris estava ainda no banheiro. Dei uma olhada rápida por cima da mesa, podia sentir um cheiro forte no ar. Algo tinha acontecido alí. Olhei para a lixeira, e entre papéis amassados, uma camisinha usada, marrada com um nó. Quase caí e joelhos no chão, uma dor aguda e profunda, e destruição total da mínima esperança que eu tinha de estar enganado. O destino era cruel comigo me permitindo ver aquilo acontecer. Desatinado, agachei-me, e juntei a camisinha do lixo, sem pensar, e coloquei no bolso do casaco. Saí ligeiro, pra não ser visto, praticamente correndo, e fui pra casa.
A sensação era desoladora, comecei a imaginar o que eu faria, se daria uma surra nela quando chegasse... Mas nem mesmo sabia fazer isso. Pensei em manda-la embora, ou em ir embora. Mas nada parecia próprio naquele momento. Enfiei a mão no bolso sem lembrar o que tinha nele, e ao sentir os dedos em contato com o látex da camisinha, foi impossível conter as lágrimas. Chorei de forma compulsiva. Não podia imaginar minha linda menina me traindo, transando na sala ao meu lado com um desconhecido. Tirei a camisinha do bolso, já desprovido de nojo. A sensação de derrota era tão terrível, que seria capaz de comer bosta sem sentir o gosto.
Ergui a camisinha na frente do rosto, estava cheia de esperma. Muito cheia. Ocorreu-me de forma bizarra o tamanho do prazer que ele sentia. Notei que era uma camisinha maior que o normal, muito grande. Olhava o esperma escorrendo de um lado ara outro ali dentro, remoendo minha dor de homem traído. Mas algo de estranho foi acontecendo.
Eu já estava havia 3 horas deitado naquele sofá, pensativo. E lentamente aquela dor toda foi se esvaindo, até se tronar um leve cansaço. Desânimo, indiferença. Mas não mais tristeza. Era estranho. A camisinha ainda era usada quase como um terço, onde eu esfregava o polegar contra o indicador. De repente, com olhar perdido no horizonte, senti o líquido já frio escorrer por entre os dedos, mel nado minha mão e minha perna. A camisinha arrebentara de tanto ser manipulada. Aproximei a mão dos olhos, e senti o forte cheiro de sêmen, e a dor invadiu-me o peito de forma devastadora. As lágrimas explodiram, e tive convulsões de tanto chorar.
- “Como ela pôde, como foi capaz...!” – com as duas mãos no rosto, como se fosse possível esconder de mim mesmo minha vergonha, mal pude perceber que misturava a gala de outro macho com minhas lágrimas. Num reflexo incompreensível, comecei a morder os dedos melados, provocando dor, sentindo por entre os dente, o gosto daquela gala que destruía minha dignidade.
Já eram quase 8 da noite quando ela chegou, com um olhar indiferente, me cumprimentando de forma rotineira. Eu já estava refeito, apesar dos olhos muito inchados.
- Amor, você chorou de novo...! Eu sei, querido, eu sei. Estar desempregado não é fácil, mas a gente vai superar essa, a gente vai conseguir – dizia ela, abraçando-me carinhosa. – A gente já passou por coisas terríveis, mas não é isso que vai nos desanimar. Estou trabalhando, pelo menos, o mínimo não vai nos faltar, eu te prometo.
A sensação que me invadiu foi a de humilhação e alívio... Toda a minha raiva reverteu-se em amor explosivo e forte, agarrei Cris pelo maxilar, e beijei-a como havia anos que não beijava. Senti raiva novamente, durante o beijo, mas fui forte, não deixei transparecer. Momentos depois, eu ignorava o que ocorrera, de forma estranha, nem eu mesmo explicaria. Procurava em mim a culpa pelo que aconteceu, ou mesmo, procurava alguma chance de aquilo ter sido um engano meu.
Depois da janta, fomos pra cama, ela se disse muito cansada, justificou-se dizendo que tinha colocado em dia o arquivo inteiro do Chefe. Mas fui persistente na clima de sedução, queria procurar detalhes. Ela, aos poucos, foi cedendo, mas tentou de todas as formas evitar que eu lhe fizesse oral. Disse que teria usado uma “pomada”, que poderia estar com um “gosto estranho”. Senti ali que minhas chances eram quase nulas de estar enganado.
Ela estava deitada de costas, ensaiávamos um papai-e-mamãe. Não aceitei sua recomendação, e fui descendo por seu ventre. Vi que neste momento, ela virou o rosto para o lado, tentando puxar minha cabeça de volta. Segurei suas mão e fui descendo. Ceguei na sua vagina e,mesmo após um demorado banho, pude sentir o suave cheiro do preservativo que ela... de fato usara. Era estranho... Eu estava ali, chupando a vulva de minha esposa algumas horas depois de ela ter sido comida por outro cara, isso me dava voltas no estômago. Mas eu não parei. Senti, com os olhos apertados, lágrimas escapando. Mas não deixei que percebesse, iria ser um segredo, por hora. Senti na língua o gosto característico de pequenos machucados, esfoladinhos provavelmente ocorridos na penetração, e por causa da camisinha, que sempre “trava” um pouco. Meu coração parecia trêmulo, uma sensação amarga na boca do estômago. Senti que as paredes da vagina dela estavam largas. Subi até seu rosto, e olhei em seus olhos. Vi ela tomada de um medo terrível, disfarçado num sorriso tímido.
- Querido, disse que estou com pomada, não disse?
- Sim, Cris. Eu sei. – não fui capaz de dizer outra coisa, seu sorriso me seduzia
- Vem pra mim, vem meu amor – disse ela, um pouco nervosa, abraçando-me e escondendo o rosto na minha face.
O angulo fez naturalmente a penetração acontecer, mesmo ela não estando lubrificada. Não estava excitada, eu podia sentir. Pois estava nervosa, tentando disfarçar o indisfarçável. Meu pênis entrou fácil, e provocou a lubrificação rapidamente. Sentia que ela estava muito larga, praticamente arrombada. Eu quase não podia sentis as paredes de sua gruta me acolherem, fiquei imaginando o tamanho do membro que poderia deixar uma mulher assim... Ou então, a forma como poderia... Não sei explicar as razões, mas senti-me excitado com aquilo tudo, apesar de humilhado. Comecei a estocar sem controle, abandonando meu jeito carinhoso que sempre foi próprio de mim. Desordenadamente, minha pélvis chocava-se com a dela, e em menos de 10 minutos, eu já estava esvaindo em orgasmo, sem ao menos importar-me com ela... Quando me ocorreu, senti culpa, mas logo tomou-me a lembrança de que provavelmente ela já tinha tido alguns naquela tarde. Senti-me um lixo.
Adormeci rapidamente, não queria ver o rosto decepcionado dela. Preferi esquecer aquele dia, tentando acordar de manhã com outras coisas na mente. Mas, adivinhe, a primeira lembrança que tive, foi a cena da camisinha cheia de porra daquele cara. E dele me dando seu cartão. Que cretino, minha menina, tão meiga e delicada... Era sua... Sua puta, no escritório. Manhã difícil.
Quando fui ao banheiro, com a costumeira ereção matinal, tive vontade de fazer algo que havia muito que não fazia... Me masturbei. E inevitavelmente, me vinha à mente a construção da cena de Cris sendo comida por aquele cara no escritório. Me alucinei de pensamentos inaceitavelmente obscenos, aumentei o ritmo da masturbação até que... Vi meu sêmen jorrar na parede, e escorrer pelos azulejos brancos estampados. Algo estava me transformando... E isso não acaba aqui.
Depois do episódio do banheiro, senti uma vergonha enorme ao me olhar no espelho. Parecia não fazer sentido tudo o que estava acontecendo, muito menos as coisas que eu sentia. Resolvi dar um tempo, deixar as coisas como estavam, não me sentia pronto para tomar uma decisão. Decidi não contar a ela que sabia, e esperar um momento certo pra chutar o balde de uma só vez.
Na mesa do café, fiquei olhando ela ainda de pijama, silenciosa como normalmente é. Tentava imaginar se na cabeça dela ocorriam lembranças do que aconteceu na tarde do dia anterior. Parecia tão séria, tão calada. Como se não pensasse em nada senão naquela xícara de café que fumegava em sua mão.
Sua pele tão alva, tão delicada. Aqueles cabelos tão cacheados. Seus seios pequenos, bicudos, ainda lembravam os de uma menina na puberdade. Tinha cara de criança, parecia mais jovial do que quando casamos. Seu mamilos espetavam o pijama semitransparente, e seu olhar distraído não nem me notava à sua frente, já me excitando como que via. Me ocorreu então que havia muito tempo que eu não me sentia excitado apenas em observa-la. Aquela situação toda, apesar de tão constrangedora, tinha um lado místico. Minha mulher dando pra outro cara, eu fingindo que não sei, e de uma hora para outra, começo a sentir mais tesão por ela. Era muito estranho.
As horas passaram rápido, ela preparou o almoço, despediu-se e foi trabalhar. Naquele dia, comecei a planejar como faria para saber a quanto tempo aquilo vinha acontecendo. Não tive trabalho neste dia, não estava fácil arrumar uma vaga de garçom não profissional. Acabei tendo o dia para planejar. Saí no horário habitual, à procura de empregos. Cheguei a ser entrevistado numa empresa, achei que poderia se abrir uma porta, e encerrei o dia cedo.
Nem 3 da tarde, fui voltando pra casa para fugir daquela tarde terrivelmente quente. Desembarquei do coletivo e fui rumo à nossa casa, e qual não foi minha surpresa quando me deparei com um carro estacionado na frente de casa. Nossa vizinhança toda sai durante dia, e retornam somente à noite. Logo concluí que para Cris não seria difícil frequentar nossa casa com o amante sem jamais ser denunciada. Mas não contava nem um pouco com meu retorno mais cedo. Saquei de cara.
Entrei discretamente no quintal, contornando a casa silenciosamente. Resolvi entrar pela área, pois não seria ouvido por ela... Ou melhor... Por eles. Quando me aproximei da porta, escutei as vozes, estavam próximos demais da área, tive que me esconder. Uma pequena janela que ventilava a cozinha me serviu de observatório. Pelo canto da cortina vi o inimaginável, que tentarei descrever:
Seu cabelos cacheados, soltos e esvoaçantes, cerca de 15 centímetro de distância de onde eu estava. Estava debruçada por cima da pia com a cabeça baixa. O espaço da cortina não me permitia ver muito, tive que ir me posicionando para ver a cena por completo. Um som estranho, ritmado, parecendo um desentupidor de pias numa pia cheia de água. Pela resta da cortina, só enxerguei o cabelo, parte das costas de Cristina, e um braço de homem, ora agarrando seus cabelos, ora segurando-a pelas costas. Ele agarrava com muita força as costas dela, pois ficavam as marcas avermelhadas que iam esbranquiçando, de seus dedos afundados na carne dela.
O som era perturbador, fiquei totalmente zonzo. Os solavancos dele contra o corpo dela sacudiam toda a pia, fazendo com que as panelas dentro do armário ficassem se batendo.
- Vai sua puta, vai! “Güenta” essa vara, vai! “Güenta”! Tá doendo? Tá? É pra doer mesmo, vou te arrombar todinha, minha putinha!
Me anojei completamente com a cena, minha vontade era entrar lá e acabar com aquele cara, e cheguei a me preparar para entrar, totalmente trêmulo. Estava disposto a matar aquele cara... Mas foi quando ouvi a voz dela em resposta ao que ele disse, e voltei a espiar:
- Tá, tá... Isso, mete tudo então, mete, vai, forte, mais forte.. Aahh, mais forte, seu cavalo, mais forte!
E um estalo forte fez com que por reflexo eu cerrasse os olhos num instante. O tapa que ele desferiu na sua delicada bundinha branca era quase desumano. Arregalei os olhos de tão desesperado com a situação, fiquei atônito... Outros dois estalos se seguiram, e um forte grito ela, bem conhecido por mim, me anunciaram que minha interrupção não seria bem-vinda... Ela gozou, e os tapas foram a causa de seu clímax. Meu corpo amoleceu, achei que e fosse cair no chão, incrédulo. Um silêncio de quase um minuto se fez. E ela rompeu com sua voz doce, atirada por sobre a pia. Ele, eu não o enxergava. Não era possível, e eu tinha medo e afastar a cortina e ser visto.
- Seu puto, me deixou toda marcada, já te disse pra não fazer isso!
- Eu sei que tu gosta princesa, não te faz de santa. – disse ele, sarcástico.
- Claro que gosto, mas não me deixa marcada, tá? Olha aí – dizia ela, ainda debruçada, apenas olhando para trás.
Neste memento, consegui achar uma posição que me permitiu vê-lo, de camisa aberta e calças arriadas. Ele segurou a base do pau, provavelmente pra segurar a camisinha, e foi puxando. Ela deu um gemido baixou, e tão logo ele terminou de tirar, virou-se rápido, se ajoelhando aos seus pés. Por um instante, deu-me uma visão estarrecedora... o membro do cara era enorme, devia ter uns 20 cm. Mas isso era o de menos, sua grossura era anormal, parecia uma garrafa, não imagino que cara de admiração eu fiz. Cris, aos seus pés, foi tirando cuidadosamente a camisinha dele, que estava muito apertada e esticada.
A camisinha rasgou-se na tentativa, e pude ver os esperma dele espirrar no corpo e rosto dela. Ela simplesmente começou a chupa-lo, abocanhando com alguma dificuldade aquela imensa vara.
Toda a minha sensação de tensão parecia ir sendo anestesiada, como se eu estivesse finalmente me conformando com aquilo. Mas foi e súbito que me peguei alisando meu próprio pau, que estava duríssimo. Mas me condenava por isso, não devia me excitar, pois me envergonhava. Num instante, baixei os olhos, observando o estado de ereção em que eu estava, e era inacreditável. Mas, para meu desespero, tornei a olhar pela cortina, e dei de cara com ele, que abriu a janela. De sobressalto, caí de costas com o susto.
Nem bem caí, pus-me a correr, quase de quatro, tentando me levantar. Não queria ser visto por Cris, então corri o mais que pude, passando o portão e descendo a rua. Vi que dentro do quintal ele ainda tentou me ver, mas não pode, corri muito. Provavelmente não me identificou.
Numa sensação mista de desespero, tristeza e excitação, sentei-me por uns instantes numa praça no fim da rua. Não sei precisar, mas devo ter ficado por lá quase duas horas. Decidi ir para casa, determinado a pegar minhas coisas e ir embora. Me sentia totalmente humilhado e frustrado. Ao chagar perto de casa, não vi mais o seu carro, apenas o portão aberto. Quando adentrei a cozinha, encontrei Cris, tomando tranqüilamente uma xícara de café. Olhei para o chão, e ali pude ver a umidade do pano que ela acabara de passar para limpar a porra do cara, que tinha escorrido enquanto o chupava, com ódio olhei para ela determinado a acabar com a farsa. Mas ela abriu um largo sorriso, num caloroso cumprimento.
- Oi meu amor! Como foi teu dia? Quer um café?
- Não, obrigado, Cris. Temos que conversar...
- Sim, temos mesmo, aconteceu uma coisa agora a tarde. E estava aqui na cozinha, me chefe veio até aqui comigo para te esperar chegar, tem uma proposta e trabalho para você! Mas olha só, estávamos aqui na cozinha, preparando um café – fiquei imaginando se ela me contaria exatamente o que aconteceu – mas de repente, pegamos um moleque dentro do nosso quintal, espionando pela janela. Ele saiu correndo quando o vimos, mas tomamos um susto! Não sei se não roubou alguma coisa do pátio, depois você dá uma olhada.
- Ah, sei... – murmurei baixinho, vendo minha raiva crescer cada vez mais. Ia desferir o ataque, mas de repente, reparei no que ela falou... - Mas... Como assim? Trabalho?
- È, uma proposta de trabalho pra você! Ele ia te esperar chegar, mas pintou uma emergência, ligaram, e ele teve que sair antes. Mas amanhã, vamos comigo até o escritório, e ele te apresenta uma proposta de trabalho lá.
Uma idéia abominável me ocorreu, e eu tive vontade de gritar. Estaria Cris fazendo isso apenas pra me conseguir um trabalho? Será que ela se submetia a coisas tão baixas por causa de nossa dificuldade financeira? Antes de tomar qualquer medida, resolvi dar um pouco mais de tempo. Dois dias se passavam desde que descobri a jogada toda, mas preferi manter-me gélido por mais alguns.
Concordei com ela, mas não consegui mostrar qualquer sinal de satisfação. Ela pareceu não importar-se tanto com minha indiferença. Parecia mais preocupada com o “moleque da janela”. Então, sentei-me à mesa, e tomei um café para ver se relaxava um pouco, quando ela então, notou meu rosto bastante inchado das lágrimas que eu derramei sentado no banco daquela praça, minutos depois de vê-la sendo “currada” pelo meu “futuro empregador”. Ela sentou-se ao meu lado, perguntando se eu estava bem, se eu queria que me fizesse alguma coisa.
- Não, Cris. Você já fez até demais- sim, eu consegui até mesmo ser irônico diante da minha própria desgraça como homem.
Mais tarde, já perto da hora de dormirmos, fui à cozinha tomar água, e vi no chão as marcas do pano que ela usara para limpar todo o esperma que vi, com meus próprios olhos, serem derramados sob seu rosto e corpo. Tomei aquela água como quem engole um balde de pedras. Me avivaram na mente as cenas de suas expressões de prazer. E fica imaginando, será que ela realmente sentia prazer naquilo? Ou realmente estaria fazendo somente para procurar, ao seu modo, um trabalho para mim. Me ocorreu que seu grande desejo de ser mãe estivesse movendo aquele instinto de criar um modo de termos mais dinheiro. Isso me deprimia, pois me fazia sentir fracassado como homem. Por outro lado, comecei a lembrar das suas palavras: “Isso, mete tudo então, mete, vai, forte, mais forte.. Aahh, mais forte, seu cavalo, mais forte!” – Aquilo só podia ser prazer, impossível que não fosse. Sua expressão, o jeito que mordia os lábios... Aquele negócio enorme enfiado nela... Quando dei por mim, flagrei-me alisando meu pênis dentro da cueca, a única roupa que eu trajava para dormir. Parado na cozinha, com o copo vazio na mão. Estava com o pau completamente duro, e não me perdoava por estar sentindo tesão com coisas bizarras como aquelas.
Virei-me, no intuito de jogar uma água fria na cara e ir para a cama... Mas com o susto que tomei ao deparar-me com Cris, a meio metro de mim, cheguei a trancar o soluço.
- Querido, demorou tanto, vim ver se tu estás bem!
- Sim... quer dizer, tô, eu só tava com sede – um nervosismo me tomou, comecei a gaguejar...
Seus olhos foram percorrendo meu corpo, com um olhar muito sem-vergonha, e não consegui esconder minha ereção.
- Hum, o que temos aqui?! – disse ela, com um sorriso safado, já levando a mão em meu pau.
- Olha, eu nem sei por que estou assim, eu...
Não cheguei a terminar, ela me calou com um beijo, e começou a alisar meu corpo todo. Encostou-me na mesa, ajoelhando-se aos meus pés. Não foi possível deixar de lembrar da cena dela na mesma posição com aquele cara... que aliás, eu nem bem sabia o nome dele. Eu não sabia nem se nome, mas já sabia até tamanho de seu pau dentro de minha mulher... Que horror, e pensava isso enquanto Cris enfiava meu pau em sua garganta, mais fundo do que nunca fez. “estava praticando”- Pensava eu, sem conseguir evitar. Mas, ao invés de brochar, coo pensei que aconteceria, senti-me ainda mais excitado.
Puxei Cris por seus cabelos cacheados, e beijei sua boca, agora com o gosto de meu tesão, e acabei deitado no chão duro da cozinha, com ela sobre mim, fazendo um 69. A cena estava muito interessante. Eu estava com o tórax entre suas pernas, ela montada sob meu peito, chupando meu pau de forma voraz, como jamais fizera antes. Era gostoso, por momentos, esqueci todo meu dilema e minha dor. Cris parecia uma mulher estranhamente melhor e mais carinhosa. Sobre me rosto, sua vulva, que eu arregaçava com as mãos, enfiando dentro dela minha língua inteira, estava aberta, arrombada, e novamente, toda machucada. Tinha um aroma suave de morango artificial, imaginei que fosse da camisinha. Enfiei nela meus dedos, das duas mãos, indicadores e médios, forçando suavemente a abertura sob meu rosto. Ela gemia forte, e eu senti quase raiva, imaginando se sentia mesmo tanto prazer com aquilo, ou se preferia o pau enorme daquele cara entrando nela. Abocanhei sua vulva, deixando seu clitóris sob minha língua, massageando. Ela gozou rápido. Dei alguns intentes, e virei o rosto, para respirar melhor e tomar um pouco de fôlego. Vi seu joelho exatamente sob o local onde passou o pano no chão.
Minha mente estava confusa. Eu não sabia que rumo tomar a partir daquele momento. Mas sabia que era melhor dar tempo ao tempo, pois comecei a notar que muita coisa não era exatamente como as pessoas contam. A vida tem surpresas terríveis, e a pior que tive, até então, não tinha sido a traição de Cris, nem mesmo os motivos que a levaram a me trair...Mas sim a minha forma de conceber, e até... de me excitar com tudo aquilo...
As 13:30 estávamos chegando ao escritório do excelentíssimo contador, e procurei ser o mais natural possível quando ele sorriu para mim, sentado naquela confortável cadeira atrás da mesa simples, com uma antiga máquina de escrever e uns papéis desorganizados sobre ela. Ao meu lado, Cris, com um sorriso radiante, parecendo uma menina. Agora, já devidamente apresentado, os Sr. “João Paulo” foi receptivo, e apertou-me a mão com força.
- Bem-vindo, Rogério. A tua esposa chegou a referir-se muito a ti, disse que és um bom motorista. E preciso de um bom por aqui. Na verdade, de alguém também com habilidades administrativas, para auxiliar no escritório todo, que na verdade é uma sociedade de profissionais do Direito e da Contabilidade. À propósito, você não me é estranho, não esteve aqui outro dia?
Gelei com a pergunta, pois não saberia como justificar para Cris minha “visita” ao local.
- Não, tenho uma aparência comum, muita gente me acha parecido com alguém – e um sorriso amarelo seguiu a piada infame...
Ele olhou para os papeis e documentos que Cris me fez levar, e fez uma demorada pausa, lendo-os atentamente. Meus olhos buscavam no ambiente os locais mais provável onde costumava comer minha mulher. Vi uma poltrona ao lado de umas caixas granes de papelão, ainda embaladas em plástico, a uns 2 metros da cadeira onde eu estava sentado. Imaginei que ali era um provável lugar de deleite dele com minha linda esposinha, e decidi que daria um jeito de ver isso acontecer, mesmo sem saber o que faria.
Olhe para o rosto redondo de Cris, que olhava atenta e sorridente para os gestos dele ao averiguar meus documentos e referências, até que ela mesma me interrompeu:
- Responda, querido!
De tão perdido em meus pensamentos, nem notei que ele me chamava, perguntava detalhes sobre meus documentos. Respondi, e em seguida, mergulhei novamente nos meus devaneios. Refletia sobre aquilo tudo, e até que ponto eu suportaria tal humilhação.
Duas horas uma hora e meia depois, eu assinava um contrato de experiência de trabalho, como motorista particular da “Sociedade”. Minha função era buscar e levar os clientes importantes do escritório, e os próprios sócios quando precisassem, o que diga-se de passagem, não era um trabalho ruim. Pagariam bem, mais do eu ganhava antes, e dava-me horários maleáveis. Seria um emprego ótimo naquela situação financeira em que me encontrava, não fosse minha certeza de estar dando minha mulher em troca da oportunidade. Mas incrivelmente, já não me sentia tão perturbado.
Quase uma semana se passou, e nada mais parecia ter acontecido entre Paulo e Cris. E nada mais aconteceu entre Cris e eu também. Conforme o tempo passava, comecei a sentir mais ciúmes, as lembranças das cenas que vi pareciam me atormentar mais e mais. Porém, certo dia, consegui enganar Cris e Paulo, pois saí para levar um dos Advogados para uma cidade vizinha, mas antes de sairmos da cidade, a reunião para onde íamos foi cancelada.
O distinto sócio decidiu que não trabalharia mais aquele dia, e ficou em casa, próximo do local onde recebemos a ligação cancelando. Pois bem, fiquei com o resto da tarde livre, e com o carro disponível para mim. Deixei o carro num estacionamento próximo do escritório, e fui pra lá discretamente, à pé. Sabia que era a situação perfeita para os dois. Era uma sexta-feira, início de tarde. Normalmente só João Paulo trabalhava neste dia e horário. Os outros apenas até sexta pela manhã. Quando entrei no pequeno prédio, fui direto para a sala de limpeza, onde tinha convicção de que não seria notado. Meus dias trabalhando lá, entre uma saída e outra, acabei descobrindo um modos de abrir uma passagem entre as divisórias da sala de Paulo, e tinha acesso por trás da estante de livros. Ali tinha um vão, por onde era possível espiar tudo o que acontecia lá dentro.
Eu passei mais de dois dias estudando um modo de espiar por ali sem ser visto. Lembrando-me do modo em que os observei em minha casa, coloquei no vão uma pequena cortina semi transparente. Por trás da prateleira era impossível que me vissem. Já na sala, afastei silenciosamente um tonel plástico que deixei obstruindo para não ser percebido pela faxineira, e posicionei-me. Nada vi, mas escutava vozes baixas, sabia que ele estava ali, apesar de não poder enxergar. O ângulo dava para o sofá que antes descrevi, e para a mesa, poucas partes da sala ficavam escondidas de minha vista. Fiquei encafifado, procurando descobrir onde estavam. Quase dei um salto com a surpresa da porta da sala de faxina abrindo-se. Estava muito escuro ali, eu deixei a luz apagada pra não ser visto, e arrepiou-me quando imaginei o momento em que acendessem a luz. Não sabia quem era, mas provavelmente era Cris. Ouvi o som do interruptor ser acionado, e cerrei os olhos, descrente de minha desgraça.
Qual não foi minha surpresa ao ver que a luz não acendeu! O som se repetiu, duas, três vezes.
- Merda, tá queimada a lâmpada – escutei e bom tom, na voz de Paulo – Entra mesmo assim, acho que aqui tá bom.
Outra voz respondeu à dele, e era a de Cris. Por isso não os via, estavam fora da sala, logo em frente. E agora, entravam ali, a menos de três metros de mim. Ele a puxava pela mão, eu podia vê-los bem, tinha uma luz forte no corredor. Fiquei agachado atrás de um grande galão de plástico azul, e fui deixando-me escorregar com as costas encostadas à parede, o mais silencioso possível. Não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo...
- Ai Paulo, ta muito escuro aqui, e tem cheiro de mofo! Tem certeza que quer fazer aqui?
- Fica quieta, piranha. Sei que tu gostas dum canto escuro, vem cá!
Só pude ver o rosto anojeado dela, desaparecendo conforme ele empurrava aporta para fecha-la. Quando a porta cerrou-se, apenas respirações fortes se podia ouvir. Ele balbuciava coisas ininteligíveis, e ela a todo o momento reclamava do lugar. Uma profunda pena se instalou em mim. Minha certeza de que ela fazia aquilo por seus instinto maternal, se submetia à aquilo para permitir-se ter um filho, e dar-me um emprego... Parecia loucura, mas habitava minhas certezas. E a maior de todas as loucuras, apesar de humilhado e fracassado, eu sentia... Tesão, meu pênis endurecia mesmo com minha tristeza mais profunda.
- Ta, ta, tira isso – ele era grosseiro com ela o tempo todo – Anda, tira. Chupa aqui, anda. Chupa.
Era uma sensação insuportável, aquele cara nojento tratando ela daquele jeito, a poucos metros de mim, e eu sentindo-me um fracassado, paralisado, e pior... Com a mão enfiada dentro das calças, como um guri de 11 anos espiando a babá no chuveiro. Me sentia revoltado, nauseado... e excitado.
-Chupa, mulher. Chupa que eu sei que tu gostas – ouvia-se a voz, embargada e rouca dele, entre os sons dela sufocando – chupa, puta. Até o saco, chupa.
Eu não os podia ver, mas escutava ela sufocada. Ele provavelmente estava sentado no chão, encostado à parede, como eu, só que do outro lado do cubículo sujo e cheio de trastes. Pelo que imagino, empurrava a cabeça dela pra afundar o mastro enorme que tinha em sua garganta. Me remoia de pena dela, imaginando o quanto aquilo devia ferir seu corpo e seu orgulho doce, que eu conhecia bem, por todo o tempo que nos unia.Mas de repente...
- Ah, seu filho da puta! – A voz dela, que parecia ter se libertado dos empurrões dele contra a vara que a enterrava na garganta – Cretino, cavalo!
Sons de tapas, e os vultos na escuridão, que aos poucos se dissipava, e me dava mais visão do que acontecia. Ela dava tapas na cara dele, e virou-se de costas pra ele, ficando quase de quatro.
- Vai, seu cavalo. Mete na tua puta, mete. E dá na bunda da tua égua, dá. Mas dá forte, com força, seu filho da puta. De molenga já estou farta. Bate!
E os sons da mão dele explodindo nas nádegas dela só não cobriam seus gemidos. O mundo parecia ter passado correndo ao meu redor. Não acreditei no que ouvi. Ela, a mulher que sempre amei e dediquei todo o meu carinho... Traía-me, e não apenas fisicamente. Agora, era moralmente. Espiritualmente. Meu ódio virou terror em um único segundo. E meu pênis duro em minhas mão, pareceu morrer de desgosto, brochando junto com meu coração. Tive que levar minha mão ao rosto, segurar meu nariz, tapar minha boca. Não queria ser ouvido chorando.
Os minutos que se seguiram pareciam horas. A desilusão borbulhava dentro de mim, ao som dos solavancos do corpo daquele cara, que não me soava muito mais cretino do que Cris, contra o corpo dela. Não me encorajei a olhar, mas sabia que agora estavam em papai e mamãe. O som era descontrolado, eu escutava os impacto desritmado do corpo dele contra o dela, o som de molhado. Ela dizia todos os tipos de blasfêmias possíveis, e ele não fazia por menos.
- Sua puta, vagabunda. Adoro comer teu rabo e te mandar pra casa toda doída praquele corno tratar.
- Isso, come meu rabo, come, vai. Goza dentro do meu cu...
Fiquei perplexo. Durante 8 anos juntos, tentamos anal umas três vezes, ela sempre desistia, pois dizia sentir muita dor. Aquela não parecia ser ela. E de fato não era. E aquele, com certeza não era eu. Estava tudo errado, e senti, neste momento, que só havia uma pessoa errada naquele cubículo.
Era eu. Durante anos, me neguei a acreditar que há coisas dentro das pessoas, como havia dentro de mim, inacreditavelmente me sentindo antes excitado com tudo o que via acontecendo. Sempre me neguei, neguei minha natureza de homem submisso, que sentia prazer vendo o prazer de alguém com minha mulher. Não era mais hora de me negar, assim como não era mais hora de negar que Cris também escondia dentro de si uma mulher que eu não conhecia.
Mas porquê? Por que não me mostrar de outra forma? Por que não me chamar e conversar? Era óbvio. Eu jamais fiz nada para quebrar aquele silêncio profundo e misterioso, achava “característico” dela. Eu fiz Cris não confiar em mim, e ela tornou-se uma devassa às minhas costas, e agora, perdia o controle de tudo, me apunhalando e humilhado não apenas minha virilidade... Mas também o meu amor. Sim, uma decisão nascia de mim agora. E ao som dos urros do João Paulo gozando aos solavancos nela, sequei do meu rosto a última lágrima que derramaria por ela.
- Ai, Paulo... Tu me encheu toda de porra, olha aí! Vai manchar o meu vestido. Seu cavalo, olha só! Vou ficar escorrendo por meia hora – palavras duras, frias... pareciam não combinar com ela, sempre tão educada e sutil
Ele permaneceu em silêncio. A penumbra agora, me permitia ver quase com facilidade, ele levantar-se do joelhos, sacudindo a enorme verga sobre ela, como se acabasse de urinar no banheiro. E foi puxando as calças que estavam arriadas até as canelas. Ela foi se levantando arrumando o vestido erguido, um seis de fora, espremido pelo meio pelo soutien. Cris foi saindo na frente, a a porta entreaberta lançou nos meus olhos um forte feixe de luz, quase me cegando. Ele foi saindo, empurrando apressado ela pelas costas, e num segundo, ela que virava-se para ele, sorrindo, correu o olhar sobre o meu, iluminado lá ao fundo por uma fina faixa de luz que apenas naquele segundo, iluminara meu olhar inchado e vermelho de lágrimas.
A perplexidade e o terror tomaram o rosto dela em apenas um segundo, olhando-me de boca aberta. Ele, que não me vira, continuou a empurra-la, fechando a porta, e a cena pareceu acontecer em câmera lenta... O olhar aterrorizado, como se visse um fantasma, sumindo no vão da porta que se fechava.
Ouvi a voz dele sumindo, provavelmente foi levando-a ao escritório, indiferente ao silêncio aterrorizado dela. Ouvi a porta do banheiro abrir e fechar, ele provavelmente foi “se limpar”. Levantei-me, reunindo o pouco de forças que tive, e saí. Ao passar pelo corredor, vi Cris estacionada, paralítica, parecia congelada, me olhando como se sentisse muito medo. Meu olhar foi provavelmente do mais absoluto desprezo. Fui para o estacionamento, indiferente, e peguei o carro da firma. Levei-o até em casa, e dentro dele coloquei tudo o que era de Cris. Absolutamente tudo. Voltei ao escritório com o carro, deixei-o na frente, e chamei Cris, que veio, silenciosa, pálida e aterrorizada.
- Querida... Meu endereço não é mais seu endereço. E meu amor não é mais teu. Hoje estou cansado demais pra me sentir enfurecido, vou te dar a chance de desaparecer de minha vida, de minha vista, e de minha memória. Tudo o que aconteceu, desde o início, está registrado. O moleque na janela de casa, aquele dia, era eu. Sei de tudo e registrei tudo. Tua família vai ser a primeira a ficar sabendo de tudo, teus amigos, os próximos, se não sumires sem dizer uma só palavra. Desapareças, de verdade.
O telefone tocou as 15 horas de Sábado. Mas eu, detraído na internet, quase não notei.
- Alô, Rogério? Eu tava quase desistindo rapaz! Ta em casa?
- Sim, é claro, esse é meu telefone...!
- Claro, claro, que tonto eu sou...rs... Bom, garoto, sabe duma coisa, eu tava aqui, olhando tua ficha. Tu és quase formado em contabilidade, te faltam o quê, dois, três semestres? – Algo na voz do Dr. Júlio, sócio majoritário da firma, me fazia estremecer...
- Sim, tranquei ano passado, desempregado, sabe minha história, né? – Procurei ser desembaraçado, superando minha natural falta de autoconfiança.
- Ta bom, olha, aquele João Paulo é um palhaço mesmo, irresponsável, acho que a única coisa útil que fez foi te contratar mesmo. Faz duas semanas que ele deu um pé na bunda daquela secretariazinha que ele mesmo arrumou pra ele e desapareceu, dizem que por medo do marido dela. Vai fechar um mês e vamos mandar ele passear. Precisamos de alguém pra dar uma mão no setor dele, quebrar um galho, só até arrumarmos alguém, mas olha... Queremos que voltes a estudar, ajeita as coisas por aí, te ajudamos no que for preciso, e quem sabe, em um ano, poderás integrar a equipe, humildemente no começo, mas quem sabe até crescer coma gente.
- Mas Sr Júlio, eu... Nossa, não sei se sou digno de tanta confiança, eu...
- Deixa de ser bobo rapaz, conheço pessoas confiáveis a primeira vista. E se tivesse entendido que era de um emprego que precisavas, aquela vez que esteve em minha sala, teria sido diferente. Mas é tempo de oportunidades rapaz. Abraces a sua!
O telefone desligou-se, e eu, descabido de contente, sentia que promovido de um simples motorista a assistente contábil... Parecia uma ilusão! Mas era real, por determinação. Voltei ao MSN, a moça do outro lado parecia exigir minha atenção, e retomei o assunto:
- Então, gostas mesmo de ménage?
Fim... (Início de uma nova fase para Rogério)
Me chamo Rogério, e casei cedo com Cris. Ela tinha apenas 17 anos, e eu 25 anos. Lembro como se fosse ontem de nosso namoro, o amor que sempre sentimos um pelo outro. Mas no fundo dos olhos dela sempre vi segredos, algo de misterioso que não pude entender na época, e como ela sempre foi um pouco calada, silenciosa, acabamos nunca conversando sobre isso. Uma mulher muito bonita, de aparência simples e delicada, tão branquinha, pequenina... Tem longos cabelos cacheados negros, que sempre adorei ver espalhados sobre o lençol branco de cetin que ganhamos de minha sogra no nosso enxoval. Hoje Cris tem 25 anos, e eu, já com meus 33, fui aprender que a vida não é como a gente pensa, ou como muita gente gostaria.
No início de 2005 fiquei desempregado por mais de seis meses, e acabamos enfrentando algumas dificuldades financeiras, o que atrapalhou muitos planos nossos. Tivemos que repensar o filho que planejávamos ter até o final de 2005, pois já estávamos endividados pelos dois anos seguintes. E fatalmente, Cris teve que começar a trabalhar. Revirando os classificados, achamos um escritório contábil, ela tinha noções de secretariado, e acabou indo fazer uma experiência. Eu, de meu lado, fui me virando, fazendo “bicos” como garçom, coisa que eu particularmente odiava. Mas a necessidade nos ensina a suportar. Passaram-se aproximadamente dois meses
Certo dia, cheguei em casa antes do previsto, sabia que ela sairia para trabalhar em menos de meia hora. Quando entrei em casa, ela estava no banheiro, e não ouviu a chave na porta. Logo pensei em fazer uma brincadeirinha, e dar-lhe um susto. Foi quando vi tocar o telefone, e atendi rápido para que ela não escutasse, e fiquei em silêncio, apenas para ouvir quem falava, se não fosse nada sério, desligaria sem atender, e daria seqüência na brincadeira. Porém, diante meu silêncio, ouvi uma grossa voz masculina:
- Oi, sou eu – Fez-se uma pequena pausa, e eu não reconhecia aquela voz - Alô... Alô... Não pode falar? Ela está por perto? Todo bem, só vou avisar então. Vem com a aquela vermelha. Vou me atrasar uns 20 minutos. Até. – E desligou.
Fiquei alguns instantes pasmo. Não conseguia nem mesmo pensar, pois não fazia o menor sentido. O desatino era tamanho, que nem ao menos tirei o telefone da orelha, ficando aquele zumbido de sinal de linha até cair o sinal de ocupado. E eu, que momentos antes planejava dar um susto em Cris, fui surpreendido por ela, que saia do banheiro enrolada numa toalha, bastante admirada ao me ver alí parado com o telefone na mão.
- Chegou cedo, querido! Quem era no telefone? – Sua voz tremeu, pude sentir que ela aguardava aquela ligação. Fervi por dentro, mas disfarcei.
- Engano, amor. Fui liberado mais cedo hoje. Vais trabalhar normalmente? – Perguntei desajeitado, por não saber o que dizer.
- Claro que sim, por que não trabalharia?
- Só pra saber. – e dei um sorriso, tentando parecer normal, e notando que ela estava levemente nervosa.
Nem bem ela foi ao quarto vestir-se, fui rapidamente em sua bolsa, mas não achei nada diferente, exceto um estojo de maquiagens, coisa que ela nunca foi e usar. Mas me mantive calmo, procurei não pensar nisso. Esperei ela se vestir, fui natural, e fiquei na cozinha preparando algo para comer, como se nada diferente me ocorresse. Ela me deu um beijo, e foi para a parada do ônibus, que ficava umas duas quadras de nossa casa.
Pela primeira vez nesses 8 anos, desconfiei de Cris. Deixei o lanche sobre a mesa, assim que ela saiu, e muito discretamente, fui atrás dela. A vi embarcar no ônibus, e corri até o ponto de taxi na pracinha na frente da parada. Pedi o motorista que acompanhasse o ônibus de longe. Estava disposto a gastar bastante para descobrir o que estava acontecendo.
Ela de fato desembarcou no escritório, que era dividido entre dois advogados e dois contadores. Ela entrou rápido, e eu aguardei uns 10 minutos, para depois entrar também. As salas eram separadas, e a dela era a mais do fundo. Disfarçadamente, fingi que queria falar com o advogado da sala mais da frente. Entrei na sala, que era toda de divisórias de vidro fosco, não era possível identificar fisionomias nem dentro, nem fora. Mas foi possível observar que ela não saiu mais da sala desde o momento em que entrou. Consegui enrolar o advogado por mais de meia hora, até que ele começou a notar que eu realmente não tinha nada sério para tratar. E acabou me dispensando, alegando que tinha casos importantes para estudar.
Saí de sua sala, mas fiquei ali pela recepção por mais um tempo, até ver a porta por onde Cris entrou abrir, e me ocultei discretamente. Vi que ela saiu e entrou no banheiro, que era coletivo, do lado de fora. Logo depois dela, saiu o contador pra quem ela trabalhava. Era um homem de uns 45 anos, levemente grisalho, trajava um terno quando entrei, mas agora, estava somente de camisa e calça jeans. Não era a mesma calça de quando cheguei. Ficou claro. Ele passou por mim na recepção, perguntou se eu já tinha sido atendido. Era a mesma voz do telefone horas antes.
- Sim, já fui atendido, estou aguardando o Doutor aí - apontando para a porta de onde eu saí.
- Está bem, se precisar de um bom contador, não esqueça de me procurar. – E me passou um cartão de visita. Meu sangue fervia.
Eu chegava a sentir náuseas. Mas rapidamente fui até o escritório dele, aproveitando que ele tinha saído para a rua, e que Cris estava ainda no banheiro. Dei uma olhada rápida por cima da mesa, podia sentir um cheiro forte no ar. Algo tinha acontecido alí. Olhei para a lixeira, e entre papéis amassados, uma camisinha usada, marrada com um nó. Quase caí e joelhos no chão, uma dor aguda e profunda, e destruição total da mínima esperança que eu tinha de estar enganado. O destino era cruel comigo me permitindo ver aquilo acontecer. Desatinado, agachei-me, e juntei a camisinha do lixo, sem pensar, e coloquei no bolso do casaco. Saí ligeiro, pra não ser visto, praticamente correndo, e fui pra casa.
A sensação era desoladora, comecei a imaginar o que eu faria, se daria uma surra nela quando chegasse... Mas nem mesmo sabia fazer isso. Pensei em manda-la embora, ou em ir embora. Mas nada parecia próprio naquele momento. Enfiei a mão no bolso sem lembrar o que tinha nele, e ao sentir os dedos em contato com o látex da camisinha, foi impossível conter as lágrimas. Chorei de forma compulsiva. Não podia imaginar minha linda menina me traindo, transando na sala ao meu lado com um desconhecido. Tirei a camisinha do bolso, já desprovido de nojo. A sensação de derrota era tão terrível, que seria capaz de comer bosta sem sentir o gosto.
Ergui a camisinha na frente do rosto, estava cheia de esperma. Muito cheia. Ocorreu-me de forma bizarra o tamanho do prazer que ele sentia. Notei que era uma camisinha maior que o normal, muito grande. Olhava o esperma escorrendo de um lado ara outro ali dentro, remoendo minha dor de homem traído. Mas algo de estranho foi acontecendo.
Eu já estava havia 3 horas deitado naquele sofá, pensativo. E lentamente aquela dor toda foi se esvaindo, até se tronar um leve cansaço. Desânimo, indiferença. Mas não mais tristeza. Era estranho. A camisinha ainda era usada quase como um terço, onde eu esfregava o polegar contra o indicador. De repente, com olhar perdido no horizonte, senti o líquido já frio escorrer por entre os dedos, mel nado minha mão e minha perna. A camisinha arrebentara de tanto ser manipulada. Aproximei a mão dos olhos, e senti o forte cheiro de sêmen, e a dor invadiu-me o peito de forma devastadora. As lágrimas explodiram, e tive convulsões de tanto chorar.
- “Como ela pôde, como foi capaz...!” – com as duas mãos no rosto, como se fosse possível esconder de mim mesmo minha vergonha, mal pude perceber que misturava a gala de outro macho com minhas lágrimas. Num reflexo incompreensível, comecei a morder os dedos melados, provocando dor, sentindo por entre os dente, o gosto daquela gala que destruía minha dignidade.
Já eram quase 8 da noite quando ela chegou, com um olhar indiferente, me cumprimentando de forma rotineira. Eu já estava refeito, apesar dos olhos muito inchados.
- Amor, você chorou de novo...! Eu sei, querido, eu sei. Estar desempregado não é fácil, mas a gente vai superar essa, a gente vai conseguir – dizia ela, abraçando-me carinhosa. – A gente já passou por coisas terríveis, mas não é isso que vai nos desanimar. Estou trabalhando, pelo menos, o mínimo não vai nos faltar, eu te prometo.
A sensação que me invadiu foi a de humilhação e alívio... Toda a minha raiva reverteu-se em amor explosivo e forte, agarrei Cris pelo maxilar, e beijei-a como havia anos que não beijava. Senti raiva novamente, durante o beijo, mas fui forte, não deixei transparecer. Momentos depois, eu ignorava o que ocorrera, de forma estranha, nem eu mesmo explicaria. Procurava em mim a culpa pelo que aconteceu, ou mesmo, procurava alguma chance de aquilo ter sido um engano meu.
Depois da janta, fomos pra cama, ela se disse muito cansada, justificou-se dizendo que tinha colocado em dia o arquivo inteiro do Chefe. Mas fui persistente na clima de sedução, queria procurar detalhes. Ela, aos poucos, foi cedendo, mas tentou de todas as formas evitar que eu lhe fizesse oral. Disse que teria usado uma “pomada”, que poderia estar com um “gosto estranho”. Senti ali que minhas chances eram quase nulas de estar enganado.
Ela estava deitada de costas, ensaiávamos um papai-e-mamãe. Não aceitei sua recomendação, e fui descendo por seu ventre. Vi que neste momento, ela virou o rosto para o lado, tentando puxar minha cabeça de volta. Segurei suas mão e fui descendo. Ceguei na sua vagina e,mesmo após um demorado banho, pude sentir o suave cheiro do preservativo que ela... de fato usara. Era estranho... Eu estava ali, chupando a vulva de minha esposa algumas horas depois de ela ter sido comida por outro cara, isso me dava voltas no estômago. Mas eu não parei. Senti, com os olhos apertados, lágrimas escapando. Mas não deixei que percebesse, iria ser um segredo, por hora. Senti na língua o gosto característico de pequenos machucados, esfoladinhos provavelmente ocorridos na penetração, e por causa da camisinha, que sempre “trava” um pouco. Meu coração parecia trêmulo, uma sensação amarga na boca do estômago. Senti que as paredes da vagina dela estavam largas. Subi até seu rosto, e olhei em seus olhos. Vi ela tomada de um medo terrível, disfarçado num sorriso tímido.
- Querido, disse que estou com pomada, não disse?
- Sim, Cris. Eu sei. – não fui capaz de dizer outra coisa, seu sorriso me seduzia
- Vem pra mim, vem meu amor – disse ela, um pouco nervosa, abraçando-me e escondendo o rosto na minha face.
O angulo fez naturalmente a penetração acontecer, mesmo ela não estando lubrificada. Não estava excitada, eu podia sentir. Pois estava nervosa, tentando disfarçar o indisfarçável. Meu pênis entrou fácil, e provocou a lubrificação rapidamente. Sentia que ela estava muito larga, praticamente arrombada. Eu quase não podia sentis as paredes de sua gruta me acolherem, fiquei imaginando o tamanho do membro que poderia deixar uma mulher assim... Ou então, a forma como poderia... Não sei explicar as razões, mas senti-me excitado com aquilo tudo, apesar de humilhado. Comecei a estocar sem controle, abandonando meu jeito carinhoso que sempre foi próprio de mim. Desordenadamente, minha pélvis chocava-se com a dela, e em menos de 10 minutos, eu já estava esvaindo em orgasmo, sem ao menos importar-me com ela... Quando me ocorreu, senti culpa, mas logo tomou-me a lembrança de que provavelmente ela já tinha tido alguns naquela tarde. Senti-me um lixo.
Adormeci rapidamente, não queria ver o rosto decepcionado dela. Preferi esquecer aquele dia, tentando acordar de manhã com outras coisas na mente. Mas, adivinhe, a primeira lembrança que tive, foi a cena da camisinha cheia de porra daquele cara. E dele me dando seu cartão. Que cretino, minha menina, tão meiga e delicada... Era sua... Sua puta, no escritório. Manhã difícil.
Quando fui ao banheiro, com a costumeira ereção matinal, tive vontade de fazer algo que havia muito que não fazia... Me masturbei. E inevitavelmente, me vinha à mente a construção da cena de Cris sendo comida por aquele cara no escritório. Me alucinei de pensamentos inaceitavelmente obscenos, aumentei o ritmo da masturbação até que... Vi meu sêmen jorrar na parede, e escorrer pelos azulejos brancos estampados. Algo estava me transformando... E isso não acaba aqui.
Depois do episódio do banheiro, senti uma vergonha enorme ao me olhar no espelho. Parecia não fazer sentido tudo o que estava acontecendo, muito menos as coisas que eu sentia. Resolvi dar um tempo, deixar as coisas como estavam, não me sentia pronto para tomar uma decisão. Decidi não contar a ela que sabia, e esperar um momento certo pra chutar o balde de uma só vez.
Na mesa do café, fiquei olhando ela ainda de pijama, silenciosa como normalmente é. Tentava imaginar se na cabeça dela ocorriam lembranças do que aconteceu na tarde do dia anterior. Parecia tão séria, tão calada. Como se não pensasse em nada senão naquela xícara de café que fumegava em sua mão.
Sua pele tão alva, tão delicada. Aqueles cabelos tão cacheados. Seus seios pequenos, bicudos, ainda lembravam os de uma menina na puberdade. Tinha cara de criança, parecia mais jovial do que quando casamos. Seu mamilos espetavam o pijama semitransparente, e seu olhar distraído não nem me notava à sua frente, já me excitando como que via. Me ocorreu então que havia muito tempo que eu não me sentia excitado apenas em observa-la. Aquela situação toda, apesar de tão constrangedora, tinha um lado místico. Minha mulher dando pra outro cara, eu fingindo que não sei, e de uma hora para outra, começo a sentir mais tesão por ela. Era muito estranho.
As horas passaram rápido, ela preparou o almoço, despediu-se e foi trabalhar. Naquele dia, comecei a planejar como faria para saber a quanto tempo aquilo vinha acontecendo. Não tive trabalho neste dia, não estava fácil arrumar uma vaga de garçom não profissional. Acabei tendo o dia para planejar. Saí no horário habitual, à procura de empregos. Cheguei a ser entrevistado numa empresa, achei que poderia se abrir uma porta, e encerrei o dia cedo.
Nem 3 da tarde, fui voltando pra casa para fugir daquela tarde terrivelmente quente. Desembarquei do coletivo e fui rumo à nossa casa, e qual não foi minha surpresa quando me deparei com um carro estacionado na frente de casa. Nossa vizinhança toda sai durante dia, e retornam somente à noite. Logo concluí que para Cris não seria difícil frequentar nossa casa com o amante sem jamais ser denunciada. Mas não contava nem um pouco com meu retorno mais cedo. Saquei de cara.
Entrei discretamente no quintal, contornando a casa silenciosamente. Resolvi entrar pela área, pois não seria ouvido por ela... Ou melhor... Por eles. Quando me aproximei da porta, escutei as vozes, estavam próximos demais da área, tive que me esconder. Uma pequena janela que ventilava a cozinha me serviu de observatório. Pelo canto da cortina vi o inimaginável, que tentarei descrever:
Seu cabelos cacheados, soltos e esvoaçantes, cerca de 15 centímetro de distância de onde eu estava. Estava debruçada por cima da pia com a cabeça baixa. O espaço da cortina não me permitia ver muito, tive que ir me posicionando para ver a cena por completo. Um som estranho, ritmado, parecendo um desentupidor de pias numa pia cheia de água. Pela resta da cortina, só enxerguei o cabelo, parte das costas de Cristina, e um braço de homem, ora agarrando seus cabelos, ora segurando-a pelas costas. Ele agarrava com muita força as costas dela, pois ficavam as marcas avermelhadas que iam esbranquiçando, de seus dedos afundados na carne dela.
O som era perturbador, fiquei totalmente zonzo. Os solavancos dele contra o corpo dela sacudiam toda a pia, fazendo com que as panelas dentro do armário ficassem se batendo.
- Vai sua puta, vai! “Güenta” essa vara, vai! “Güenta”! Tá doendo? Tá? É pra doer mesmo, vou te arrombar todinha, minha putinha!
Me anojei completamente com a cena, minha vontade era entrar lá e acabar com aquele cara, e cheguei a me preparar para entrar, totalmente trêmulo. Estava disposto a matar aquele cara... Mas foi quando ouvi a voz dela em resposta ao que ele disse, e voltei a espiar:
- Tá, tá... Isso, mete tudo então, mete, vai, forte, mais forte.. Aahh, mais forte, seu cavalo, mais forte!
E um estalo forte fez com que por reflexo eu cerrasse os olhos num instante. O tapa que ele desferiu na sua delicada bundinha branca era quase desumano. Arregalei os olhos de tão desesperado com a situação, fiquei atônito... Outros dois estalos se seguiram, e um forte grito ela, bem conhecido por mim, me anunciaram que minha interrupção não seria bem-vinda... Ela gozou, e os tapas foram a causa de seu clímax. Meu corpo amoleceu, achei que e fosse cair no chão, incrédulo. Um silêncio de quase um minuto se fez. E ela rompeu com sua voz doce, atirada por sobre a pia. Ele, eu não o enxergava. Não era possível, e eu tinha medo e afastar a cortina e ser visto.
- Seu puto, me deixou toda marcada, já te disse pra não fazer isso!
- Eu sei que tu gosta princesa, não te faz de santa. – disse ele, sarcástico.
- Claro que gosto, mas não me deixa marcada, tá? Olha aí – dizia ela, ainda debruçada, apenas olhando para trás.
Neste memento, consegui achar uma posição que me permitiu vê-lo, de camisa aberta e calças arriadas. Ele segurou a base do pau, provavelmente pra segurar a camisinha, e foi puxando. Ela deu um gemido baixou, e tão logo ele terminou de tirar, virou-se rápido, se ajoelhando aos seus pés. Por um instante, deu-me uma visão estarrecedora... o membro do cara era enorme, devia ter uns 20 cm. Mas isso era o de menos, sua grossura era anormal, parecia uma garrafa, não imagino que cara de admiração eu fiz. Cris, aos seus pés, foi tirando cuidadosamente a camisinha dele, que estava muito apertada e esticada.
A camisinha rasgou-se na tentativa, e pude ver os esperma dele espirrar no corpo e rosto dela. Ela simplesmente começou a chupa-lo, abocanhando com alguma dificuldade aquela imensa vara.
Toda a minha sensação de tensão parecia ir sendo anestesiada, como se eu estivesse finalmente me conformando com aquilo. Mas foi e súbito que me peguei alisando meu próprio pau, que estava duríssimo. Mas me condenava por isso, não devia me excitar, pois me envergonhava. Num instante, baixei os olhos, observando o estado de ereção em que eu estava, e era inacreditável. Mas, para meu desespero, tornei a olhar pela cortina, e dei de cara com ele, que abriu a janela. De sobressalto, caí de costas com o susto.
Nem bem caí, pus-me a correr, quase de quatro, tentando me levantar. Não queria ser visto por Cris, então corri o mais que pude, passando o portão e descendo a rua. Vi que dentro do quintal ele ainda tentou me ver, mas não pode, corri muito. Provavelmente não me identificou.
Numa sensação mista de desespero, tristeza e excitação, sentei-me por uns instantes numa praça no fim da rua. Não sei precisar, mas devo ter ficado por lá quase duas horas. Decidi ir para casa, determinado a pegar minhas coisas e ir embora. Me sentia totalmente humilhado e frustrado. Ao chagar perto de casa, não vi mais o seu carro, apenas o portão aberto. Quando adentrei a cozinha, encontrei Cris, tomando tranqüilamente uma xícara de café. Olhei para o chão, e ali pude ver a umidade do pano que ela acabara de passar para limpar a porra do cara, que tinha escorrido enquanto o chupava, com ódio olhei para ela determinado a acabar com a farsa. Mas ela abriu um largo sorriso, num caloroso cumprimento.
- Oi meu amor! Como foi teu dia? Quer um café?
- Não, obrigado, Cris. Temos que conversar...
- Sim, temos mesmo, aconteceu uma coisa agora a tarde. E estava aqui na cozinha, me chefe veio até aqui comigo para te esperar chegar, tem uma proposta e trabalho para você! Mas olha só, estávamos aqui na cozinha, preparando um café – fiquei imaginando se ela me contaria exatamente o que aconteceu – mas de repente, pegamos um moleque dentro do nosso quintal, espionando pela janela. Ele saiu correndo quando o vimos, mas tomamos um susto! Não sei se não roubou alguma coisa do pátio, depois você dá uma olhada.
- Ah, sei... – murmurei baixinho, vendo minha raiva crescer cada vez mais. Ia desferir o ataque, mas de repente, reparei no que ela falou... - Mas... Como assim? Trabalho?
- È, uma proposta de trabalho pra você! Ele ia te esperar chegar, mas pintou uma emergência, ligaram, e ele teve que sair antes. Mas amanhã, vamos comigo até o escritório, e ele te apresenta uma proposta de trabalho lá.
Uma idéia abominável me ocorreu, e eu tive vontade de gritar. Estaria Cris fazendo isso apenas pra me conseguir um trabalho? Será que ela se submetia a coisas tão baixas por causa de nossa dificuldade financeira? Antes de tomar qualquer medida, resolvi dar um pouco mais de tempo. Dois dias se passavam desde que descobri a jogada toda, mas preferi manter-me gélido por mais alguns.
Concordei com ela, mas não consegui mostrar qualquer sinal de satisfação. Ela pareceu não importar-se tanto com minha indiferença. Parecia mais preocupada com o “moleque da janela”. Então, sentei-me à mesa, e tomei um café para ver se relaxava um pouco, quando ela então, notou meu rosto bastante inchado das lágrimas que eu derramei sentado no banco daquela praça, minutos depois de vê-la sendo “currada” pelo meu “futuro empregador”. Ela sentou-se ao meu lado, perguntando se eu estava bem, se eu queria que me fizesse alguma coisa.
- Não, Cris. Você já fez até demais- sim, eu consegui até mesmo ser irônico diante da minha própria desgraça como homem.
Mais tarde, já perto da hora de dormirmos, fui à cozinha tomar água, e vi no chão as marcas do pano que ela usara para limpar todo o esperma que vi, com meus próprios olhos, serem derramados sob seu rosto e corpo. Tomei aquela água como quem engole um balde de pedras. Me avivaram na mente as cenas de suas expressões de prazer. E fica imaginando, será que ela realmente sentia prazer naquilo? Ou realmente estaria fazendo somente para procurar, ao seu modo, um trabalho para mim. Me ocorreu que seu grande desejo de ser mãe estivesse movendo aquele instinto de criar um modo de termos mais dinheiro. Isso me deprimia, pois me fazia sentir fracassado como homem. Por outro lado, comecei a lembrar das suas palavras: “Isso, mete tudo então, mete, vai, forte, mais forte.. Aahh, mais forte, seu cavalo, mais forte!” – Aquilo só podia ser prazer, impossível que não fosse. Sua expressão, o jeito que mordia os lábios... Aquele negócio enorme enfiado nela... Quando dei por mim, flagrei-me alisando meu pênis dentro da cueca, a única roupa que eu trajava para dormir. Parado na cozinha, com o copo vazio na mão. Estava com o pau completamente duro, e não me perdoava por estar sentindo tesão com coisas bizarras como aquelas.
Virei-me, no intuito de jogar uma água fria na cara e ir para a cama... Mas com o susto que tomei ao deparar-me com Cris, a meio metro de mim, cheguei a trancar o soluço.
- Querido, demorou tanto, vim ver se tu estás bem!
- Sim... quer dizer, tô, eu só tava com sede – um nervosismo me tomou, comecei a gaguejar...
Seus olhos foram percorrendo meu corpo, com um olhar muito sem-vergonha, e não consegui esconder minha ereção.
- Hum, o que temos aqui?! – disse ela, com um sorriso safado, já levando a mão em meu pau.
- Olha, eu nem sei por que estou assim, eu...
Não cheguei a terminar, ela me calou com um beijo, e começou a alisar meu corpo todo. Encostou-me na mesa, ajoelhando-se aos meus pés. Não foi possível deixar de lembrar da cena dela na mesma posição com aquele cara... que aliás, eu nem bem sabia o nome dele. Eu não sabia nem se nome, mas já sabia até tamanho de seu pau dentro de minha mulher... Que horror, e pensava isso enquanto Cris enfiava meu pau em sua garganta, mais fundo do que nunca fez. “estava praticando”- Pensava eu, sem conseguir evitar. Mas, ao invés de brochar, coo pensei que aconteceria, senti-me ainda mais excitado.
Puxei Cris por seus cabelos cacheados, e beijei sua boca, agora com o gosto de meu tesão, e acabei deitado no chão duro da cozinha, com ela sobre mim, fazendo um 69. A cena estava muito interessante. Eu estava com o tórax entre suas pernas, ela montada sob meu peito, chupando meu pau de forma voraz, como jamais fizera antes. Era gostoso, por momentos, esqueci todo meu dilema e minha dor. Cris parecia uma mulher estranhamente melhor e mais carinhosa. Sobre me rosto, sua vulva, que eu arregaçava com as mãos, enfiando dentro dela minha língua inteira, estava aberta, arrombada, e novamente, toda machucada. Tinha um aroma suave de morango artificial, imaginei que fosse da camisinha. Enfiei nela meus dedos, das duas mãos, indicadores e médios, forçando suavemente a abertura sob meu rosto. Ela gemia forte, e eu senti quase raiva, imaginando se sentia mesmo tanto prazer com aquilo, ou se preferia o pau enorme daquele cara entrando nela. Abocanhei sua vulva, deixando seu clitóris sob minha língua, massageando. Ela gozou rápido. Dei alguns intentes, e virei o rosto, para respirar melhor e tomar um pouco de fôlego. Vi seu joelho exatamente sob o local onde passou o pano no chão.
Minha mente estava confusa. Eu não sabia que rumo tomar a partir daquele momento. Mas sabia que era melhor dar tempo ao tempo, pois comecei a notar que muita coisa não era exatamente como as pessoas contam. A vida tem surpresas terríveis, e a pior que tive, até então, não tinha sido a traição de Cris, nem mesmo os motivos que a levaram a me trair...Mas sim a minha forma de conceber, e até... de me excitar com tudo aquilo...
As 13:30 estávamos chegando ao escritório do excelentíssimo contador, e procurei ser o mais natural possível quando ele sorriu para mim, sentado naquela confortável cadeira atrás da mesa simples, com uma antiga máquina de escrever e uns papéis desorganizados sobre ela. Ao meu lado, Cris, com um sorriso radiante, parecendo uma menina. Agora, já devidamente apresentado, os Sr. “João Paulo” foi receptivo, e apertou-me a mão com força.
- Bem-vindo, Rogério. A tua esposa chegou a referir-se muito a ti, disse que és um bom motorista. E preciso de um bom por aqui. Na verdade, de alguém também com habilidades administrativas, para auxiliar no escritório todo, que na verdade é uma sociedade de profissionais do Direito e da Contabilidade. À propósito, você não me é estranho, não esteve aqui outro dia?
Gelei com a pergunta, pois não saberia como justificar para Cris minha “visita” ao local.
- Não, tenho uma aparência comum, muita gente me acha parecido com alguém – e um sorriso amarelo seguiu a piada infame...
Ele olhou para os papeis e documentos que Cris me fez levar, e fez uma demorada pausa, lendo-os atentamente. Meus olhos buscavam no ambiente os locais mais provável onde costumava comer minha mulher. Vi uma poltrona ao lado de umas caixas granes de papelão, ainda embaladas em plástico, a uns 2 metros da cadeira onde eu estava sentado. Imaginei que ali era um provável lugar de deleite dele com minha linda esposinha, e decidi que daria um jeito de ver isso acontecer, mesmo sem saber o que faria.
Olhe para o rosto redondo de Cris, que olhava atenta e sorridente para os gestos dele ao averiguar meus documentos e referências, até que ela mesma me interrompeu:
- Responda, querido!
De tão perdido em meus pensamentos, nem notei que ele me chamava, perguntava detalhes sobre meus documentos. Respondi, e em seguida, mergulhei novamente nos meus devaneios. Refletia sobre aquilo tudo, e até que ponto eu suportaria tal humilhação.
Duas horas uma hora e meia depois, eu assinava um contrato de experiência de trabalho, como motorista particular da “Sociedade”. Minha função era buscar e levar os clientes importantes do escritório, e os próprios sócios quando precisassem, o que diga-se de passagem, não era um trabalho ruim. Pagariam bem, mais do eu ganhava antes, e dava-me horários maleáveis. Seria um emprego ótimo naquela situação financeira em que me encontrava, não fosse minha certeza de estar dando minha mulher em troca da oportunidade. Mas incrivelmente, já não me sentia tão perturbado.
Quase uma semana se passou, e nada mais parecia ter acontecido entre Paulo e Cris. E nada mais aconteceu entre Cris e eu também. Conforme o tempo passava, comecei a sentir mais ciúmes, as lembranças das cenas que vi pareciam me atormentar mais e mais. Porém, certo dia, consegui enganar Cris e Paulo, pois saí para levar um dos Advogados para uma cidade vizinha, mas antes de sairmos da cidade, a reunião para onde íamos foi cancelada.
O distinto sócio decidiu que não trabalharia mais aquele dia, e ficou em casa, próximo do local onde recebemos a ligação cancelando. Pois bem, fiquei com o resto da tarde livre, e com o carro disponível para mim. Deixei o carro num estacionamento próximo do escritório, e fui pra lá discretamente, à pé. Sabia que era a situação perfeita para os dois. Era uma sexta-feira, início de tarde. Normalmente só João Paulo trabalhava neste dia e horário. Os outros apenas até sexta pela manhã. Quando entrei no pequeno prédio, fui direto para a sala de limpeza, onde tinha convicção de que não seria notado. Meus dias trabalhando lá, entre uma saída e outra, acabei descobrindo um modos de abrir uma passagem entre as divisórias da sala de Paulo, e tinha acesso por trás da estante de livros. Ali tinha um vão, por onde era possível espiar tudo o que acontecia lá dentro.
Eu passei mais de dois dias estudando um modo de espiar por ali sem ser visto. Lembrando-me do modo em que os observei em minha casa, coloquei no vão uma pequena cortina semi transparente. Por trás da prateleira era impossível que me vissem. Já na sala, afastei silenciosamente um tonel plástico que deixei obstruindo para não ser percebido pela faxineira, e posicionei-me. Nada vi, mas escutava vozes baixas, sabia que ele estava ali, apesar de não poder enxergar. O ângulo dava para o sofá que antes descrevi, e para a mesa, poucas partes da sala ficavam escondidas de minha vista. Fiquei encafifado, procurando descobrir onde estavam. Quase dei um salto com a surpresa da porta da sala de faxina abrindo-se. Estava muito escuro ali, eu deixei a luz apagada pra não ser visto, e arrepiou-me quando imaginei o momento em que acendessem a luz. Não sabia quem era, mas provavelmente era Cris. Ouvi o som do interruptor ser acionado, e cerrei os olhos, descrente de minha desgraça.
Qual não foi minha surpresa ao ver que a luz não acendeu! O som se repetiu, duas, três vezes.
- Merda, tá queimada a lâmpada – escutei e bom tom, na voz de Paulo – Entra mesmo assim, acho que aqui tá bom.
Outra voz respondeu à dele, e era a de Cris. Por isso não os via, estavam fora da sala, logo em frente. E agora, entravam ali, a menos de três metros de mim. Ele a puxava pela mão, eu podia vê-los bem, tinha uma luz forte no corredor. Fiquei agachado atrás de um grande galão de plástico azul, e fui deixando-me escorregar com as costas encostadas à parede, o mais silencioso possível. Não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo...
- Ai Paulo, ta muito escuro aqui, e tem cheiro de mofo! Tem certeza que quer fazer aqui?
- Fica quieta, piranha. Sei que tu gostas dum canto escuro, vem cá!
Só pude ver o rosto anojeado dela, desaparecendo conforme ele empurrava aporta para fecha-la. Quando a porta cerrou-se, apenas respirações fortes se podia ouvir. Ele balbuciava coisas ininteligíveis, e ela a todo o momento reclamava do lugar. Uma profunda pena se instalou em mim. Minha certeza de que ela fazia aquilo por seus instinto maternal, se submetia à aquilo para permitir-se ter um filho, e dar-me um emprego... Parecia loucura, mas habitava minhas certezas. E a maior de todas as loucuras, apesar de humilhado e fracassado, eu sentia... Tesão, meu pênis endurecia mesmo com minha tristeza mais profunda.
- Ta, ta, tira isso – ele era grosseiro com ela o tempo todo – Anda, tira. Chupa aqui, anda. Chupa.
Era uma sensação insuportável, aquele cara nojento tratando ela daquele jeito, a poucos metros de mim, e eu sentindo-me um fracassado, paralisado, e pior... Com a mão enfiada dentro das calças, como um guri de 11 anos espiando a babá no chuveiro. Me sentia revoltado, nauseado... e excitado.
-Chupa, mulher. Chupa que eu sei que tu gostas – ouvia-se a voz, embargada e rouca dele, entre os sons dela sufocando – chupa, puta. Até o saco, chupa.
Eu não os podia ver, mas escutava ela sufocada. Ele provavelmente estava sentado no chão, encostado à parede, como eu, só que do outro lado do cubículo sujo e cheio de trastes. Pelo que imagino, empurrava a cabeça dela pra afundar o mastro enorme que tinha em sua garganta. Me remoia de pena dela, imaginando o quanto aquilo devia ferir seu corpo e seu orgulho doce, que eu conhecia bem, por todo o tempo que nos unia.Mas de repente...
- Ah, seu filho da puta! – A voz dela, que parecia ter se libertado dos empurrões dele contra a vara que a enterrava na garganta – Cretino, cavalo!
Sons de tapas, e os vultos na escuridão, que aos poucos se dissipava, e me dava mais visão do que acontecia. Ela dava tapas na cara dele, e virou-se de costas pra ele, ficando quase de quatro.
- Vai, seu cavalo. Mete na tua puta, mete. E dá na bunda da tua égua, dá. Mas dá forte, com força, seu filho da puta. De molenga já estou farta. Bate!
E os sons da mão dele explodindo nas nádegas dela só não cobriam seus gemidos. O mundo parecia ter passado correndo ao meu redor. Não acreditei no que ouvi. Ela, a mulher que sempre amei e dediquei todo o meu carinho... Traía-me, e não apenas fisicamente. Agora, era moralmente. Espiritualmente. Meu ódio virou terror em um único segundo. E meu pênis duro em minhas mão, pareceu morrer de desgosto, brochando junto com meu coração. Tive que levar minha mão ao rosto, segurar meu nariz, tapar minha boca. Não queria ser ouvido chorando.
Os minutos que se seguiram pareciam horas. A desilusão borbulhava dentro de mim, ao som dos solavancos do corpo daquele cara, que não me soava muito mais cretino do que Cris, contra o corpo dela. Não me encorajei a olhar, mas sabia que agora estavam em papai e mamãe. O som era descontrolado, eu escutava os impacto desritmado do corpo dele contra o dela, o som de molhado. Ela dizia todos os tipos de blasfêmias possíveis, e ele não fazia por menos.
- Sua puta, vagabunda. Adoro comer teu rabo e te mandar pra casa toda doída praquele corno tratar.
- Isso, come meu rabo, come, vai. Goza dentro do meu cu...
Fiquei perplexo. Durante 8 anos juntos, tentamos anal umas três vezes, ela sempre desistia, pois dizia sentir muita dor. Aquela não parecia ser ela. E de fato não era. E aquele, com certeza não era eu. Estava tudo errado, e senti, neste momento, que só havia uma pessoa errada naquele cubículo.
Era eu. Durante anos, me neguei a acreditar que há coisas dentro das pessoas, como havia dentro de mim, inacreditavelmente me sentindo antes excitado com tudo o que via acontecendo. Sempre me neguei, neguei minha natureza de homem submisso, que sentia prazer vendo o prazer de alguém com minha mulher. Não era mais hora de me negar, assim como não era mais hora de negar que Cris também escondia dentro de si uma mulher que eu não conhecia.
Mas porquê? Por que não me mostrar de outra forma? Por que não me chamar e conversar? Era óbvio. Eu jamais fiz nada para quebrar aquele silêncio profundo e misterioso, achava “característico” dela. Eu fiz Cris não confiar em mim, e ela tornou-se uma devassa às minhas costas, e agora, perdia o controle de tudo, me apunhalando e humilhado não apenas minha virilidade... Mas também o meu amor. Sim, uma decisão nascia de mim agora. E ao som dos urros do João Paulo gozando aos solavancos nela, sequei do meu rosto a última lágrima que derramaria por ela.
- Ai, Paulo... Tu me encheu toda de porra, olha aí! Vai manchar o meu vestido. Seu cavalo, olha só! Vou ficar escorrendo por meia hora – palavras duras, frias... pareciam não combinar com ela, sempre tão educada e sutil
Ele permaneceu em silêncio. A penumbra agora, me permitia ver quase com facilidade, ele levantar-se do joelhos, sacudindo a enorme verga sobre ela, como se acabasse de urinar no banheiro. E foi puxando as calças que estavam arriadas até as canelas. Ela foi se levantando arrumando o vestido erguido, um seis de fora, espremido pelo meio pelo soutien. Cris foi saindo na frente, a a porta entreaberta lançou nos meus olhos um forte feixe de luz, quase me cegando. Ele foi saindo, empurrando apressado ela pelas costas, e num segundo, ela que virava-se para ele, sorrindo, correu o olhar sobre o meu, iluminado lá ao fundo por uma fina faixa de luz que apenas naquele segundo, iluminara meu olhar inchado e vermelho de lágrimas.
A perplexidade e o terror tomaram o rosto dela em apenas um segundo, olhando-me de boca aberta. Ele, que não me vira, continuou a empurra-la, fechando a porta, e a cena pareceu acontecer em câmera lenta... O olhar aterrorizado, como se visse um fantasma, sumindo no vão da porta que se fechava.
Ouvi a voz dele sumindo, provavelmente foi levando-a ao escritório, indiferente ao silêncio aterrorizado dela. Ouvi a porta do banheiro abrir e fechar, ele provavelmente foi “se limpar”. Levantei-me, reunindo o pouco de forças que tive, e saí. Ao passar pelo corredor, vi Cris estacionada, paralítica, parecia congelada, me olhando como se sentisse muito medo. Meu olhar foi provavelmente do mais absoluto desprezo. Fui para o estacionamento, indiferente, e peguei o carro da firma. Levei-o até em casa, e dentro dele coloquei tudo o que era de Cris. Absolutamente tudo. Voltei ao escritório com o carro, deixei-o na frente, e chamei Cris, que veio, silenciosa, pálida e aterrorizada.
- Querida... Meu endereço não é mais seu endereço. E meu amor não é mais teu. Hoje estou cansado demais pra me sentir enfurecido, vou te dar a chance de desaparecer de minha vida, de minha vista, e de minha memória. Tudo o que aconteceu, desde o início, está registrado. O moleque na janela de casa, aquele dia, era eu. Sei de tudo e registrei tudo. Tua família vai ser a primeira a ficar sabendo de tudo, teus amigos, os próximos, se não sumires sem dizer uma só palavra. Desapareças, de verdade.
O telefone tocou as 15 horas de Sábado. Mas eu, detraído na internet, quase não notei.
- Alô, Rogério? Eu tava quase desistindo rapaz! Ta em casa?
- Sim, é claro, esse é meu telefone...!
- Claro, claro, que tonto eu sou...rs... Bom, garoto, sabe duma coisa, eu tava aqui, olhando tua ficha. Tu és quase formado em contabilidade, te faltam o quê, dois, três semestres? – Algo na voz do Dr. Júlio, sócio majoritário da firma, me fazia estremecer...
- Sim, tranquei ano passado, desempregado, sabe minha história, né? – Procurei ser desembaraçado, superando minha natural falta de autoconfiança.
- Ta bom, olha, aquele João Paulo é um palhaço mesmo, irresponsável, acho que a única coisa útil que fez foi te contratar mesmo. Faz duas semanas que ele deu um pé na bunda daquela secretariazinha que ele mesmo arrumou pra ele e desapareceu, dizem que por medo do marido dela. Vai fechar um mês e vamos mandar ele passear. Precisamos de alguém pra dar uma mão no setor dele, quebrar um galho, só até arrumarmos alguém, mas olha... Queremos que voltes a estudar, ajeita as coisas por aí, te ajudamos no que for preciso, e quem sabe, em um ano, poderás integrar a equipe, humildemente no começo, mas quem sabe até crescer coma gente.
- Mas Sr Júlio, eu... Nossa, não sei se sou digno de tanta confiança, eu...
- Deixa de ser bobo rapaz, conheço pessoas confiáveis a primeira vista. E se tivesse entendido que era de um emprego que precisavas, aquela vez que esteve em minha sala, teria sido diferente. Mas é tempo de oportunidades rapaz. Abraces a sua!
O telefone desligou-se, e eu, descabido de contente, sentia que promovido de um simples motorista a assistente contábil... Parecia uma ilusão! Mas era real, por determinação. Voltei ao MSN, a moça do outro lado parecia exigir minha atenção, e retomei o assunto:
- Então, gostas mesmo de ménage?
Fim... (Início de uma nova fase para Rogério)
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