Antes de dar seqüência na leitura deste conto, saiba o leitor que se faz importante a prévia leitura dos demais contos da série “Motivos de Daiana”, para que se possa apreciar e compreender por completo o que se passa na história.
O demais contos anteriores da série podem ser encontrados nos links a seguir:
Os Motivos de Daiana I
Os Motivos de Daiana - Parte II
Lentamente ela ia afastando-se do edifício, e uma rajada de vento jogou contra sua perna uma folha perdida de jornal, provavelmente saída de uma das bancas de frutas que cercavam o prédio onde ela havia passado mais de 5 horas a fio, servindo aos caprichos de pelo menos meia dúzia de homens naquela tarde. O corpo estava ainda dolorido do jovem afoito que dera início a sua jornada de trabalho. Ele caprichosamente cuidou de feri-la o máximo que pode, para provar para si mesmo que não se importava com ela. Para provar para si mesmo que não precisava de uma puta. Mordeu seus mamilos quase ao ponto de corta-los, e fingiu não importar-se com o discreto pedido de Daiana para que parasse. Ao contrário, foi como um estímulo, mais força ele empregou para morder a delicada pele de Daiana.
Mas Daiana conhece isso muito bem. Preferiu não pedir uma segunda vez, apenas sorriu. Acariciou seu cabelo, e sussurrou baixinho: “- Tu és o terceiro hoje, querido. Mas não conseguiria nunca ser o último a não ser que me matasses”...
O jornal que prendeu-se em sua perna, pelo forte vento que congelava a capital nesta tarde, parecia não querer desprender-se de forma alguma. Soltava-se de uma, prendia-se de outra, irritantemente. Daiana respirou fundo, arrumou o cabelo negro e embaraçado pelo vento em um coque. E seguiu a caminhar, ignorando o jornal. Atravessou a Av. Borges de Mendeiros, em direção ao viaduto, determinada a caminhar até o Parque Farroupilha. Queria ver os macacos da redenção antes do fim da tarde, pegar um pouco de ar. Precisava muito ver algo não humano, algo menos vil e sujo.
Seu celular tocou antes que chegasse à altura da pequena Praça Argentina, onde mendigos procuravam abrigo do frio que o fim da tarde começava a trazer. Uma breve espiada no celular, e pode ver que Alves ainda tinha algo a dizer. “- Maldito cafetão. Não basta o que já ouvi...”
- O que queres, Alves?
- Alô, Jaque? Volta pra cá, mulher, na terminamos de conversar!
- Já falei, não me chamo mais Jaque. Aliás, nunca deveria ter me chamado jaque. E não tenho mais nada ra dizer. Nem pra ouvir.
- Jaque... Ta, Daiane...
- Daiana.
- Isso, ta bom... Vem cá, volta pra cá, o guri já foi embora, agora podemos conversar direito. Sabes que o que te falei não foi por mal, mas eu precisava concordar, tu sabes como as coisas são...
- Não me interessa, Alves. Ele me feriu, me machucou. Um pivete, playboy metido a dono de boca.
- Jaque, ele é filho do “homem”, que que tu quer que eu faça? Tu sabe que o Coronel não é mole, se eu contrariar o bicho pega.
- Já pegou, Alves. Não volto mais.
- Jaque...
- Não me chama de Jaque.
- Ta, guria. Volta aqui, vamo tomar um conhaque e acertar as coisas. Tenho uma grana pra te dar de hoje. Trabalhou bem, merece o teu.
- Fica com o meu, Alves. Compra um algodão doce. Ou um amendoim, acho que te fará melhor.
Foi sem sorriso algum no rosto alvo, rubro pelo vento frio, que Daiana desligou o telefone. Uma lágrima incontinente escapou-lhe, mas foi rapidamente colhida. Não somente pelos tapas que levou no rosto logo após a réplica dada às mordidas vorazes do moleque. Nem pelos empurrões para fora do quarto que ele lhe deu, antes de ordenar a Alves que mandasse embora aquela “puta imunda e fedorenta”, nas palavras do ilustre menino de 19 anos, filho do dono da firma.
Ele quase nunca aparecia, normalmente escolhia as meninas mais novas, mais submissas e vindas do interior. Delas fazia o que bem entendia, e jamais reclamavam. Normalmente pediam folga logo depois de com ele estar, e não costumavam contar umas às outras o que se passava com ele dentro do quarto. Diziam as lendas que o rapaz tinha um dote nada privilegiado, e que gostava de introduzir objetos impróprios nas meninas, qualquer coisa que achasse por perto, desde aparelhos de telefone, até pedaços de tecido. Ameaçava-lhes de manda-las não somente embora, mas de evitar que fossem aceitas em qualquer outro lugar se reclamassem muito, ou se contassem a alguém.
Daiana nunca era a escolhida, tinha um ar por demais maduro e sério. Nada tímida, as vezes impetuosa. Mas aquele dia, justamente, depois de umas garrafa inteira da vinho na frente dos amigos, moleques quase todos de 16, 17 anos, ele apontou o dedo pra ela, como num maldita roleta russa.
Depois de expulsa-la do quarto, dizendo barbaridades, que Daiana julgou que seriam o limite da baixeza que viria, desapareceu para dentro de um dos quartos vagos, bêbado de cair, e por lá dormiu. Alves não hesitou em amparara-la paternalmente, orientado-a a seguir a rotina de “trabalho”. Machucada, e magoada, ela atendeu ainda mais cinco clientes. Dois deles simultaneamente, sendo que foram os últimos.
Um deles era até um belo rapaz, de não mais que trinta anos, bem apessoado, provavelmente conduzido pelo outro, mais velho e mais atrevido. Provavelmente colegas de trabalho, o mais velho, cujo nome Daiana ignorava, apresentava a casa ao outro. Por mais que tentasse, Daiana não foi capaz de lembrar se já o tinha atendido. Afinal, era tão medíocre. Tão comum e trivial, em nada se destacava dos outros tantos homens que possuíam seu corpo nas tardes vazias de sua vida. Mas estranhamente, sem saber em que momento escutou pela primeira vez, foi incapaz de esquecer o nome do mais jovem. Pablo. Tão... Educado... Foi cortês o tempo todo, tratou-a como a uma Lady. Sempre de olhar baixo, parecia um pouco envergonhado e tímido, mas conformado com a situação de ter de demonstrar que tudo estava sob controle. Foi dele a única boca que Daiana não recusou aquela tarde, durante o breve momento de desconcentração que sofreu em quanto o mais velho a penetrava por trás, na beirada da cama, aos solavancos. Neste momento, habitualmente, ela deveria chupar o rapaz da frente, para sensibiliza-lo ao máximo, então gozaria mais rápido, liberando-a. Mas estranhamente, não teve vontade de que fosse tão rápida assim a “vez” dele.
Foi neste instante que ela notou que ele a olhou nos olhos, como se não notasse que seu corpo sofria solavancos desenfreados e mal ritmados de um homem. Ela a olhava realmente observando seus olhos. E sorriu, segurando-a pelo queixo, e dando-lhe um suave, porém rápido, beijo nos lábios.
“- Pablo...” - Sussurrou, sozinha, caminhando entre as árvores da redenção. Era tarde. O Mini-Zoo estava fechado. Só veria os macacos bem ao longe, e não teria graça nenhuma. Seguiu andando, talvez a estátua do Buda, no templo oriental, tivesse algo que lhe trouxesse controle. Em breve estaria em casa, e ainda não sabia como contornar seu marido Adriano para que não visse os vários hematomas que o maldito moleque deixou em seus seios e nos braços.
Seguiu caminhando, contornando o espelho d’água, encrespado das rajadas de vento. Ao longe, avistou o topo vermelho do pequeno templo de Buda, com uma enorme pichação em azul no topo. “Toniolo”, dizia nela. Ficou a pensar... “- Meu Deus, isso está em toda a parte! Não pode haver um único pichador chamado Toniolo. Mas com exatamente a mesma caligrafia... Lendas de Porto Alegre”.
Seu vestido branco largo, até o meio das canelas, esvoaçava com seus detalhes em bordado azul claro. O elástico largo da cintura ao peito dava-lhe um bonito contorno contra o vento, combinando com o aspecto frio de sua face tão branca, mas rosada pelo vento. Tecido todo frisado, destes que a gente tem vontade de apertar. Seguiu andando. E lembrou de Pablo. Por um momento não pode lembrar-se se realmente foi penetrada por ele, como uma lacuna na memória. Rebuscou, lembrou-se do ilustre Sr. Italiano que veio antes, com um membro descomunal, mas de enorme facilidade para ejacular. Aliás, dez minutos e Daiana pode recolher de volta sua roupa, pois a Lingerie nem ao menos tirou...
Lembrou-se então do negro jovem, bonito. Mas faltavam-lhe modos, e gemia demais. Um pouco abrutalhado, e fixado em sexo anal. Deu-lhe trabalho, não conseguiu engana-lo com o truque da mão com gel, pois não permitiu que apagasse a luz. Queria ver a pele branca de Daiana em contraste com a sua. Havia tempo que Daiana não fazia anal. Doeu bastante, e a falta de calma do rapaz não contribuiu para sua retomada de prática. Teria que enganar seus clientes por mais uma semana para voltar a sentir prazer por trás...
O outro, Soldado Conscrito do Exército, um moleque de 18 anos, freguês semanal da casa. Entrava quieto, saia mudo. Seu dinheiro dava para apenas quinze minutos. As meninas em geral gostavam dele, meninote, tímido, sem grades pretensões. Apenas fazia o que tinha que fazer e ia embora. Alves não gostava dele por que não bebia nada, coitado, Na certa contava os vinténs para poder pagar quinze minutos do amor de uma mulher. Com Daiana foi a primeira vez, ela o tratou com um homem de verdade!Teve vontade de vê-lo sentido-se bem, pois era tão miúdo e franzino, “alemãozinho”... Devia ser motivo de chacota entre colegas no quartel, já que fugia ao perfil.
Mas claro... Pablo. Masturbou-se nos seios de Daiana o tempo quase todo, acariciando seus cabelos, olhando-a nos olhos, enquanto de algum modo, o velho se divertia entre as pernas dela, ou então, por trás. Ela mal o notou. Respondia ao olhar de Pablo como a um chamado encantado. No último momento, ela o teve por sobre seu corpo, por minutos que não soube contar, mas poucos, frente aos que queria. Mais alguns solavancos, bem ritmados, ele era caprichoso, e ela o sentiu tremer. O impulso dela, desta vez, não foi o de rapidamente segurar a beira da camisinha, para evitar que escorregasse e escorresse sêmen. Foi apenas o de abraça-lo. Mas não conseguiu fazer nem uma coisa, nem outra. Austero, ele mesmo cuidou de retirar cuidadosamente o membro, segurando corretamente o preservativo. Não o viu mais sorrir. “-Por que o orgasmo acaba com o encanto de qualquer homem...?” - questionou-se, pela milésima vez.
- Moça... está bem? - Daiana assustou-se, estava totalmente distraída, de olhar atônito, voltada para a estátua gorda e orelhuda de Buda.
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6 de julho de 2007
5 de maio de 2007
Os Motivos de Daiana - Parte II
Nota: Importante salientar que a compreensão deste conto depende essencialmente da leitura de sua primeira parte. O conto pode ser lido Aqui.
Uma fina chuva molhava os escorregadios paralelepípedos da Rua dos Andradas, e o vento gelado anunciava o típico inverno da capital gaúcha. Os tamancos de Daiana escorregavam nas pedras, e esbravejando por quase ter torcido os tornozelos, ela se dirige para a calçada. De expressão fechada, seguiu em direção a tradicional Praça da Alfândega. Com o passo determinado, o rosto oculto atrás do guarda-chuva, ela seguia de pernas molhadas pelo forte vento e a garoa fina e ininterrupta.
Ao aproximar-se da esquina que daria na praça, cuidou de fazer uma ligeira e discreta observação do entorno, buscando o máximo possível de privacidade. Uma olhada para a esquerda, uma para a direita... Ninguém parecia querer saber aonde iria aquela mulher tão comum, ainda mais em se tratando de um dia horrível como aquele. Daiana lançou o olhar para o canto esquerdo da praça, logo atrás do playground, de fundos para os sanitários, como quem procura algo. “- Cheguei cedo. Tenho tempo...” - Pensou baixo, enfiando de forma desajeitada o celular no bolso após ter verificado se havia alguma chamada.
O frio era intenso, não fazia mais que 10 graus centígrados. O Shopping seria o local perfeito para a concentração e os preparativos para os momentos que seguiriam. Entrou pela grande porta do edifício, e se dirigiu ao banheiro. No caminho, Daiana deparou-se com uma linda vitrine, de uma loja de presentes com decoração oriental. As cores lindas, detalhes vermelhos e dourados espalhados por todos os lados, objetos indescritíveis de utilidade indecifrável, enchiam-lhe os olhos. Lembrou-se imediatamente de um presente que ganhara de uma amiga de escola, ainda na infância interiorana. A menina de procedência japonesa, e ainda com parte da família radicada no Japão, lhe trouxera de uma de suas viagens um lindo conjunto de ornamentos artesanais, misturando finos origamis coloridos em papel vermelho e pequenas louçarias delicadíssimas. Mas o destino dos objetos seria terrível. Numa das discussões de seu pai com sua mãe, um ataque de fúria do rústico homem deram cabo nas louças, que partiram-se em centenas de cacos jogados ao chão.
A infância é algo estranho. Num ataque pessoal de raiva ao ver seu presente tão estimado destroçado apenas algumas semanas depois de ganhos, Daiana rasgou em pedaços um dos origamis, como num ato de rebeldia calada e contida. O demais origamis foram desmanchados na tentativa de se compreender as dobras, Como era de se imaginar, uma vez desfeitos, a menina jamais conseguiu reconstruí-los, acabaram virando apenas pequenos pedaços de um bonito papel. Assim como o simples pode virar algo belo, a ausência de sutileza pode reduzir a beleza ao nada.
Mas o curto devaneio de Daiana fora interrompido pelo estridente toque do celular. Apenas um toque. Era o sinal. “- Meu Deus, vou me atrasar!”.
Rapidamente, quase correndo, rumou ao banheiro do Shopping Center, conforme havia planejado. Ao entrar, a sua direita, fincou os olhos no espelho, notando o quanto escolhera mal a roupa com que saiu de casa, por medo de atrasar-se. Uma saia longa de lã cinza, e uma blusa da mesma cor. Longas meias de lã e tamancos fechados de camurça, sem prever que a garoa persistiria por tantas horas. Notou que sua pele estava pálida, por conta do forte vento gelado que havia na rua. Se perguntava silenciosamente o que fazia os homens terem desejos estranhos em dias como este. Por momentos, chegou a duvidar que o plano daria certo. Estava tão frio, apesar de ser junho... Mas enfim, cabia-lhe apenas “cumprir sua parte no trato”.
Trancou-se numa das cancelas do banheiro. Utilizou a de deficientes físicos, que tem mais espaço. Afinal, jamais viu um deficiente físico dentro de um banheiro, não conseguia imaginar que alguém precisaria justamente naquela hora.
Largou a sacola de papel pardo sobre a tampa do vaso, e os sons de seus tecidos sendo despidos ecoavam pelo banheiro deserto. Por instantes, sentiu-se insegura, afinal, sairia dali muito diferente do momento eu que entrou. Ao despir-se da saia, revelou no tom branco de sua pele uma deslumbrante calcinha de rendas vermelhas e detalhes pretos. O fino acabamento dava ares de arte de época, e sua pele arrepiada parecia continuidade do tecido áspero.
Apressada, esvaziou a sacola sobre a tampa do vaso, deixando cair no chão o estojo de maquiagem. A teoria do caos, logicamente, fez com que este rolasse por baixo da porta, para fora do reservado. Sem pensar, Daiana rapidamente abriu a porta, com os olhos no chão em busca do estojo. Mas, os defrontar-se com um par de tênis juvenis, quase morreu de susto. Julgava-se sozinha no banheiro, pois não ouvira a porta abrir-se. Era uma menina, de não mais que 15 anos, que se assustou tanto quanto Daiana, afinal, não é comum uma mulher de pele tão alva, calcinha de cor vermelha vivo e peitos desnudos, sai pela porta do reservado de um banheiro! Após o constrangimento, a menina agachou-se e juntou o estojo para Daiana, totalmente sem jeito, e desviando o olhar, envergonhada e rubra.
Daiana agradeceu, não se deixou intimidar demais, afinal, tinha pressa. Rapidamente, já novamente no reservado, vestiu suas pernas com longas e transparentes meias ¾ degradê, de preto para vermelhas em direção às volumosas coxas, e foi sentindo o alívio do nylon aquecendo sua pele gelada. Com esforço, conseguiu prender o corpete também vermelho, com detalhes bordados em preto, dando ao seu corpo contornos esculturais e extremamente sedutores. Seu cabelo negro e totalmente alisado, em corte chanel, com as pontas estrategicamente viradas para o queixo, davam-lhe o tom de uma mensalina. Faltava pouco.
Agora, um sobretudo longo, de tom sóbrio entre preto e cinza, cobriam totalmente a sensualidade que era exalada do choque entre as cores e sua alvura. Só a maquiagem lhe faltava. Daiana está prestes a ser desincorporada para dar lugar a Jaque. A exuberante mulher deixou o reservado rumo ao espelho, munida de seu estojo e apetrechos, e com a precisão de um artista plástico, foi dando ao seu pálido rosto, os tons quentes de um quadro de Luis Royo. Aliás, seu corpo parecia estar pensado e projetado em uma tela por ele próprio. Jaque despertava.
Uma rápida consulta ao relógio do celular... “- Ok. Cinco minutos...”
Mas por um segundo, seu olhar perdeu-se no espelho. Reparou que o tempo lhe ensinou a maquiar-se com perfeição. Mas roubou-lhe o gosto de ver-se sem maquiagem.
“- Como eu sou sem isso?” - questionou-se por um segundo... Ela já não se lembrava mais, mesmo tendo estado livre de sua arte há menos de 10 minutos. Pois bem, pra que lhe servia o espelho, senão para construir Jaqueline...? Não! Era preciso concentrar-se, o tempo se esgotava. Não queria chegar lá e não encontrar ninguém mais ao seu aguardo. E mais um toque em seu celular alertou-lhe que era hora. Rápida conferida, e ok. Vamos.
Daiana, ou melhor, agora Jaque, deixou o banheiro sem notar duas coisas. Era observada atentamente pela menina que espiava de dentro de um dos reservados, atenta a cada movimento dela enquanto se maquiava. Não notou também que deixara sobre a pia o seu estojo de maquiagem.
Rapidamente, Jaqueline subiu pela escada roalnte para sair do Shopping, sentindo o desconforto do salto trancado nos frisos da escada metálica. Cuidadosamente, destrancou-se e saiu rapidamente pela grande porta. O percurso era reto, a praça era quase exatamente na frente. Mas ela resolveu fazer um caminho mais longo, queria passar em frente à estátua de Mário Quintana, simuladamente sentada em um banco da praça. Adorava olhar aquela estátua. Ela sempre desejou ler um livro de Quintana, mas nunca lembrava-se de comprar um. As pessoas falavam tanto. Devia ser bom, afinal, era poesia. E poesia lhe fazia pensar em coisas boas, como um bom algodão doce. Ok... Nada de delírios, é hora da obrigação.
Virou à esquerda, e foi em direção aos sanitários públicos. A chuva agora havia parado, uma leve brisa carregada de umidade fria ainda fazia com que os desabrigados, vadios, crianças de rua, que normalmente circundam aquele local, estivessem nalgum lugar mais protegido. Lá estava um homem. Era baixo, estava em defronte ao sanitário masculino. Aliás, o forte cheiro de urina denunciava a pouca higiene dos banheiros públicos da capital. Mas afinal, que tipo de gente usa estes banheiros? Certamente gente que não tem voz para reclamar. Jaqueline usou o celular e deu um toque. O homem imediatamente conferiu o seu, então ela teve certeza. Era ele. E foi em sua direção.
Era um homem baixo, meio ruivo, não mais que 40 anos, usava uma jaqueta batida de veludo frisado, e calça de brim. Esfregava as mãos para aquecer, quando viu Jaqueline aproximar-se. A forma como pasmou ao vela era bem evidente. Os passos precisos de Jaqueline em sua direção, naquele lindo casaco longo, quase até os tornozelos, saltos longos e finos. A boca maravilhosamente vermelha, olhos fortemente pintados de contornos negros... A boca do homem levou oito segundos para fechar-se.
- És tu o Ismael? - Perguntou Jaque, desdenhosa.
- Eu... Sim, sou eu. Tu é a Jaque, né? (risos) O Alves me disse que era muito bonita mesmo. Nossa! Então... Vamos... Vamos fazer, então? - Seu jeito nervoso irritava profundamente Jaque. Conhecia aquele tipo. Tímido, retraído. Feio. Achava que dar dinheiro a uma puta o tornava o homem que jamais foi capaz de sentir-se. Mas afinal, quem era ela para julgá-lo. Precisava receber esse dinheiro para sentir-se realmente mulher.
- Onde vai ser, aí dentro? - Perguntou Jaqueline, apontando para o banheiro.
- É, vai. Entra aí. Pode passar. - olhou em torno, para ver se alguém os olhava, sem encontrar testemunhas - entra, não tem ninguém!
Jaque entrou, e foi impossível não levar a mão ao rosto, cobrindo o nariz. O cheiro era terrível, e o chão tinha camadas finas de lodo trazido por pés embarrados da chuva. Mas parecia mais embebido em mijo choco do que em água da chuva. Chegou a conter-se, quase abortando a idéia, e ia sugerir outro lugar quando sentiu as mãos do camarada empurrar-lhe de forma pouco delicada para o interior do banheiro. Virou-se, e viu como estava agitado, nervoso, pondo e tirando as mãos dos bolsos.
- O Alves me disse que tu é muito boa, eu disse que queria a melhor! - Com olhar inconstante, espiava-se todo, gesticulando desajeitado. Espiou para a rua, e rapidamente encostou a porta. Virou-se rápido para Jaqueline, que estava em pé, de costas para um mictório. Olhava-a de cima a baixo, e então para os lados, nervoso. Ela sentiu um pouco de medo, estava incerta dos fatos seguintes.
- Tua ta pelada aí embaixo? - Perguntou ele, inclinando-se em direção a ela, e puxando a lapela do sobretudo de Jaque, rapidamente tirando a mão e levando à testa, nervoso.
“- Ok, vamos acabar logo com isso” - pensou Jaqueline, enauseada com o fedor do lugar. “- Vou fazer logo o que ele quer”. - Deu um jeito na grande sacola de compras, destas grandes, de papel pardo firme, com cuidado para não molhar, deixou-a sobre uma pia.
- Então, quer me ver? - perguntou ela, abrindo um a um os botões do casaco. - Não estou pelada, mas posso ficar, se tu quiseres.
- Abre, abre...! Anda, me mostra teus peitos - e foi logo levando a mão sobre o seio esquerdo de Jaqueline, apressadamente. Com a outra mão, fazia pressão entre as próprias pernas, apertando o membro por cima das calças. - Deixa eu chupar teus peitos. Abre isso daí.
“- Isso daí?!” – pensou Jaque. “- Esse ignorante chama meu fino Corsset de ‘isso daí’...”.
Ismael foi empurrando Jaque em direção ao mictório, e sem notar, ela apoiou-se nele. De forma desordenada e faminta, ela abriu o casaco totalmente, a lingerie vermelha pareceu iluminar o antro fétido e penumbroso. Com a mão direita, abriu a braguilha das calças e puxou o membro pra fora, masturbando-se. Jaqueline procurava apoiar-se de modo a não cair sentada dentro do mictório, mas ele a pressionava, ela quase não suportava seu peso. O camarada não continha qualquer impulso, e chupava vorazmente os seios de Jaqueline, chegando a morde-los com força demasiada em alguns momentos. Jaqueline cerrava os dentes, e franzia a testa, tentando conte-lo um pouco pelos ombros, mas dava-lhe a liberdade necessária para que acabasse logo.
- Vem cá - disse o homem, agora transformado em alguém menos tímido e mais dominador - senta aí.
Puxou a linda esguia mulher em direção ao apartado sanitário, e sentou-a no vaso. De imediato, Jaqueline presumiu que as barras do casaco encontariam no chão, e tentou puxa-las para cima. Era tarde. E as mãos determinadas do ruivo empurraram-na para trás pelos ombros, e com as pernas abertas e calças arriadas colocou-se sobre ela, pondo os delicados joelhos dela entre os seus, e apertou-os. Com o membro em punhos, puxou o rosto de Jaqueline contra seu escroto, segurando-a pelos cabelos de forma abrutalhada. Ela sentia um forte cheiro de suor no corpo dele, misturado a desodorante com álcool. De certo modo, isso parecia aliviar o cheiro horrível de urina daquele banheiro sujo. Sentiu-se até confortável com o rosto enfiado entre as virilhas do ruivo.
Ele não demorou a puxa-la novamente pelos cabelos. Precisava mostrar quem mandava. Ela encarou-o nos olhos, e isso pareceu deixa-lo desconfortável. Puxou-a mais forte, afim de reprimi-la.
- Não me olha, vaca. Não olha pra mim, olha pro pau. Pro pau. - e foi depositando-lhe o membro entre os lábios, que resistiram instintivamente a se abrirem. Seu membro estava ainda meio flácido, e as mãos trêmulas. Ele apertava o pênis pela base, para dar a impressão de estar mais duro do que na verdade estava. Apertava ate inchar a glande avermelhada, e passava nos lábios de Jaque, que num gesto involuntário, virou o rosto. Mas foi reprimida pelo forte puxão de cabelos, e alguns solavancos.
- Ta bom, ta bom, calma, cal... – e, gesticulando com as mão espalmadas num pedido de calma, teve a boca invadida pelo pênis empurrado pelos dedos do homem que parecia ignorar qualquer cerimônia. Afinal, era só uma puta.
Um imediato transe tomou conta de Jaqueline... Sentia gosto de sabonete, misturado com um gosto cítrico, meio azedo. Nada forte, tampouco insuportável... Misteriosamente, confortante. As mãos, antes espalmadas, agora repousavam no quadril de Ismael, que aos solavancos, ia estocando descoordenado em sua boca, ora em sua garganta. O membro começava a pulsar, tomando ares de ereção. Jaqueline já sentia vazar pequenas gotas de líquido seminal, sabor este que apreciava. Começava a sentir-se relaxada, e soltou-se. As mãos, que antes continham o quadril do homem que a estocava a garganta, agora percorriam carinhosamente a lateral do quadril dele, quase num secreto desejo de puxa-lo contra si. E estava determinada a faze-lo, quando o tomou pelas nádegas para conduzir o ritmo... A reação foi violenta...
- Puta, vaca, vagabunda. - um empurrão lançou Jaque para trás, fazendo-a chocar-se contra o cano da caixa de descarga - tira a mão da minha bunda, porra. Ta achando que eu sou putão, é? Vaca.
Assustada, Jaqueline encolheu-se, virando quase de lado, como podia, pois estava sentada, e com as pernas presas entre as dele, que estava em pé. Mas ele a tomou novamente pelos cabelos, na altura da nuca, trazendo seu rosto contra seu pênis. Resistindo, com os ombros contraídos, Jaque o suportou se masturbando com a glande encostada em sua bochecha, melando toda a sua face com o líquido transparente que escorria de seu membro. Jaqueline torceu para que aquele homem se acabasse ali. Afinal, o que Alves lhe ordenou por telefone, e que já estava previamente acertado, ela apenas “uma chupada, num banheiro qualquer”. O trabalho estava chegando ao fim.
- Te levanta, Jaque. Quero ver tua bunda. Levanta.
- Ta bom, estou levantando, - disse ela, recolhendo as abas já enlameadas do casaco - deixa só eu me esticar... ai...
- Levanta o casaco aí, deixa eu ver essa bunda. - e sem muita cerimônia, agarrou o casaco de Jaque e virou-a subitamente de costas para si. Desequilibrada pela violência do puxão, Jaqueline deteve-se com o joelho sobre o assento do vaso, agarrada no cano da caixa de descarga. Só então percebeu o risco ao qual estava exposta. Mas era tarde.
O Pequeno homem ruivo tinha braços fortes, e passou o braço esquerdo por dentro do casaco, recolhendo-o sobre o ombro. Com a mão direita metida entre as pernas de Jaque, tentava afastar a calcinha entre suas pernas, e encaixar o membro agora totalmente duro e teso, na sua vagina. Jaqueline tentava desvencilhar-se, mas tinhas o braços totalmente presos pelo casaco muito bem contido por ele. Restavam-lhe os movimentos dos quadris, tentando desviar-se de uma penetração desprotegida e sem camisinha. Um desespero tomou conta dela, que chegou a cogitar gritar por socorro... Mas um transe quase hipnótico a tomou repentinamente... Sentia uma contração convulsa no ventre, uma sensação acalorada que a fazia contorcer involuntariamente os quadris, e seus gemidos simplesmente escaparam de sua garganta, abafados por um impulso de conter-se, de repúdio a si mesma, por estar... excitando-se...
Com a mão direita, Ismael tentava empurrar o pênis para dentro da vagina de Jaque, mas o ângulo desajustado, e a clara falta de habilidade do homem, tornavam a tarefa quase impossível. A calcinha escapava de seus dedos e impediam até mesmo o contato de sua glande com a vagina da mulher agora em transe e totalmente indefesa. Num gesto de desespero, o ruivo largou-lhe o casaco, e num puxão seco e forte, rasgou a calcinha de Jaque, percorrendo com o dedo por entre as nádegas de Jaque até encontrar seu ânus. Mergulhou sem qualquer prenúncio o polegar em sua carne sem lubrificação. Um grito abafado fugiu da boca de Jaqueline... Outro não tão abafado da boca de Ismael. Golfadas de sêmen atingiam as coxas de Jaque por trás, uma após a outra, sob os movimentos convulsos do pequeno homem, que parecia quase tombar com as pernas amolecidas...
As respirações arfantes de ambos eram agora o único som... Ele estava de ombro apoiado na parede lateral do cubículo. Ela, abraçada no cano junto à parede, de olhos cerrados e mente totalmente alienada. Nem pode perceber que ele já ia deixando o cubículo, puxando as calças arriadas. Ela permaneceu ali, na mesma posição, agora com os dois joelhos, já feridos, sobre o assento amarelado do vaso sanitário.
- Ta, eu... Eu já acertei com o Alves, ta? Depois tu vê com ele, eu to quase atrasado. Eu só tenho 45 minutos de horário de almoço, ta quase na hora de voltar. Obrigado, viu?
Jaqueline não o escutou. Estava ainda em transe. Lembrava da sensação de estar tomando banho no mar pela primeira vez, uns 5 anos antes... Toda aquela espuma, a água salgada, tudo tão grande... Que coisa divina, o barulho parecia nunca acabar. Mas sentia ainda aquele calor no ventre. E vulva estava absolutamente encharcada, o útero em fogo. Por certos momentos, torcia para que aquele homem ridículo lhe acertasse a entrada da gruta, e a fizesse sentir o inferno dentro de si... Com a mão esquerda, começou a fazer movimentos circulares em torno do clitóris... Nunca diretamente, pois era sensível. E estava muito, muito intumescido, chegava a doer. O movimento com os dedos, melados dela mesma... a sensação de esperma ainda quente escorrendo por suas coxas, e entre elas... Ahh.... Jaqueline agarrou-se de todas as formas a todas as paredes dentro do cubículo, e seu orgasmo foi tão intenso, que suas pernas amoleceram ao ponto de quase ir de joelhos ao chão.
Mas o chão estava cheio de urina. Iria sujar suas linda meias rubro-negras em degradê. Seria um pecado, peças tão lidas. Bastava o casaco, que federia por meses até ser totalmente limpo. Recomposta, Jaque abriu a porta do cubículo, e com o olhar, procurou um espelho. Mas um lugar como aquele, certamente não possuiria um espelho decente. De repente, um homem entra pela porta aberta do banheiro, e deparar-se com Jaqueline, de casaco aberto, calcinhas arrebentadas, presas somente a cintura, espartilhos com a frente retorcida e seios praticamente descobertos... certamente ficou surpreso demais para reagir. Pasmou, e ficou estático, olhando. Era apenas um velho homem, quase octogenário. Jaqueline olhou-o com absoluta indiferença. Tratou de arrumar sua roupa, recompor sua aparência e partir. Saiu do banheiro, determinada e segura. Um pouco descabelada, mas despreocupada. O serviço estava feito. Atravessou a rua.
Enquanto caminhava em direção ao banheiro do shopping, onde poderia arrumar a maquiagem para voltar para casa, deixou-se pegar curtindo uma sensação de êxtase. Aquela sensação que carregava dentro do ventre, dentro do útero, de sacies, de orgasmo, que se estende por um dia inteiro... “- meia hora pode parecer uma eternidade...”.
Ao passar pela praça de alimentação, indo em direção ao toalete, nossa exuberante mulher de até então parecia esmorecer-se aos poucos, como se o tempo passasse mais de vagar. Seu olhar já não mais era tão determinado, um certo ar de cansaço dividia espaço com a sensação de relativa sacies... Ao percorrer, em câmera lenta, o olhar pela praça de alimentação, sentiu-se estranhamente observada. Por um momento, estagnou. Virando-se lentamente, seus olhos buscavam algo oculto no seu entorno, pois sabia que alguém a observava. Os olhos negros e grandes, realçados pela pintura já borrada pelo êxtase e pela umidade da chuva, em felina procura, fatiavam as cenas em busca de alguém...
Um sutil toque em seu ombro, por trás de si, e ela sabia... Fora achada antes que pudesse achar o observador...
- Moça... Oi. Eu te vi no banheiro...
Antes de conseguir pensar ou mesmo reconhecer a pessoa ali parada, sua mente rebuscou alguma justificativa para estar lá, naquele banheiro imundo, quando então, reconheceu... A menina que juntara seu estojo de maquiagens, no toalete. Seu ânimo aliviou-se como de imediato.
- Oi...! Desculpa, eu pensei que... Ah, deixa, Desculpa. Pensei que fosse outra coisa.
- É que... Tu esqueceu isso no banheiro, eu... Achei, tentei te chamar, fui atrás de você, mas você...
- Eu entrei num lugar onde tu não poderias entrar...
- É... Desculpa, eu achei que não voltarias. - com o braço esticado, devolvia o estojo para sua dona, com um ar envergonhado, e um olhos diferentes dos que foram vistos anteriormente no toalete.
Ao observar o rosto da menina, notou que ela tentara maquiar-se, desastradamente. Uma sensação ruim apoderou-se dela. Era uma menina tão... menina. E a maquiagem exagerada que quebrava a inocência de seu pequeno rosto cortava o coração de quem observasse a cena em toda a extensão de seu contexto.
- Tu estás sozinha aqui? – questionou, preocupada com o tempo que a menina lhe aguardara.
- Não, minha mãe trabalha naquela loja, almoço aqui todo o dia, no intervalo do colégio. Qual é teu nome, moça?
Um instante de hesitação, em busca de uma resposta que parecia difícil de ser formulada. Mas um terno sorriso precedeu a resposta:
- Daiana, querida. Me chamo Daiana. E tu, como te chamas?
- Jaqueline. - um estampido mudo, calado, atingiu o coração de Daiana, que cerrou os olhos, virando um pouco o rosto.
Um afago no rosto da menina, e Daiana deu um tom de despedida. Tinha de ir para casa.
- Olha, Jaqueline. Fica com isso - colocando na mão da menina o delicado estojo - mas não usas mais, ok? Eu prometo que ainda esta semana eu venho até aqui, e te ensino direitinho como se usa isso, ta?
Com um sorriso imenso, a menina agradeceu.
- Eu venho todo o dia aqui!
Sem dizer mais nada, Daiana a deixou.
Ao olhar-se no espelho, notou que estava com um ar bastante abatido. Tudo bem, Adriano não estaria em casa na hora que ela chegasse mesmo. Nem a veria daquele jeito. Deixou o prédio, ainda vestida com o grande casaco, praticamente nua por debaixo.
“- Odeio o centro. Não se vê um vendedor de algodão doce. É um desperdício. Tenho certeza que não sou a única aqui que quer um...” - Pensava ela, caminhando lentamente em direção à parada de ônibus. - Hoje não tem algodão amarelo...
A pequena viagem passou ligeiro, foi distraída o caminho todo. De vez em quando, sentia a sensação do sêmen ressecado grudado nas coxas. Gostava de sentir isso. De sentir gozo de homens... Ser o motivo deste gozo...
Ao colocar a chave na porta de casa, foi surpreendida. Adriano abriu a porta por dentro, olhando-a como ar de desdém:
- Onde tu tava? - Perguntou ele, quase indiferente.
- Passeando no Shopping - respondeu ela, da mesma forma - Queria comprar umas coisas, mas não achei.
Adriano voltou para seu sofá e seu jornal. Ele sairia em seguida para uma viagem a trabalho, por isso passou em casa. Sem olha-la uma vez sequer nos olhos, questionou.
- Mas que cheiro de mijo é esse?
Às costas dele, Daiana chegou a alisar o esperma seco espalhado entre suas coxas enquanto pensava em algo para responder.
- Pois é, estive num banheiro público. E meu casaco encostou no chão. Deve ser isso.
- Que coisa nojenta. Esses banheiros públicos são um antro de porcos. Só tem bagaceiros, putas e drogados.
Daiana ficou observando...
“- É... Ele não está de todo errado. Definitivamente, não está...”
- Quer café?
...
Uma fina chuva molhava os escorregadios paralelepípedos da Rua dos Andradas, e o vento gelado anunciava o típico inverno da capital gaúcha. Os tamancos de Daiana escorregavam nas pedras, e esbravejando por quase ter torcido os tornozelos, ela se dirige para a calçada. De expressão fechada, seguiu em direção a tradicional Praça da Alfândega. Com o passo determinado, o rosto oculto atrás do guarda-chuva, ela seguia de pernas molhadas pelo forte vento e a garoa fina e ininterrupta.
Ao aproximar-se da esquina que daria na praça, cuidou de fazer uma ligeira e discreta observação do entorno, buscando o máximo possível de privacidade. Uma olhada para a esquerda, uma para a direita... Ninguém parecia querer saber aonde iria aquela mulher tão comum, ainda mais em se tratando de um dia horrível como aquele. Daiana lançou o olhar para o canto esquerdo da praça, logo atrás do playground, de fundos para os sanitários, como quem procura algo. “- Cheguei cedo. Tenho tempo...” - Pensou baixo, enfiando de forma desajeitada o celular no bolso após ter verificado se havia alguma chamada.
O frio era intenso, não fazia mais que 10 graus centígrados. O Shopping seria o local perfeito para a concentração e os preparativos para os momentos que seguiriam. Entrou pela grande porta do edifício, e se dirigiu ao banheiro. No caminho, Daiana deparou-se com uma linda vitrine, de uma loja de presentes com decoração oriental. As cores lindas, detalhes vermelhos e dourados espalhados por todos os lados, objetos indescritíveis de utilidade indecifrável, enchiam-lhe os olhos. Lembrou-se imediatamente de um presente que ganhara de uma amiga de escola, ainda na infância interiorana. A menina de procedência japonesa, e ainda com parte da família radicada no Japão, lhe trouxera de uma de suas viagens um lindo conjunto de ornamentos artesanais, misturando finos origamis coloridos em papel vermelho e pequenas louçarias delicadíssimas. Mas o destino dos objetos seria terrível. Numa das discussões de seu pai com sua mãe, um ataque de fúria do rústico homem deram cabo nas louças, que partiram-se em centenas de cacos jogados ao chão.
A infância é algo estranho. Num ataque pessoal de raiva ao ver seu presente tão estimado destroçado apenas algumas semanas depois de ganhos, Daiana rasgou em pedaços um dos origamis, como num ato de rebeldia calada e contida. O demais origamis foram desmanchados na tentativa de se compreender as dobras, Como era de se imaginar, uma vez desfeitos, a menina jamais conseguiu reconstruí-los, acabaram virando apenas pequenos pedaços de um bonito papel. Assim como o simples pode virar algo belo, a ausência de sutileza pode reduzir a beleza ao nada.
Mas o curto devaneio de Daiana fora interrompido pelo estridente toque do celular. Apenas um toque. Era o sinal. “- Meu Deus, vou me atrasar!”.
Rapidamente, quase correndo, rumou ao banheiro do Shopping Center, conforme havia planejado. Ao entrar, a sua direita, fincou os olhos no espelho, notando o quanto escolhera mal a roupa com que saiu de casa, por medo de atrasar-se. Uma saia longa de lã cinza, e uma blusa da mesma cor. Longas meias de lã e tamancos fechados de camurça, sem prever que a garoa persistiria por tantas horas. Notou que sua pele estava pálida, por conta do forte vento gelado que havia na rua. Se perguntava silenciosamente o que fazia os homens terem desejos estranhos em dias como este. Por momentos, chegou a duvidar que o plano daria certo. Estava tão frio, apesar de ser junho... Mas enfim, cabia-lhe apenas “cumprir sua parte no trato”.
Trancou-se numa das cancelas do banheiro. Utilizou a de deficientes físicos, que tem mais espaço. Afinal, jamais viu um deficiente físico dentro de um banheiro, não conseguia imaginar que alguém precisaria justamente naquela hora.
Largou a sacola de papel pardo sobre a tampa do vaso, e os sons de seus tecidos sendo despidos ecoavam pelo banheiro deserto. Por instantes, sentiu-se insegura, afinal, sairia dali muito diferente do momento eu que entrou. Ao despir-se da saia, revelou no tom branco de sua pele uma deslumbrante calcinha de rendas vermelhas e detalhes pretos. O fino acabamento dava ares de arte de época, e sua pele arrepiada parecia continuidade do tecido áspero.
Apressada, esvaziou a sacola sobre a tampa do vaso, deixando cair no chão o estojo de maquiagem. A teoria do caos, logicamente, fez com que este rolasse por baixo da porta, para fora do reservado. Sem pensar, Daiana rapidamente abriu a porta, com os olhos no chão em busca do estojo. Mas, os defrontar-se com um par de tênis juvenis, quase morreu de susto. Julgava-se sozinha no banheiro, pois não ouvira a porta abrir-se. Era uma menina, de não mais que 15 anos, que se assustou tanto quanto Daiana, afinal, não é comum uma mulher de pele tão alva, calcinha de cor vermelha vivo e peitos desnudos, sai pela porta do reservado de um banheiro! Após o constrangimento, a menina agachou-se e juntou o estojo para Daiana, totalmente sem jeito, e desviando o olhar, envergonhada e rubra.
Daiana agradeceu, não se deixou intimidar demais, afinal, tinha pressa. Rapidamente, já novamente no reservado, vestiu suas pernas com longas e transparentes meias ¾ degradê, de preto para vermelhas em direção às volumosas coxas, e foi sentindo o alívio do nylon aquecendo sua pele gelada. Com esforço, conseguiu prender o corpete também vermelho, com detalhes bordados em preto, dando ao seu corpo contornos esculturais e extremamente sedutores. Seu cabelo negro e totalmente alisado, em corte chanel, com as pontas estrategicamente viradas para o queixo, davam-lhe o tom de uma mensalina. Faltava pouco.
Agora, um sobretudo longo, de tom sóbrio entre preto e cinza, cobriam totalmente a sensualidade que era exalada do choque entre as cores e sua alvura. Só a maquiagem lhe faltava. Daiana está prestes a ser desincorporada para dar lugar a Jaque. A exuberante mulher deixou o reservado rumo ao espelho, munida de seu estojo e apetrechos, e com a precisão de um artista plástico, foi dando ao seu pálido rosto, os tons quentes de um quadro de Luis Royo. Aliás, seu corpo parecia estar pensado e projetado em uma tela por ele próprio. Jaque despertava.
Uma rápida consulta ao relógio do celular... “- Ok. Cinco minutos...”
Mas por um segundo, seu olhar perdeu-se no espelho. Reparou que o tempo lhe ensinou a maquiar-se com perfeição. Mas roubou-lhe o gosto de ver-se sem maquiagem.
“- Como eu sou sem isso?” - questionou-se por um segundo... Ela já não se lembrava mais, mesmo tendo estado livre de sua arte há menos de 10 minutos. Pois bem, pra que lhe servia o espelho, senão para construir Jaqueline...? Não! Era preciso concentrar-se, o tempo se esgotava. Não queria chegar lá e não encontrar ninguém mais ao seu aguardo. E mais um toque em seu celular alertou-lhe que era hora. Rápida conferida, e ok. Vamos.
Daiana, ou melhor, agora Jaque, deixou o banheiro sem notar duas coisas. Era observada atentamente pela menina que espiava de dentro de um dos reservados, atenta a cada movimento dela enquanto se maquiava. Não notou também que deixara sobre a pia o seu estojo de maquiagem.
Rapidamente, Jaqueline subiu pela escada roalnte para sair do Shopping, sentindo o desconforto do salto trancado nos frisos da escada metálica. Cuidadosamente, destrancou-se e saiu rapidamente pela grande porta. O percurso era reto, a praça era quase exatamente na frente. Mas ela resolveu fazer um caminho mais longo, queria passar em frente à estátua de Mário Quintana, simuladamente sentada em um banco da praça. Adorava olhar aquela estátua. Ela sempre desejou ler um livro de Quintana, mas nunca lembrava-se de comprar um. As pessoas falavam tanto. Devia ser bom, afinal, era poesia. E poesia lhe fazia pensar em coisas boas, como um bom algodão doce. Ok... Nada de delírios, é hora da obrigação.
Virou à esquerda, e foi em direção aos sanitários públicos. A chuva agora havia parado, uma leve brisa carregada de umidade fria ainda fazia com que os desabrigados, vadios, crianças de rua, que normalmente circundam aquele local, estivessem nalgum lugar mais protegido. Lá estava um homem. Era baixo, estava em defronte ao sanitário masculino. Aliás, o forte cheiro de urina denunciava a pouca higiene dos banheiros públicos da capital. Mas afinal, que tipo de gente usa estes banheiros? Certamente gente que não tem voz para reclamar. Jaqueline usou o celular e deu um toque. O homem imediatamente conferiu o seu, então ela teve certeza. Era ele. E foi em sua direção.
Era um homem baixo, meio ruivo, não mais que 40 anos, usava uma jaqueta batida de veludo frisado, e calça de brim. Esfregava as mãos para aquecer, quando viu Jaqueline aproximar-se. A forma como pasmou ao vela era bem evidente. Os passos precisos de Jaqueline em sua direção, naquele lindo casaco longo, quase até os tornozelos, saltos longos e finos. A boca maravilhosamente vermelha, olhos fortemente pintados de contornos negros... A boca do homem levou oito segundos para fechar-se.
- És tu o Ismael? - Perguntou Jaque, desdenhosa.
- Eu... Sim, sou eu. Tu é a Jaque, né? (risos) O Alves me disse que era muito bonita mesmo. Nossa! Então... Vamos... Vamos fazer, então? - Seu jeito nervoso irritava profundamente Jaque. Conhecia aquele tipo. Tímido, retraído. Feio. Achava que dar dinheiro a uma puta o tornava o homem que jamais foi capaz de sentir-se. Mas afinal, quem era ela para julgá-lo. Precisava receber esse dinheiro para sentir-se realmente mulher.
- Onde vai ser, aí dentro? - Perguntou Jaqueline, apontando para o banheiro.
- É, vai. Entra aí. Pode passar. - olhou em torno, para ver se alguém os olhava, sem encontrar testemunhas - entra, não tem ninguém!
Jaque entrou, e foi impossível não levar a mão ao rosto, cobrindo o nariz. O cheiro era terrível, e o chão tinha camadas finas de lodo trazido por pés embarrados da chuva. Mas parecia mais embebido em mijo choco do que em água da chuva. Chegou a conter-se, quase abortando a idéia, e ia sugerir outro lugar quando sentiu as mãos do camarada empurrar-lhe de forma pouco delicada para o interior do banheiro. Virou-se, e viu como estava agitado, nervoso, pondo e tirando as mãos dos bolsos.
- O Alves me disse que tu é muito boa, eu disse que queria a melhor! - Com olhar inconstante, espiava-se todo, gesticulando desajeitado. Espiou para a rua, e rapidamente encostou a porta. Virou-se rápido para Jaqueline, que estava em pé, de costas para um mictório. Olhava-a de cima a baixo, e então para os lados, nervoso. Ela sentiu um pouco de medo, estava incerta dos fatos seguintes.
- Tua ta pelada aí embaixo? - Perguntou ele, inclinando-se em direção a ela, e puxando a lapela do sobretudo de Jaque, rapidamente tirando a mão e levando à testa, nervoso.
“- Ok, vamos acabar logo com isso” - pensou Jaqueline, enauseada com o fedor do lugar. “- Vou fazer logo o que ele quer”. - Deu um jeito na grande sacola de compras, destas grandes, de papel pardo firme, com cuidado para não molhar, deixou-a sobre uma pia.
- Então, quer me ver? - perguntou ela, abrindo um a um os botões do casaco. - Não estou pelada, mas posso ficar, se tu quiseres.
- Abre, abre...! Anda, me mostra teus peitos - e foi logo levando a mão sobre o seio esquerdo de Jaqueline, apressadamente. Com a outra mão, fazia pressão entre as próprias pernas, apertando o membro por cima das calças. - Deixa eu chupar teus peitos. Abre isso daí.
“- Isso daí?!” – pensou Jaque. “- Esse ignorante chama meu fino Corsset de ‘isso daí’...”.
Ismael foi empurrando Jaque em direção ao mictório, e sem notar, ela apoiou-se nele. De forma desordenada e faminta, ela abriu o casaco totalmente, a lingerie vermelha pareceu iluminar o antro fétido e penumbroso. Com a mão direita, abriu a braguilha das calças e puxou o membro pra fora, masturbando-se. Jaqueline procurava apoiar-se de modo a não cair sentada dentro do mictório, mas ele a pressionava, ela quase não suportava seu peso. O camarada não continha qualquer impulso, e chupava vorazmente os seios de Jaqueline, chegando a morde-los com força demasiada em alguns momentos. Jaqueline cerrava os dentes, e franzia a testa, tentando conte-lo um pouco pelos ombros, mas dava-lhe a liberdade necessária para que acabasse logo.
- Vem cá - disse o homem, agora transformado em alguém menos tímido e mais dominador - senta aí.
Puxou a linda esguia mulher em direção ao apartado sanitário, e sentou-a no vaso. De imediato, Jaqueline presumiu que as barras do casaco encontariam no chão, e tentou puxa-las para cima. Era tarde. E as mãos determinadas do ruivo empurraram-na para trás pelos ombros, e com as pernas abertas e calças arriadas colocou-se sobre ela, pondo os delicados joelhos dela entre os seus, e apertou-os. Com o membro em punhos, puxou o rosto de Jaqueline contra seu escroto, segurando-a pelos cabelos de forma abrutalhada. Ela sentia um forte cheiro de suor no corpo dele, misturado a desodorante com álcool. De certo modo, isso parecia aliviar o cheiro horrível de urina daquele banheiro sujo. Sentiu-se até confortável com o rosto enfiado entre as virilhas do ruivo.
Ele não demorou a puxa-la novamente pelos cabelos. Precisava mostrar quem mandava. Ela encarou-o nos olhos, e isso pareceu deixa-lo desconfortável. Puxou-a mais forte, afim de reprimi-la.
- Não me olha, vaca. Não olha pra mim, olha pro pau. Pro pau. - e foi depositando-lhe o membro entre os lábios, que resistiram instintivamente a se abrirem. Seu membro estava ainda meio flácido, e as mãos trêmulas. Ele apertava o pênis pela base, para dar a impressão de estar mais duro do que na verdade estava. Apertava ate inchar a glande avermelhada, e passava nos lábios de Jaque, que num gesto involuntário, virou o rosto. Mas foi reprimida pelo forte puxão de cabelos, e alguns solavancos.
- Ta bom, ta bom, calma, cal... – e, gesticulando com as mão espalmadas num pedido de calma, teve a boca invadida pelo pênis empurrado pelos dedos do homem que parecia ignorar qualquer cerimônia. Afinal, era só uma puta.
Um imediato transe tomou conta de Jaqueline... Sentia gosto de sabonete, misturado com um gosto cítrico, meio azedo. Nada forte, tampouco insuportável... Misteriosamente, confortante. As mãos, antes espalmadas, agora repousavam no quadril de Ismael, que aos solavancos, ia estocando descoordenado em sua boca, ora em sua garganta. O membro começava a pulsar, tomando ares de ereção. Jaqueline já sentia vazar pequenas gotas de líquido seminal, sabor este que apreciava. Começava a sentir-se relaxada, e soltou-se. As mãos, que antes continham o quadril do homem que a estocava a garganta, agora percorriam carinhosamente a lateral do quadril dele, quase num secreto desejo de puxa-lo contra si. E estava determinada a faze-lo, quando o tomou pelas nádegas para conduzir o ritmo... A reação foi violenta...
- Puta, vaca, vagabunda. - um empurrão lançou Jaque para trás, fazendo-a chocar-se contra o cano da caixa de descarga - tira a mão da minha bunda, porra. Ta achando que eu sou putão, é? Vaca.
Assustada, Jaqueline encolheu-se, virando quase de lado, como podia, pois estava sentada, e com as pernas presas entre as dele, que estava em pé. Mas ele a tomou novamente pelos cabelos, na altura da nuca, trazendo seu rosto contra seu pênis. Resistindo, com os ombros contraídos, Jaque o suportou se masturbando com a glande encostada em sua bochecha, melando toda a sua face com o líquido transparente que escorria de seu membro. Jaqueline torceu para que aquele homem se acabasse ali. Afinal, o que Alves lhe ordenou por telefone, e que já estava previamente acertado, ela apenas “uma chupada, num banheiro qualquer”. O trabalho estava chegando ao fim.
- Te levanta, Jaque. Quero ver tua bunda. Levanta.
- Ta bom, estou levantando, - disse ela, recolhendo as abas já enlameadas do casaco - deixa só eu me esticar... ai...
- Levanta o casaco aí, deixa eu ver essa bunda. - e sem muita cerimônia, agarrou o casaco de Jaque e virou-a subitamente de costas para si. Desequilibrada pela violência do puxão, Jaqueline deteve-se com o joelho sobre o assento do vaso, agarrada no cano da caixa de descarga. Só então percebeu o risco ao qual estava exposta. Mas era tarde.
O Pequeno homem ruivo tinha braços fortes, e passou o braço esquerdo por dentro do casaco, recolhendo-o sobre o ombro. Com a mão direita metida entre as pernas de Jaque, tentava afastar a calcinha entre suas pernas, e encaixar o membro agora totalmente duro e teso, na sua vagina. Jaqueline tentava desvencilhar-se, mas tinhas o braços totalmente presos pelo casaco muito bem contido por ele. Restavam-lhe os movimentos dos quadris, tentando desviar-se de uma penetração desprotegida e sem camisinha. Um desespero tomou conta dela, que chegou a cogitar gritar por socorro... Mas um transe quase hipnótico a tomou repentinamente... Sentia uma contração convulsa no ventre, uma sensação acalorada que a fazia contorcer involuntariamente os quadris, e seus gemidos simplesmente escaparam de sua garganta, abafados por um impulso de conter-se, de repúdio a si mesma, por estar... excitando-se...
Com a mão direita, Ismael tentava empurrar o pênis para dentro da vagina de Jaque, mas o ângulo desajustado, e a clara falta de habilidade do homem, tornavam a tarefa quase impossível. A calcinha escapava de seus dedos e impediam até mesmo o contato de sua glande com a vagina da mulher agora em transe e totalmente indefesa. Num gesto de desespero, o ruivo largou-lhe o casaco, e num puxão seco e forte, rasgou a calcinha de Jaque, percorrendo com o dedo por entre as nádegas de Jaque até encontrar seu ânus. Mergulhou sem qualquer prenúncio o polegar em sua carne sem lubrificação. Um grito abafado fugiu da boca de Jaqueline... Outro não tão abafado da boca de Ismael. Golfadas de sêmen atingiam as coxas de Jaque por trás, uma após a outra, sob os movimentos convulsos do pequeno homem, que parecia quase tombar com as pernas amolecidas...
As respirações arfantes de ambos eram agora o único som... Ele estava de ombro apoiado na parede lateral do cubículo. Ela, abraçada no cano junto à parede, de olhos cerrados e mente totalmente alienada. Nem pode perceber que ele já ia deixando o cubículo, puxando as calças arriadas. Ela permaneceu ali, na mesma posição, agora com os dois joelhos, já feridos, sobre o assento amarelado do vaso sanitário.
- Ta, eu... Eu já acertei com o Alves, ta? Depois tu vê com ele, eu to quase atrasado. Eu só tenho 45 minutos de horário de almoço, ta quase na hora de voltar. Obrigado, viu?
Jaqueline não o escutou. Estava ainda em transe. Lembrava da sensação de estar tomando banho no mar pela primeira vez, uns 5 anos antes... Toda aquela espuma, a água salgada, tudo tão grande... Que coisa divina, o barulho parecia nunca acabar. Mas sentia ainda aquele calor no ventre. E vulva estava absolutamente encharcada, o útero em fogo. Por certos momentos, torcia para que aquele homem ridículo lhe acertasse a entrada da gruta, e a fizesse sentir o inferno dentro de si... Com a mão esquerda, começou a fazer movimentos circulares em torno do clitóris... Nunca diretamente, pois era sensível. E estava muito, muito intumescido, chegava a doer. O movimento com os dedos, melados dela mesma... a sensação de esperma ainda quente escorrendo por suas coxas, e entre elas... Ahh.... Jaqueline agarrou-se de todas as formas a todas as paredes dentro do cubículo, e seu orgasmo foi tão intenso, que suas pernas amoleceram ao ponto de quase ir de joelhos ao chão.
Mas o chão estava cheio de urina. Iria sujar suas linda meias rubro-negras em degradê. Seria um pecado, peças tão lidas. Bastava o casaco, que federia por meses até ser totalmente limpo. Recomposta, Jaque abriu a porta do cubículo, e com o olhar, procurou um espelho. Mas um lugar como aquele, certamente não possuiria um espelho decente. De repente, um homem entra pela porta aberta do banheiro, e deparar-se com Jaqueline, de casaco aberto, calcinhas arrebentadas, presas somente a cintura, espartilhos com a frente retorcida e seios praticamente descobertos... certamente ficou surpreso demais para reagir. Pasmou, e ficou estático, olhando. Era apenas um velho homem, quase octogenário. Jaqueline olhou-o com absoluta indiferença. Tratou de arrumar sua roupa, recompor sua aparência e partir. Saiu do banheiro, determinada e segura. Um pouco descabelada, mas despreocupada. O serviço estava feito. Atravessou a rua.
Enquanto caminhava em direção ao banheiro do shopping, onde poderia arrumar a maquiagem para voltar para casa, deixou-se pegar curtindo uma sensação de êxtase. Aquela sensação que carregava dentro do ventre, dentro do útero, de sacies, de orgasmo, que se estende por um dia inteiro... “- meia hora pode parecer uma eternidade...”.
Ao passar pela praça de alimentação, indo em direção ao toalete, nossa exuberante mulher de até então parecia esmorecer-se aos poucos, como se o tempo passasse mais de vagar. Seu olhar já não mais era tão determinado, um certo ar de cansaço dividia espaço com a sensação de relativa sacies... Ao percorrer, em câmera lenta, o olhar pela praça de alimentação, sentiu-se estranhamente observada. Por um momento, estagnou. Virando-se lentamente, seus olhos buscavam algo oculto no seu entorno, pois sabia que alguém a observava. Os olhos negros e grandes, realçados pela pintura já borrada pelo êxtase e pela umidade da chuva, em felina procura, fatiavam as cenas em busca de alguém...
Um sutil toque em seu ombro, por trás de si, e ela sabia... Fora achada antes que pudesse achar o observador...
- Moça... Oi. Eu te vi no banheiro...
Antes de conseguir pensar ou mesmo reconhecer a pessoa ali parada, sua mente rebuscou alguma justificativa para estar lá, naquele banheiro imundo, quando então, reconheceu... A menina que juntara seu estojo de maquiagens, no toalete. Seu ânimo aliviou-se como de imediato.
- Oi...! Desculpa, eu pensei que... Ah, deixa, Desculpa. Pensei que fosse outra coisa.
- É que... Tu esqueceu isso no banheiro, eu... Achei, tentei te chamar, fui atrás de você, mas você...
- Eu entrei num lugar onde tu não poderias entrar...
- É... Desculpa, eu achei que não voltarias. - com o braço esticado, devolvia o estojo para sua dona, com um ar envergonhado, e um olhos diferentes dos que foram vistos anteriormente no toalete.
Ao observar o rosto da menina, notou que ela tentara maquiar-se, desastradamente. Uma sensação ruim apoderou-se dela. Era uma menina tão... menina. E a maquiagem exagerada que quebrava a inocência de seu pequeno rosto cortava o coração de quem observasse a cena em toda a extensão de seu contexto.
- Tu estás sozinha aqui? – questionou, preocupada com o tempo que a menina lhe aguardara.
- Não, minha mãe trabalha naquela loja, almoço aqui todo o dia, no intervalo do colégio. Qual é teu nome, moça?
Um instante de hesitação, em busca de uma resposta que parecia difícil de ser formulada. Mas um terno sorriso precedeu a resposta:
- Daiana, querida. Me chamo Daiana. E tu, como te chamas?
- Jaqueline. - um estampido mudo, calado, atingiu o coração de Daiana, que cerrou os olhos, virando um pouco o rosto.
Um afago no rosto da menina, e Daiana deu um tom de despedida. Tinha de ir para casa.
- Olha, Jaqueline. Fica com isso - colocando na mão da menina o delicado estojo - mas não usas mais, ok? Eu prometo que ainda esta semana eu venho até aqui, e te ensino direitinho como se usa isso, ta?
Com um sorriso imenso, a menina agradeceu.
- Eu venho todo o dia aqui!
Sem dizer mais nada, Daiana a deixou.
Ao olhar-se no espelho, notou que estava com um ar bastante abatido. Tudo bem, Adriano não estaria em casa na hora que ela chegasse mesmo. Nem a veria daquele jeito. Deixou o prédio, ainda vestida com o grande casaco, praticamente nua por debaixo.
“- Odeio o centro. Não se vê um vendedor de algodão doce. É um desperdício. Tenho certeza que não sou a única aqui que quer um...” - Pensava ela, caminhando lentamente em direção à parada de ônibus. - Hoje não tem algodão amarelo...
A pequena viagem passou ligeiro, foi distraída o caminho todo. De vez em quando, sentia a sensação do sêmen ressecado grudado nas coxas. Gostava de sentir isso. De sentir gozo de homens... Ser o motivo deste gozo...
Ao colocar a chave na porta de casa, foi surpreendida. Adriano abriu a porta por dentro, olhando-a como ar de desdém:
- Onde tu tava? - Perguntou ele, quase indiferente.
- Passeando no Shopping - respondeu ela, da mesma forma - Queria comprar umas coisas, mas não achei.
Adriano voltou para seu sofá e seu jornal. Ele sairia em seguida para uma viagem a trabalho, por isso passou em casa. Sem olha-la uma vez sequer nos olhos, questionou.
- Mas que cheiro de mijo é esse?
Às costas dele, Daiana chegou a alisar o esperma seco espalhado entre suas coxas enquanto pensava em algo para responder.
- Pois é, estive num banheiro público. E meu casaco encostou no chão. Deve ser isso.
- Que coisa nojenta. Esses banheiros públicos são um antro de porcos. Só tem bagaceiros, putas e drogados.
Daiana ficou observando...
“- É... Ele não está de todo errado. Definitivamente, não está...”
- Quer café?
...
20 de janeiro de 2007
Os Motivos de Daiana

– Mais café, querido?
– Não, esse café ficou fraco, e tá com um gosto esquisito. E mais, ficou pronto muito tarde, vou acabar me atrasando. Vê se amanhã tu faz mais cedo esse café. E dá um jeito nesse café aí, o gosto tá horrível.
Adriano levantou-se frio, calando-se por completo, e olhar entre o indiferente e o irritado. Andava assim nos últimos dias, desde que o filhotinho de cachorro que deu pra Daiane estragou seu sapato preferido. Daiane preferia fingir nem notar seus destratos, não valia à pena. Seria pior e os levaria a uma discussão onde coisas que não deveriam ser ditas fatalmente seriam ditas. Como as marcas que ela, havia dias, vinha notando em suas camisas e roupas, perfume barato que com certeza não era do tipo que ela usaria...
- Querido, esqueceu sua pasta!
Mais uma vez seu olhar mal humorado estampou-se até que pegasse a dita pasta. Mal Adriano ligou o carro, Daiane dirigiu-se ao quarto, num saltitar ansioso e ao mesmo tempo furtivo. Entre os rangeres de portas do guarda-roupas, destampou um pequeno compartimento oculto, de onde tirou uma sacola preta, e esvaziou-a sobre a cama. Uma enorme e sofisticada coleção de lingeries de muitas espécies. Dentre todas, parecia decidida, imediatamente desenrolou a preta, composta de um lindo espartilho, ligas, uma mínima calcinha quase inteira de renda, e meias de 7/8. Jogou-as sobre a cama, e encarou-se no espelho grande da porta do guarda-roupas. Mais uma breve olhada pela porta, certificando-se da partida do marido para mais uma jornada de trabalho que só terminaria ao início da noite.
Voltou ao espelho sorridente, como uma criança frente a um novo brinquedo. Seu sorriso largo, de uma boca majestosamente linda, dentes grandes e alinhados. Aproximou o rosto do espelho, e buscou as imperfeições que as mulheres sempre se recusam a aceitar.
As marcas do tempo. Ela se olhava fixamente, vendo que no auge de seus 27 anos, dava sinais de seu cansaço. Na mente, surgiam pequenas imagens de sua juventude, adolescência de dedicação grande ao trabalho, devido as poucas condições financeiras, e seus pais sempre tão conservadores. Seguiu o caminho de sua mãe, que com muito pouco estudo, fora oferecida pelo próprio pai ao noivo que ele mesmo escolhera, o de melhor condição financeira que se apresentou interessado. Sim, por incrível que pareça, ainda é a realidade de algumas jovens brasileiras como ela... Daiane.
Casou-se aos 17 anos, sem ao menos concluir nível técnico de ensino, com um homem de relativa posição, empregado de uma firma grande com muitas filiais, nas quais atuava como representante comercial. Ela notou sua ausência poucos dias depois de sua Lua-de-Mel, 4 dias após ter perdido a virgindade guardada como ouro pelo pai, viu o marido sair pela porta sem ao menos dizer quando voltava. E assim tem sido, há dez anos.
Bem, sua memória apenas dá uma cena de fundo a este momento solene, onde com um movimento rápido, foi cobrindo seu corpo alvo, de pele muito branca, quase transparente nas volumosas coxas que ia escondendo com o tom negro da meia de nylon que a cobria. O choque entre sua alvura e a lingerie era algo de divino. Seus cabelos estavam rebeldes, apesar de lisos, volumosos e inconstantes. Somente um coque os fez parar como ela gosta. Cabelos negros como o espartilho que ela agora ocultava sob um vestido simples, de poucas estampas, até o joelho. Tecido de estampas peruanas, de muito bom gosto, mas em nada remetia à sensualidade que ela escondia por baixo dele. Com pressa, olhando no relógio, ela correu até o ponto de ônibus, afinal, já havia perdido tempo demais, iria se atrasar.
A pequna viagem passou rápido, e um certo viaduto do centro de Porto Alegre, se aproximando, já mostrava que era hora de dar sinal para desembarcar. A pressa era tamanha que Daiane nem notou o carro que por centímetros não a atropelou enquanto atravessava a rua, em direção ao antigo prédio comercial de fachada muito bem pintada à sua frente. Algumas lojas na frente, uma porta bonita amadeirada que dava para um estreito corredor. O guardião da porta, um senhor de não menos que 65 anos, adormecido numa cadeira escondido atrás de um pequeno balcão, quase dera seu último salto, do susto que tomou com a entrada rápida de Daiane.
– Dona Jaque! Dona Jaque! – gritou o velho porteiro às suas costas, já próxima ao elevador.
Daiane quase não atendeu, pois por lapso, não atendeu por seu “pseudônimo”.
“Ah, meu Deus...! Jaque! Eu nunca me acostumo” – Pensou ela.
– Pois não, seu Jaison?!
– O Sr. Alves deixou comigo a chave, hoje é quinta! A “casa” está fechada pra um grupo só de clientes, só com a chave pra entrar!
“Fechada?! Hoje vai ser difícil...” – Pensou Daiane, que agora... era Jaque.
Já com a chave na mão, subiu ao terceiro andar, e depois de percorrer o longo corredor até o final, abriu a grade que interrompia o acesso a seus últimos 4 metros, antes de uma grande e bonita porta de madeira de lei, com uma única pequena abertura alta no centro, sem fechadura ou maçaneta. As três pancadas habituais, e e pequena portinhola já se abriu sob um olhar reprovador vindo de dentro.
– Atrasada menina. Entra rápido, a casa ta cheia.
Daiane, ou melhor, Jaque, entrou rápido, passando ligeiro pela sala, pequena mas aconchegante, com luz média e som relativamente baixo, vindo de um pequeno cd player ao comando de um grupo de homens de meia idade sentados pelos 4 sofás que pareciam ser os móveis mais importantes, e na mesa de centro muitas revistas masculinas, latas de cerveja, alguns baralhos já abandonados pelos jogadores, que no momento, dirigiam suas atenções as 4 ou 5 meninas que circulavam entre eles, dançando com pouquíssima roupa. Era apenas um apartamento, a decoração era bastante simples como a maioria das salas que se pode imaginar. Um pouco mais espaçosa, talvez, dando acesso a um corredor com meia dúzia de portas nas laterais, e uma ao final, para onde “Jaque” se dirigiu.
Lá, um pequeno, porém equipado camarim, tornou-se palco de uma incrível transformação, que trouxe “Jaque” totalmente à tona, em uma vibrante e forte maquiagem de tons vermelhos e azuis absolutos. Um forte batom negro cobriu os grossos lábios de Jaque, dando-lhe um tom irreconhecível, se comparado com a servil mulher de uma hora atrás. No lugar do simples vestido de estampa, um fino roupão negro de cetim, que apesar de seu caimento, nada tinha de transparência. Apenas seu caimento parecia revelar as generosas curvas daquela mulher tão meiga de uma hora atrás. “Daiane” desapareceu por completo no momento dos últimos retoques na maquiagem, frente ao enfeitado espelho. Mas o som da porta se abrindo interrompeu sua concentração.
– Vou te descontar esse atraso. Esse serviço de hoje é livre, não é por hora, portanto preciso de todas vocês. Cada minuto que tu perdeu é prejuízo pras outras meninas, te acerta com elas depois, Jaque. – o homem baixo, calvo, de camisa semi-aberta e muito colorida, parecia irritado e pouco disposto ao diálogo.
– Alves, me desculpa, perdi o ônibus, e... – indiferente, ele bateu a porta.
De volta ao espelho, Jaque conclui o de costume:
“Todos iguais. Sempre iguais. Sempre cretinos.”
Um gole de whisky nacional barato, direto na garrafa, e tudo pronto. A saída triunfal pela porta, encarando o corredor de portas cerradas, cujo o som que saia de seus interiores denunciava que o dia seria duro, causavam uma leve sensação de tontura e um breve calor no peito, todas sensações auxiliadas pelo quadrado gole de whisky quente descendo pela garganta. O drops de menta forte foi estrategicamente colocado na boca um pouco antes de chegar à sala, onde alguns dos homens presentes já a encaravam sorridentes, acenando para a coxa, num presumível convite para que ela sentasse em seus colos.
Aquele era um momento difícil. Jaque sempre tinha dificuldade de escolher em qual colo sentava primeiro. Sim, primeiro, pois fatalmente sentaria em vários. Era seguramente uma das meninas mais belas da casa, por conseqüência, uma das mais assediadas. As vezes se odiava por isso. Escolheu o mais velho. Era mais fácil de enrolar, menos apressado, bebia mais, falava mais, durava menos na atividade fim. Poderia matar completamente as primeiras duas horas ali, pois sabia que ele fatalmente iria querer parecer mais viril para os outros homens, por isso a manteria mais tempo no quarto, mesmo que não fizesse praticamente nada. Ela já conhecia bem esse velho vício masculino. Seria aquele o primeiro colo. Sorridente, jogou-se sobre ele, sob o olhar reprovador de Alves, que atrás do balcão, já fazia a contabilidade inicial da noite.
“Essa daí já tem todas as manhas pra trabalhar pouco e ganhar muito... Se não fosse tão gostosa eu já tinha mandado caminhar...” – pensava silencioso, com o olhar felino para o cenário caótico da sala fervente de ânimos e risadas. Sobre os sofás, muitos homens, aparentemente de uma mesma empresa ou escritório, numa comemoração cujo o motivo Alves ignorava. Afinal, pagavam bem. Com um lance alto fechavam o puteiro por dois turnos, entre 15 ou 20 homens, pelo menos uma vez por mês. Mas tinham disponibilidade plena das meninas, que não eram mais que 12, e hoje eram apenas 9 até o momento. Alves sabia que algumas delas não viriam, pois já tinham sido avisadas pelas “informantes” que o dia era dos piores, onde muito trabalhavam, e pouco recebiam a mais por isso. Nem viriam, ou viriam mais tarde, para se poupar o máximo. Quase todas casadas, universitárias, ou dedicadas fundamentalmente a outra atividade. Razões das mais diversas as levavam a estar ali. Mas um elemento era comum a todas: vontade própria.
Poucos minutos de apalpadas e beijos babados do velho, Jaque já fora puxada pela mão em direção a um quarto que desocupara. O velho puxava rápido, e ela entre uma passada e outra de mão, de outros homens sentados nos sofás, o acompanhou, mas foram barrados pela “faxineira”, que foi limpar o quarto antes da entrada do próximo cliente. Mas com um pequeno empurrão, foi afastada pelo velho, que ansioso, dispensou o serviço, estava afoito para usufruir sua bela Camélia. “Ai meu Deus, que nojo, quarto sujo é dose...” – pensou Jaque, já dentro, fechando a porta do recinto. A cama, no centro do quarto, ocupava quase todo o espaço. A luz, para sorte dela, era muito fraca. O cheiro, intenso. Cheiro de sêmen. Sêmen velho, resíduos de muitos dias ejaculações mal desinfetadas, ou limpo às pressas. Cheiro misturado com desinfetante de má qualidade, a base de amoníaco. Mas sabia que seu olfato se acostumaria antes que tudo acabasse.
A propósito, tudo já começara, e ela quase nem notava. Pelo hábito, já estava deitada, seminua, de olhar perdido enquanto o velho puxava, desajeitado, sua pequena calcinha. Tinha pressa.
Na mente, lembranças soltas, divagantes... A decoração de tons marinhos do quarto faziam Daiane lembrar da pequena piscina de plástico que ganhou aos 11 anos de uma tia da capital. Nessa época, no interior do RS, eram poucas as pessoas que tinham uma, pois eram caras, e sempre vinham da capital. Seu pai, sempre ocupado, custou a montar para ela se divertir no quintal de casa, e o dia que o fez, foi uma festa. Convidou todos os amigos da redondeza, não eram muitos, para virem com ela, estrear. No meio da brincadeira, lembra de ter tomado, do nada, um tapa forte na cabeça. E ao olhar de onde veio, outro na cara. O pai, enfurecido, ordenava:
– Vai esconder essas “mamicas”, guria! Bota uma camiseta agora e vai pra dentro!
Foi quando Daiana notou que despontavam seus pequenos seios. Seios que ela ficou olhando, curiosa, no reflexo de uma bandeja de inox que usava como espelho em seu pequeno quarto, onde estava agora de castigo. Sentia o rosto ardido do tapa, mas anestesiado pela curiosidade por seus pequenos mamilos, que tomavam uma forma tão diferente, pontiagudos, e que agora a obrigavam a usar camiseta para brincar na rua. Mas a ardência foi se convertendo, era agora justamente no mamilo esquerdo, e foi aumentando repentinamente, até faze-la despertar e notar... Era Jaque novamente.
O velho estava “se acabando”, já, tão rápido, aos solavancos desritmados entre suas pernas, e cravava-lhe os dentes no seio. Com jeito, ela tentou faze-lo diminuir a pressão, mas era inútil, ele mordia. E estremecia todo, despejando suas últimas energias na camisinha murcha, dentro dela. Daí aliviou.
A enrolação durou menos que ela esperava. Meia hora depois, e nenhuma palavra, ou agrado, ele já puxava as calças que ele nem se dera ao trabalho de tirar, estava arriadas até os joelhos, e se encaminhou pra porta. Saiu e bateu.
Delicadamente, ajustou-se, limpou-se como pode, retirando a camisinha que ele deixou jogada sobre seu ventre, sujando seu lindo e detalhado espartilho. Jogou-a sobre a outra ainda sobre a cama, provavelmente deixada pelo cliente anterior. Quem sabe até mesmo pelo “segundo” antes deles... – “Vai saber, essas faxineiras são muito porcas”...
No banheiro, coletivo para as meninas, três delas se amontoavam para preparar-se para a continuidade da jornada. Jaque pegou a fila para alcançar a pia, com um pedaço de papel higiênico na mão, limpando como podia o seu estimado espartilho. Mas iria manchar, ela tinha certeza. Antes de conseguir chegar à pia, já estava seco, parecia as mangas de um menino ranhento. Iria manchar, era uma pena. Mas os outros não notariam. Pena, seu espartilho era tão lindo... Pena que não conseguissem notar.
Nem bem chegava no centro da sala, um homem alto, cerca de 1,90m, provavelmente com mais de 120 kg, não de força, mas de um homem que provavelmente fora forte até os 45 anos, e que agora, com mais de 50, via suas formas caindo, puxou-a pela mão. Sim, ela voltaria ao quarto antes que esperava. Mesmo num convite para que tomassem algo na sala, ele estava convicto.
– Eu tava só te esperando, tenho que ir embora, mas não sem antes te comer um pouquinho, minha joinha!
– “Joinha?! Que péssimo, não acredito” – Claro, querido, vamos lá! – “Que bosta”
Pra não deixar que melhore, o quarto disponível ainda é o mesmo. Mas ao menos as camisinhas foram recolhidas. Enquanto empurrava a porta, um abraço intenso por trás de seu corpo a surpreendeu, e foi facilmente dominada pelo forte homem, de rosto enorme e nada atraente, dentes desparelhos e cheiro de cigarro. Ela a virou, e sem chance de recuo, beijo-a na boca. Quase num gesto de repulsa, ela barrou-o.
– A gente não beija na boca, querido! Vai que eu me apaixono! – diz ela, numa saída estratégica na tentativa de manter o astral alto.
– Eu já sou apaixonado por ti. Se tu quiser, te tiro desta vida, te faço ser uma mulher de verdade! – e foi avançando sobre seu corpo, vorazmente, beijando seu busto e empurrando seu corpo rumo à cama.
Antes ainda de tombar sobre a cama, Jaque buscava na mente de Daiana um ponto de fuga, uma lembrança que a tirasse daquela sensação de ser subjugada como mulher, e que ao mesmo tempo, quase lhe excitava. Um estranho paradoxo. – “Algodão doce! Isso, algodão doce!”
Ficou lembrando da sensação do algodão doce derretendo em sua boca na primeira vez que viera a Porto Alegre, a convite da mesma tia que lhe dera a piscina. Ela agora tinha 12 anos, e tinha “ficado moça”! Sua menstruação, por sorte, viera pela primeira vez durante uma visita desta querida tia, que insistiu tanto ao ponto de conseguir leva-la à capital para sua primeira consulta com um ginecologista. Dessas apenas pra verificar se tudo corre bem, ter as primeiras orientações. Mas o constrangimento que sentiu por ser examinada de forma tão íntima, ainda que por uma médica, lhe fez passar a hora seguinte muito carrancuda, envergonhada. E uma volta no singelo “Green Park”, dentro do Parque Marinha do Brasil, a fez esquecer completamente o “momento difícil”.
Seu primeiro algodão doce parecia a coisa mais gostosa que já provara, pois só tinha visto um na televisão. Daiane não imaginava que ele se derretia na boca, nem que fosse tão docinho, tão fugaz... Mas Jaque sabia que o que tinha em sua boca agora não estava ao comando de seus movimentos.
O homem era bruto, empurrava sua cabeça com força, chocando a glande contra sua garganta. E tinha um membro muito avantajado, sufocava até sua experiência e artimanha de relaxar a garganta para deixa entrar mais fundo. O controle que tinha para não ter ânsias de vômito durante as estocadas parecia estar à beira de se extinguir... Mas enfim, ele resolveu variar. Foi tentando submergir de volta nas lembranças que ela sentiu seu braço puxar sua cintura, virando-a de bruços, ajoelhando-ª O calor do ventre dele postando-se sobre suas ancas anunciava que seria rápido. Eles nunca resistem muito nessa posição, principalmente por que a beleza de suas ancas largas era grande, a fina penugem aloirada de suas costas, na altura da cintura, as covas que se formavam na parte posterior da cintura... Fazia os homens gozarem mais rápido.
Mas estava escuro. Ele não poderia apreciar tudo, não veria. Era uma pena, tão lindos os detalhes. Mas o que importavam os detalhes naquele lugar. Ele provavelmente já tinha estado com uma ou duas garotas antes dela, na mesma manhã ( se é que ainda era manhã, Jaque já havia perdido o controle das horas). Ela era a saideira, sentia. Sua ereção não era total, estava já perto do fim de sua resistência. Mas não o impediu de tentar o quase impossível. Uma penetração anal naquele estado.
A primeira tentativa veio seguida de um empurrão desajeitado e muito dolorido para Jaque, que esquivou-se instintivamente.
– Calma, princesa! Vou pôr devagarzinho em ti, tu vai gostar! – ela sabia que não ia não.
– Ta bom, querido. Coloca devagar, eu sou delicada...
Um início delicado, mas seu estado de meia ereção o deixava impaciente apressado. Alinhava a glande a entrada do ânus pouco estimulado de Jaque, pressionava um pouco, e estocava forte, na tentativa de que entrasse, por um ato de sorte. Escorregava para fora, dolorosamente.
– Tu ta apertadinha, por isso não entra! – terrível sentença, começou a enfiar os ásperos polegares mal lubrificados em seu delicado ânus, provocando não apenas dor, mas uma sensação horrível e desconfortável em Jaque. Já desatinada, ela foi em seu socorro.
– Deixa eu te ajudar – habilidosa, de quatro, com a mão passando entre as coxas e o ombro direito enterrado no colchão, levou a mão direita até o próprias ânus, massageando um pouco as pregas anais para aliviar a dor. Segurou o pênis ainda mais flácido que no começo da operação, com a mão lubrificada da saliva, e desalinhou da entrada do reto.
– Empurra, querido, devagar! Isso assim, ai, assim, devagar, ta sentindo? To me abrindo pra você! Ui, que gostoso! – Sorridente, de olhos cerrados e na escuridão, o grandalhão foi soltando um gemido, apoiado com as mão sobre o colchão, sem notar que se membro nem ao menos entrara nela. Estava comprimido na palma da mão da habilidosa gueixa, que mantinha-se na mesma posição.
– To, to sentido. Ahh, vou meter tudo!
– Tudo não, assim, senão eu não agüento, é muito grande! – com a mão fechada, mantinha-o fora de seu corpo, crente de estar dentro de seu reto, estocando ridiculamente na pressão da palma da mão de Jaque.
– Ahh, eu vou gozar, encher o teu cu de porra! Ah, rebola cadela! Aaahhh...!
E despencou, sem ao menos derramar três gotas de sêmen na camisinha. Já gozara muito por uma noite. Virou para o lado, e silencioso, sentou-se, vestiu-se, e foi rumo à porta. Jaque se perguntava... Onde estava o cara que se disporia a “transforma-la numa mulher de verdade?”
A fome avisou que a hora de almoçar se aproximava. Mas nos dias de “horário livre” não tinha hora de almoço. Muitos dos executivos que chegavam só tinham o horário do almoço para chegar e dar sua “galada” antes da jornada da tarde. Até as 15hs ela não tinha idéia de quantos ainda enfrentaria. Não mais que 5, estava determinada. Depois só enrolaria. Afinal, quem se importava se fosse “descartada” por Alves. Não precisava daquilo. Nunca precisou. Aliás, nem se lembrava por que razão foi parar ali. Algo lhe fazia sentir bem. Mas naquele instante, não conseguia lembrar o que lhe fazia sentir bem, ou lhe motivava a aturar aquilo tudo. Mas algo, em algum lugar, a fazia sentir-se bem. E ela se precipitou. Antes das 15:30hs, foram 7. Os dois últimos juntos, mas estavam tão bêbados.
16:30hs, e ela descia do lotação, na frente do canhão do Parque Marinha. Foi caminhando entre as árvores, até o Green Park, onde avistou o velho pipoqueiro, que tinha ao lado um sarrafo comprido cheio de pacotes plásticos com algodões doces espetados. Chegou próximo, e pediu o amarelo. Era o que mais gostava. Coçou o bolso, mas o troco que tinha gastou no micro-ônibus. Só as 5 notas de cinqüenta reais que o dia lhe rendeu ocupavam o bolso.
– Tudo bem, moça, pague amanhã, ou outro dia. Você é freguesa fiel, pode ficar devendo! – o sorridente velhinho voltou a remexer suas pipocas.
Mais alguns passos olhando as crianças brincando, um passeio de 30 minutos, e foi até o shopping em frente ao parque. Comprou uma caixa de bombons dos mais caros que achou, um café cortado argentino na cafeteria, um ou dois cds de músicas preferias, até perder-se numa loja de moda íntima, onde viu até o ultimo centavo ser gasto. Retornou à parada do ônibus. Com a sacola na mão, escondendo o nome da loja. Entrou no ônibus já cheio onde por umas quadras, notou que um jovem rapaz, de 16, 17 anos, a observava, atento. Constrangida, olhava de canto de olho, ele sempre a observa-la.
– Quer sentar, moça? – ele oferecia o lugar que acabara de vagar à sua frente, que ia em pé.
– Ah, obrigado!
Daiana sentou-se, admirada da educação do rapaz, tão polido, tão... Antiquado em relação aos meninos de sua idade! Olhou-p, e ele olhava sorrindo, educadamente e discreto. Notou que ele a apreciava, mas em nenhum momento, de forma desrespeitosa. Silenciosamente Daiana o observou, distraído...“Pena que vocês crescem, envelhecem, e viram porcos como todos vocês são...” – pensou, instintivamente.
Antes de 18:30hs, chegava em casa, trocando de roupas, e propositalmente, sem tomar banho. Olhou mais uma vez para o espartilho, agora bem mais manchado do que no início da manhã, e colocou-o numa sacola separada, enrolando no jornal, e jogando no lixo, como fazia com todos eles. “Nunca mais que uma vez” – pensou.
Quando sentou-se no sofá, para assistir a novela das 8, sentiu o corpo dolorido, principalmente a musculatura das virilhas. “Por que faço isso, meu Deus? Por que motivo gosto disso?” Ela não conseguia lembrar a razão de estar duas vezes por semana lá. Sentia o corpo fétido do suor dos últimos bêbados. Tinha nas coxas ainda resíduos de um deles, que nem conseguiu começar a brincadeira e já terminou. E a porta abriu-se, Adriano foi jogando a pasta sobre o sofá e tirando os sapatos na entrada da sala, deixando-os para trás. Afrouxando a camisa, foi para o quarto, depois de um curto “boa noite”. O Beijo veio bem depois, quando o jantar era servido. Sentiu a dor no mamilo que foi mordido, estava machucado. “O que me faz agüentar isso?”.
Logo após o jantar, meia hora de televisão, fora dormir. Na cama, Adriano, apesar de cansado, olhou pra ela.
– Hoje é quinta. Vem cá, deixa eu aproveitar, amanhã posso acordar mais tarde. Daiana foi tirando o pijama com o qual sempre dormia, silenciosa, e virando-se como ele gosta. De lado, de costas para ele. É sempre assim nas quintas-feiras.
– Isso, minha mulherzinha. Sente teu homem, sente. Ah... – os movimentos rápidos e laterais iam sempre deslocando todo o lençol. Daiane tentava segura-los um pouco, mas eles se soltavam, não adiantava. Era difícil arrumar depois que ele acaba. Era pesado, e dormia quase imediatamente... ‘Ah, sim... É por isso...” Em sua mente, lembrou-se o que a agradava nas quintas. Lembrava-se da infância, e não precisava arrumar os lençóis. E ele nem imaginava. Não sentia nela os cheiros de cigarros, sêmen, álcool, camisinhas... “Homens... Não são capazes de ver detalhes. Um espartilho tão lindo. Nenhum deles reparou...”
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